quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

A mentira sobre o total pagamento da Dívida Externa

Helio Fernandes escreveu:

As doações por exigência do FMI

Entregamos o patrimônio, roubamos o povo, a dívida ficou impagável
Já contei aqui há muito tempo o que se chamou de "Acordos de Washington". Realizados no Brasil e na capital dos Estados Unidos. Participaram economistas "engajados" de lá e daqui. E mais importante. Estavam presentes FHC, ainda não presidente, e Nelson Rockefeller, um dos donos do mundo, por herança do nome.
Esses encontros eram preparados, planejados e monitorados pelos grandes bancos do mundo, sempre os mesmos. Os países ricos, muito bem assessorados pelos economistas do FMI, convenceram os países pobres (pobre, lógico, é força de expressão, principalmente em relação ao Brasil) de que só poderiam crescer e se desenvolver com AJUDA dos bancos multinacionais.
A primeira reunião ocorreu no Brasil em 1983, estávamos praticamente saindo da ditadura, quando a DÍVIDA EXTERNA cresceu bastante, a INTERNA ainda não existia.
A DÍVIDA EXTERNA, que pulou de 1 BILHÃO em 1960 para 60 BILHÕES nesse 1983, a partir daí passou a dar saltos fenomenais. É que os juros foram aumentados barbaramente, o que, logicamente, jogou o principal lá para o alto.
No ano de 2000, essa DÍVIDA EXTERNA estava em 240 BILHÕES. O grande incentivador desse crescimento foi FHC, que participou do fato duplamente. Como simples convidado em 1983 (aqui na filial) e em 1985 (lá na matriz), e depois como presidente.
Como o assunto é vastíssimo e afeta diretamente a nossa soberania, hoje vou escrever unicamente sobre a monstruosa DÍVIDA INTERNA.
Até 1992 não havia DÍVIDA INTERNA. Começou timidamente com Itamar Franco, já com FHC como ministro da Fazenda, logo a seguir. Quando o próprio FHC assumiu a presidência em 1º de janeiro de 1995, a DÍVIDA INTERNA estava em 62 BILHÕES. (Tanto faz de dólar ou de real, inventaram a absurda paridade). Cumprindo como presidente o que fora acertado em 1983 e 1985, FHC foi elevando a DÍVIDA.
De 62 bilhões passou quase a 100 bilhões em 1997, 250 bilhões em 1998, já então com a REEELEIÇÃO comprada não pelo mensalão e sim paga à vista, a tanto por cabeça. Quando foi obrigado a deixar o governo (não obteve o terceiro mandato), essa DÍVIDA já beirava os 750 BILHÕES.
E mais grave ainda: FHC criou a Comissão de DESESTATIZAÇÃO, e colocou nela homens que passaram a exibir um ENRIQUECIMENTO COLOSSAL, sem qualquer explicação.
O próprio FHC ia para a televisão, várias vezes, muitas vezes, inúmeras vezes, sempre com o mesmo discurso: "Temos que vender empresas estatais para poder pagar os juros da DÍVIDA INTERNA". Só que as estatais de todos os setores iam sendo entregues e a DÍVIDA crescendo cada vez mais. Com FHC, os juros para pagamento dessa DÍVIDA chegaram a 48 por cento, não sei que palavra usar para rotular essa bandalheira. (Talvez seja essa mesma, b-a-n-d-a-l-h-e-i-r-a).
Essas estatais, que nas palavras do próprio FHC "estavam sendo vendidas", na verdade eram apenas DOADAS, por causa dos preços inacreditavelmente baixos. Só para citar a Vale, cujo patrimônio era de 3 TRILHÕES, entregue por 3 BILHÕES. E ainda financiados pelo BNDES, que entregou fortunas ao Bradesco-Bradespar e a outros "donos" de bancos falidos, que passaram a potências financeiras e até políticas.
Entregamos tudo, não só as riquezas naturais, como minério, mas também as empresas que foram se organizando com favores especiais. O presidente Lula "pegou" a DÍVIDA INTERNA quase nos 800 BILHÕES e juros de 26 por cento. O que critico e vou criticar sempre no presidente Lula é o fato de não ter estancado a DÍVIDA, não ter feito o que venho pedindo há 30 anos para a DÍVIDA EXTERNA, e desde 2003 para a DÍVIDA INTERNA: M-O-R-A-T-Ó-R-I-A. Essa é a única saída para mostrar ao mundo como nos roubaram de todas as maneiras. Pelos caminhos normais, a DÍVIDA INTERNA É IMPAGÁVEL, uma estranha duplicidade da língua portuguesa.
PS - Lula diz que "zeramos" a DÍVIDA EXTERNA. Vamos fingir que acreditamos.
PS 2 - E a DÍVIDA INTERNA? Quanto tempo o Brasil resistirá ao pagamento de 90 BILHÕES anuais, e a falta de mais 60 BILHÕES, que faz essa DÍVIDA acumular cada vez mais?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Um dos representantes que o Agronegócio indicou ao Lula

