| 1/9/2011 | |
| A Líbia, a Otan e o Grande Médio Oriente | |
| O que ocorrerá na Líbia após a guerra? Haverá um longo período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal, instável e autoritário, sob o patrocínio e a tutela militar da Otan. Assim, estará criado o primeiro “protetorado colonial” da organização militar, na África.
A opinião é de José Luís Fiori, cientista político, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em artigo publicado por Carta Maior, 31-08-2011. Eis o artigo. “Se aqui e no exterior todos perceberem que estamos prontos para a guerra a qualquer momento,
com todas as unidades das nossas forças na linha de frente prontas para entrar em combate e ferir o inimigo no ventre, pisoteando-o quando estiver no chão, para ferver seus prisioneiros em azeite e torturar suas mulheres e filhos, então ninguém se atreverá no nosso caminho”. John Arbuthnot Fisher,
Primeiro Lord do Almirantado da Marinha Real Britânica, (cit. in Norman Angell, A Grande Ilusão, Editora UNB, 2002, p: 275) É preciso ser muito ingênuo ou mal informado para seguir pensando que a “Guerra da Líbia” foi feita em nome dos “direitos humanos” e da “democracia”. E, ainda por cima, acreditar que o governo de Muamar Kadafi foi derrotado pelos “rebeldes” que aparecem nos jornais, em poses publicitárias. Tudo isso, enquanto a aviação inglesa comanda o ataque final das forças da Otan à cidade de Sirta, depois de ter conquistado a cidade de Trípoli. Até o momento, a "primavera árabe" não produziu nenhuma mudança de regime na região, mesmo na Tunísia e no Egito, e não há nenhuma garantia de que os novos governos sejam mais democráticos, liberais ou humanitários que seus antecessores. Até porque quase todos os seus líderes ocuparam posições de destaque nos governos que ajudaram a derrubar, com o apoio de uma multidão heterogênea e desorganizada. No caso da Líbia, não se pode nem mesmo falar de algo parecido a uma "mobilização massiva e democrática" da oposição, porque se trata de fato de uma guerra selvagem e sem quartel, entre regiões e tribos inimigas, que foram mobilizadas e "pacificadas" transitoriamente, pelas forças militares da Otan. Segundo Lord Ismay, que foi o primeiro secretário-geral da Otan, o objetivo da aliança militar criada pelo Tratado do Atlântico Norte, assinado em 1949, era "manter os russos fora, os americanos dentro e os alemães para baixo". E este objetivo foi cumprido plenamente, durante todo o período da Guerra Fria. Mas depois de 1991 a Otan passou por um período de "crise de identidade" e redefinição do seu papel dentro sistema internacional. Num primeiro momento, a organização militar se voltou para o Leste e para a ocupação/incorporação de alguns países da Europa Central que haviam pertencido ao Pacto de Varsóvia. Além disso, decidiu participar diretamente das Guerras do Kosovo e da Sérvia. E, ao mesmo tempo, lançou, em 1994, um projeto de intercâmbio militar e de segurança com os países árabes do norte da África, o chamado “Diálogo Mediterrâneo”. Dez anos depois, na sua reunião de cúpula de 2004, em Istambul, os dirigentes da Otan decidiram expandir o seu projeto de segurança e criaram a "Iniciativa de Cooperação de Istambul" (ICI), voltada para os países do Oriente Médio. Além disso, neste mesmo período, a Otan, que não havia apoiado as guerras do Afeganistão e do Iraque, decidiu aderir e colocar-se ao lado das tropas anglo-americanas, instalando suas forças também na Ásia Central. Foram os ingleses que cunharam o termo "Oriente Médio", para referir-se aos territórios situados no meio do seu caminho, entre a Inglaterra e a Índia, e que pertenciam ou estavam sob a tutela do Império Otomano. Incluindo os territórios que foram retalhados e divididos depois do fim da Primeira Guerra Mundial, sendo transformados em “protetorados” da Inglaterra e da França - que já eram, naquele momento, as duas maiores potências imperiais da Europa e que submeteram e colonizaram a maior parte da África Sub-Sahariana e todos os países árabes do norte do continente, hoje incluídos no “Diálogo Mediterrâneo” da Otan. Mas foi o ex-presidente norte-americano George W. Bush quem cunhou o termo “Grande Médio Oriente”, apresentado pela primeira vez na reunião do G-8, realizada em Sea Islands, nos EUA, em junho de 2004. A idéia era definir e unificar um novo espaço de intervenção geopolítica, que iria do Marrocos até o Paquistão, e deveria ser objeto da preocupação prioritária das Grandes Potências na sua guerra contra o “terrorismo islâmico” e a favor da “democracia” e dos “direitos humanos”. Desta perspectiva, se pode compreender melhor o significado geo-estratégico da “primavera árabe” e da Guerra da Líbia. Assim mesmo, o que se deve esperar que ocorra depois da guerra? Na Líbia, haverá um longo período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal, instável e autoritário, sob o patrocínio e a tutela militar da Otan. Ao mesmo tempo, estará dado um passo decisivo na construção de uma força de intervenção “ocidental”, capaz de projetar seu poder militar sobre todo o território islâmico do Grande Médio Oriente. E, de passagem, estará criado o primeiro “protetorado colonial” da Otan, na África. Triste sina da África! | |
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011
RECOLONIZAÇÃO descarada dos paises islâmicos
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
CHINA atual.