Stephanes, o militante do agronegócio


Cesar Sanson*(6'00'' / 1,37 Mb)O ministro da Agricultura Reinhold Stephanes, tem se demonstrando um verdadeiro militante do agronegócio. Age como lobista dos pecuaristas, produtores de cana, fazendeiros, sojeiros e empresas da área da biotecnologia. Utiliza-se da função de ministro de Estado para defender com unhas e dentes os interesses do grande capital rural. Ao menos três fatos evidenciam a militância do ministro em prol do agronegócio. O primeiro deles, foi a sua escancarada atuação para aprovar o milho transgênico da multinacional Monsanto e da Bayer. Stephanes representa o ministério da Agricultura no Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS), órgão vinculado à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A estratégia do agronegócio foi formulada pelo ministro dias antes da aprovação ao dizer que o milho ia pelo mesmo caminho das variedades de soja e algodão geneticamente modificadas cuja comercialização é autorizada do país. Segundo ele, "elas foram liberadas apenas depois de constatado o cultivo ilegal". A 'senha' do ministro foi clara, 'plante-se ilegalmente que depois o governo aprova'. Foi o que aconteceu. O segundo fato relacionado ao ministro militante do agronegócio, está relacionado à polêmica do desmatamento na Amazônia constatado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A ministra Marina Silva pediu uma moratória total à derrubada de árvores e despertou a ira do ministro da Agricultura. Stephanes passou a questionar a ministra: "Acredito que deve haver problema com os dados sobre o Mato Grosso. Algo não bate: pode não ter havido derrubada", afirmou o ministro defendendo seu colega, o governador do Mato Grosso do Sul, Blairo Maggi, conhecido como o rei da soja. Foi no estado do Mato Grosso do Sul que mais avançou o desmatamento. Ato contínuo, o ministro iniciou um forte lobby para anistiar os desmatadores. O ministério da Agricultura propôs mudança na atual legislação de desmate na Amazônia Legal. Pela atual legislação exige-se a obrigatoriedade de manutenção da reserva legal correspondente a 80% do tamanho do imóvel, podendo desmatar e produzir apenas nos demais 20%. O ministro propôs a redução da área intocada das propriedades de 80% para 50%. Segundo Stephanes, "a alternativa - anistia e mudança da legislação - é uma forma de levar a paz ao campo e, resolver o problema do desmatamento na Amazônia". O governo apenas recuou da proposta em função da péssima repercussão nacional e internacional. Mas o ministro não se dá por vencido. É adepto de outra causa do agronegócio: a mutilação da Amazônia Legal. Os ruralistas defendem que a Amazônia Legal reduza a sua área em até um quarto. Para tanto apresentaram dois projetos de lei que tramitam no Congresso. As propostas pedem a retirada de Estados do Mato Grosso, principal foco do aumento da devastação medida pelo Inpe nos últimos cinco meses de 2007, Tocantins e parte do Maranhão. Finalmente, o ministro se meteu em outra polêmica no afã de atender os interesses dos seus amigos do agronegócio. A União Européia (UE) é rigorosa na importação de carne brasileira e indicou que poderia aceitar carne de 300 fazendas certificadas. O ministério da agricultura mandou uma lista de mais de 2,6 mil propriedades. Os europeus se irritaram e ameaçaram com o embargo das importações. A esperteza do ministro trouxe problemas ao país. Uma coisa é questionar as exigências da União Européia, a outra é achar que os mesmos engoliriam a malandragem do ministro. Reinhold Stephanes iniciou a sua carreira política na ARENA, passou pelo PFL e hoje está no PMDB. Ocupou cargos de primeiro escalão no período da ditadura. Foi ministro da Previdência do ex- Presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e hoje é ministro da Agricultura de Lula. Evidentemente que não foi indicado por Lula para ocupar o ministério. Foi indicado pela bancada ruralista e pelo agronegócio, Lula apenas engoliu em nome da chama governança. Stephanes como um bom quadro política da burguesia brasileira e transnacional nada mais faz do que defender os interesses da sua classe social. 14/02/08 (*) Pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e doutorando de Ciencias Sociais na UFPR. Esta análise foi feita em um trabalho conjunto com a equipe do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).

LULA e o banditismo agrário da bancada ruralista

O agrobanditismo e a reforma agrária no Pará
Por Ariovaldo Umbelino de Oliveira (*)
São Paulo, janeiro de 2008,

Volto a insistir neste artigo que a reforma agrária na Amazônia está sendo usada criminosamente para transferir milhões de hectares de terras públicas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária para os grileiros do agrobanditismo da madeira, pecuária, soja, etc. O Ministério Público Federal (MPF) vem tentando por meio da Justiça Federal do Pará dar um basta nestas ações que estão sendo desenvolvidas em todos os estados da região. Esta política delapidadora do patrimônio público do governo Lula no estado do Pará está sendo desenvolvida de forma articulada entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o INCRA, o Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o governo estadual petista, em “cumprimento” aos acordos feitos entre o setor madeireiro e o governo. A afirmação está em documento público da Associação das Indústrias Madeireiras de Santarém e Região Oeste do Pará (ASIMAS): “O uso dos assentamentos para o fornecimento de matéria-prima legalizada para as indústrias da região foi proposto pelo próprio governo federal, como forma legal e lícita de superar a crise do setor florestal, vivida especialmente por causa da falta de regularização fundiária na região.” (http://www.pauloleandroleal.com/site/news.asp?cod=6635 acessado em 17/12/2007 Por isso, vamos ao histórico dos fatos. Em decorrência das pressões nacionais e internacionais provocadas pelo crescimento do desmatamento na Amazônia em 2003 e 2004, o IBAMA intensificou a fiscalização para contê-lo. Como conseqüência, o setor madeireiro, que sempre operou na ilegalidade, tratou de realizar manifestações e bloqueios de rodovias no oeste do Pará. Para aplacar a ira dos integrantes do agrobanditismo, o governo promoveu em meados de 2004, uma reunião em Itaituba entre os madeireiros e o superintendente do INCRA em Belém Roberto Faro. Nesta reunião, ele negociou a suspensão da realização de uma grande manifestação contra as ações do IBAMA de Itaituba “porém, segundo participantes da reunião, o trunfo para o acordo foi, justamente, a tônica que seria dada ao andamento dos processos de ‘regularização fundiária’. Em 22 de setembro de 2004, os diretores do Sindicato da Indústria Madeireira do Sudoeste do Pará (SIMASPA) encaminharam ao IBAMA uma indicação de ‘projetos prioritários’ a ser vistoriados pelo INCRA. No dia 23 de setembro, o IBAMA redirecionou ao INCRA a tal lista de áreas prioritárias (ofício 361/2004)” para fazer o georreferenciamento das terras públicas griladas pelos madeireiros. Porém, como o caminho da ilegalidade praticada no interior do próprio INCRA, havia sido denunciado, no dia 07/12/2004, Roberto Faro foi “preso e exonerado sob a acusação de corrupção e formação de quadrilha para liberação de títulos de terras da União.” (Maurício Torres, Amazônia Revelada, CNPQ, Brasília, 2005, páginas 316/317) Entretanto, mesmo antes desta punição, nos “porões” desses órgãos públicos, a sanha de “uma parte dos funcionários” que sempre viveram da corrupção, tratou de construir outro caminho para garantir ao agrobanditismo madeira e terras públicas. Foi assim que o atual diretor Nacional de Programas do INCRA, Raimundo de Araújo Lima, “em conversa gravada” contou “como tudo foi tramado em novembro de 2004: Primeiro, o [...] diretor geral do Serviço Florestal Brasileiro, o Tasso [Azevedo] [...] e [...] o [...] Paulo Capobianco, [...] secretário-geral do Ministério [do Meio Ambiente], [...] fizeram uma sugestão: [...] 'os assentamentos podem resolver o problema do setor madeireiro lá na região' [...] o Incra vai criar assentamentos lá?” E em seguida, “o Rolf [presidente do Incra] já anunciou a criação da nova superintendência [de Santarém]. E o Incra [criou] assentamentos lá na região, em terras públicas...” (Maurício Torres, “A Reforma Agrária que virou Plano de Manejo” - O LIBERAL – Belém – 05/12/2007, ANO LXII - Nº 31.963, página 2 - http://www.orm.com.br/oliberal/ acessado em 17/12/2007) No início de 2006, o agronegócio da madeira assumiu publicamente o apoio à implantação dos Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS) pelo INCRA “depois que os empresários perceberam que poderiam ganhar explorando a madeira da reserva legal dos projetos.” Para tal “as entidades empresariais” deveriam “incentivar os sócios a devolverem as áreas públicas” com florestas primárias griladas ao INCRA, com as devidas coordenadas geográficas.” E mais, o órgão deveria criar os “PDS, juntando as áreas devolvidas em blocos de 20 mil hectares”, e assentar os sem terra em lotes de apenas 20 hectares.” (http://www.pauloleandroleal.com/site/news.asp?cod=2948 acessado em 17/12/2007) Como o INCRA de Santarém, tinha feito muitas falcatruas para criar “os assentamentos laranjas” no mês de dezembro de 2006, e, este fato estava gerando desconforto entre os funcionários do órgão, foram feitas algumas “auditagens” por comissões internas no início do ano seguinte. Em decorrência da demora na implantação dos assentamentos, em meados de 2007, o setor madeireiro foi “cobrar a fatura” da governadora petista, afirmando: ”Por favor, [governadora] não se esqueça dos compromissos assumidos com o setor florestal". Como resultado da cobrança, 26 planos foram aprovados e outros 58 prometidos pela Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (SECTAM) para diminuir “a crise no setor, mas esta liberação dependia da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a secretaria estadual e o INCRA, pois tratava-se de PDS.” (http://www.pauloleandroleal.com/site/news.asp?cod=5702 e cod=6109 acessados em 17/12/2007) E assim, finalmente, para remover o último obstáculo, “o diretor de Programas do INCRA, Raimundo [de Araujo] Lima, representando o presidente do instituto, Rolf Hackbart” e “o secretário estadual de Meio Ambiente, Valmir Ortega” assinaram o TAC. Este Termo passava a permitir “a liberação de planos de manejo florestais em assentamentos, especialmente na Região Oeste do Pará”. (http://www.pauloleandroleal.com/site/news.asp?cod=6306 acessado em 17/12/2007) Como todos podem verificar, a reforma agrária está sendo oficialmente usada de forma criminosa no Pará para favorecer o agrobanditismo. Apenas a ação do Ministério Público Federal pedindo a anulação de 99 projetos de assentamentos na área de atuação da Superintendência de Santarém do INCRA, está freando esta sanha de delapidação do patrimônio público. Aliás, não é somente no estado do Pará que estes fatos estão ocorrendo, mas sim em toda Amazônia, mas este é assunto para o próximo artigo.
* Doutor em Geografia, professor da USP

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Conversa fiada

FLORESTA AMEAÇADA
Governo promete agir nos municípios campeões do desmatamento
Presidente Lula pediu e MMA vai apresentar nos próximos dias uma lista com 32 municípios responsáveis por 45% do desmatamento da Amazônia nos últimos anos. Em seguida, o Incra fará um recadastramento fundiário para determinar propriedades ilegais.,etc.etc. e vai o artigo por aí afora,,,,,,

SUGESTÃO
De conversa fiada o inferno está cheio. Ninguém aguenta mais esta baboseira do governo e desse inútil Ministério do Meio Ambiente.Eis a solução:
1,-Coloquem a Marinha de guerra e Fuzileiros Navais em Letícia e na foz do Rio Amazonas e dos rios que desaguam na bacia do Prata, que nenhuma tora de madeira passará por lá.
2.-Coloquem forças do Exercito nas principais estradas que saem da Amazônia, nenhuma madeirra passará por elas.Por acaso vão transportar de avião?
Fica feita a sugestão.

Operçção Condor

Operação Condor
De tempos em tempos o assunto reaparece. A realidade subjacente teima em querer vir à tona. O passado recente insiste em atormentar o presente. Faz-se de tudo para mantê-la em silêncio, mas ela insiste em dizer que está mal resolvida, negada, não aceita. Assim é o período do regime militar brasileiro, que mesmo para o Governo Lula, de quem se esperava que fosse receber um tratamento adequado, continua sendo um tema incômodo. Em análises anteriores já abordávamos o “mal-estar” que o assunto provoca no Governo e a sua completa recusa em querer abrir os arquivos da ditadura.
Pois bem, na opinião do ativista de direitos humanos Jair Krischke, a abertura dos arquivos da ditadura militar “é uma exigência da democracia. Não se pode imaginar uma democracia sólida no Brasil, sem que este período seja examinado, sem que a sociedade brasileira saiba quem fez e o que fez, quem foi o responsável e por qual ato. Isto é fundamental para a democracia. Do que serve essa democracia se ela é incapaz de revolver o seu passado e colocar as vísceras das suas misérias e das suas barbáries à mostra, para que a sociedade conheça? Sem resolver esse problema, nossa democracia será sempre precária. Isto é fundamental para um país civilizado e que quer marchar na fenda da democracia. Rever o seu passado e saber o que aconteceu é muito importante”.
No dia 24 de dezembro, a Justiça da Itália expediu mandados de prisão contra autoridades e militares brasileiros que atuaram na repressão a grupos de esquerda e a dissidentes na Operação Condor. São 11 os brasileiros envolvidos no caso. Também a Espanha vai pedir a extradição desses brasileiros envolvidos na mesma operação. Os 11 brasileiros cuja extradição é solicitada pela Justiça italiana, foram julgados e condenados em 2000. Para Krischke, os pedidos tanto da Justiça da Itália como da Espanha, não são sem certa ironia. “E essa recusa sistemática do Estado brasileiro em pôr a limpo o que se passou no período da repressão, agora, com essa decisão da Justiça italiana, nos traz o constrangimento de uma censura externa para a qual nós não temos defesa moral. O Brasil tem se negado a fazer e, por isso, agora ‘paga um mico’ internacional, de ver o que deveria ter sido feito aqui ser exigido fora do país”.
A Operação Condor é a ação coordenada de Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai e Uruguai durante a vigência das ditaduras militares dos anos 70. A reunião que marca a criação da Operação Condor foi realizada no final de 1976, em Santiago, no Chile, com a participação de militares do Brasil. Segundo Krischke, a Operação Condor é uma “invenção” brasileira, ainda que com a efetiva participação norte-americana. “Quem inaugurou a Operação Condor, quando sequer havia esse nome, foi o Brasil. O país a praticou na Argentina nos anos 1970, 1972, 1974, quando este país ainda vivia a democracia. O golpe na Argentina foi em março de 1976”, disse. Os brasileiros foram muito discretos na sua participação na Operação Condor, mas “o Brasil treinou os agentes chilenos, uruguaios, argentinos e paraguaios, isto é, teve influência nos golpes militares”, assegura Krischke.
Novos elementos sobre a Operação Condor vieram à luz não graças aos esforços do governo brasileiro de jogar luz sobre este período histórico, mas graças ao esforço que vem sendo realizado pela Argentina. Dados coletados para o julgamento que culminou, em 18 de dezembro passado, na condenação de seis oficiais militares argentinos, revelam que a Argentina tinha duas bases de operação no Brasil, em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de uma terceira em Paso de los Libres, território argentino, outro lado da ponte de Uruguaiana, no RS. As bases dos argentinos no Brasil tinham como prioridade os montoneros, maior grupo guerrilheiro argentino.
Outro relato impressionante de como os militares dos países coordenavam suas ações é dado por Jan Rocha, inglesa e vive em SP desde 1969. Foi correspondente da BBC (73 a 94) e do jornal The Guardian (84 a 94). Durante a ditadura, fundou o grupo Clamor, que denunciava abusos de Estado na América do Sul. Eram desse grupo o reverendo Jaime Wright, os advogados Luiz Eduardo Greenhalgh e Fermino Fecchio, o padre Roberto Grandmaison, a irmã Michael Mary Nolan, a professora Teresa Brandão, além de Dom Paulo Evaristo Arns. É autora, entre outros, de Haximu (Casa Amarela).

Lula xodó dos empresários

“Lula, a melhor coisa que poderia ter acontecido para o nosso país”, afirma empresário
A irritação do bispo de Barras com o governo Lula é acompanhada por outros setores expressivos do movimento social. Para d. Tomás Balduíno, "Lula esgotou-se". Segundo o religioso, “havia a expectativa daqueles anos de caminhadas das organizações populares, que se aglutinaram, criaram um partido, sonharam com a chefia do governo. Hoje o clima é de decepção, desalento, até de paralisia. Eu esperava muito mais de Lula e não sou só eu”. João Pedro Stédile, do MST, comenta que Lula deveria criar "vergonha na cara" e cumprir suas promessas de campanha eleitoral. O MST apoiou a eleição de Lula em 2002, fez campanha no segundo turno de 2006 e saiu às ruas para defendê-lo em meio à crise do mensalão, em 2005. Agora, diante das desapropriações de 2007, admite não ter sido surpreendido. "Esse resultado não nos surpreende. É uma vergonha. Já tínhamos alertado o governo sobre a ineficácia e a morosidade. Estamos com mais de 150 mil famílias acampadas na beira das estradas esperando. Algumas estão desde o primeiro ano do governo", disse Stedile.Até o moderado André Singer, ex-porta voz do governo Lula, considera que o governo deveria inclinar-se um pouco mais para a esquerda. O caráter conservador do governo levou até mesmo o ex-presidente Fernando Henrique a comentar: “Em termos ideológicos, Lula sempre esteve mais próximo de mim. Ele não vai admitir, mas é verdade”. Segundo FHC, Lula “tem noção de equilíbrio. Em campanha defende o povo, no governo agrada à elite”.O megaempresário Emílio Odebrecht, resume a surpresa que se transformou Lula no governo: “Nós quebramos um tabu enorme, que era a chegada de um presidente da esquerda e, mais ainda, um líder dos trabalhadores, e esse tabu não existe mais. O investidor estrangeiro sempre perguntava como se comportaria o Brasil com um presidente com esse perfil de esquerda, com essa ideologia, e veja o que aconteceu. Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para o nosso país, sem dúvida nenhuma. O investidor estrangeiro viu que os contratos foram preservados, que a linha ideológica, ao contrário, é até mais rígida, em determinados aspectos, do que a dos anteriores. O Brasil tem mais consistência e inspira outro nível de confiança ao investidor. Essa quebra de tabu tranqüilizou os investimentos, e o que se viu é que esse governo não tem nada de esquerda. O presidente Lula não tem nada de esquerda, nunca foi de esquerda”.