Na verdade, a China pode ser considerada a Potencia mais avançada da atualidade.. Exemplo de seriedade com as coisas públicas. Lá os corruptos e corruptores são punidos conforme as leis do país, ao contrário do que acontece no mundo ocidental onde os Palocis, Nascimentos, Malufes, etc.etc.etc. continuam lampeiros e felizes da vida. Ainda temos idiotas trotkistas e reacionários reclamando da falta de Direitos Humanos por lá. É de provocar risos.
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Ladislau Dowbor vê a China
By
admin
– 01/08/2011Posted in: Capa
Buzz

Imagens e breves impressões sobre país cada vez mais poderoso e influente — e que precisamos compreender, mais que julgar
Texto e fotos de Ladislau Dowbor*
A tradição ocidental é de qualquer pessoa que passa um par de semanas na China escrever um livro. Não pretendo ir aqui além de algumas imagens. A realidade é que a China apresenta uma dinâmica absolutamente impressionante de crescimento econômico, transformações em ritmo que temos dificuldades em conceber. Crescer 10% ao ano significa a economia dobrar de tamanho a cada 7 anos. Isto quando um em cada 6 habitantes do planeta é chinês. Não se trata de assunto de chinês, trata-se de todos nós.
No par de semanas em que estive na China, visitei Beijing, Chengdu (1600 km para o interior), e Shanghai, realizando conferências em cerca de 10 instituições universitárias, organizações da sociedade civil, e até na escola de formação de quadros do Partido Comunista. Todos interessados em sistemas de gestão descentralizada e inovações institucionais da América Latina. E eu interessado, como é natural, em como funciona a própria China.
Todos sabemos que a dinâmica é poderosa, que se trata da segunda economia do mundo, e no entanto não sabemos como e porque funciona. Segundo as nossas opções ideológicas, achamos que é um exemplo, ou que é um desastre ambiental, ou ainda um desastre social. Outros ainda declaram que é uma ditadura e fazem de conta que é tão simples assim. As simplificações, como sempre, sobrevivem porque simplesmente sabemos muito pouco. Na realidade vi muita coisa interessante em todas as dimensões. E cabe não esquecer que a China tirou 430 milhões de pessoas da miséria entre 1981 e 2000 (ONU, The Inequality Predicament, p. 78), cifra que ultrapassa 500 milhões segundo Lester Brown (Brown, 2011).
Arrisco apenas uma ideia geral, que discuti em vários meios e consultei em vários documentos, e que parece razoavelmente segura: o sistema é politicamente centralizado, no sentido de traçar as orientações gerais. No entanto, a execução, e de forma geral a gestão da economia, do meio ambiente e das políticas sociais estão radicalmente descentralizadas, permitindo uma enorme flexibilidade e pragmatismo nas soluções. E não se trata apenas de descentralizar os encargos, pois os próprios recursos são descentralizados, através de caótico, mas funcional sistema de orçamento central articulado com recursos para-orçamentários locais. (Catherine Wong).
No mais, através de fotos tiradas nesta viagem em junho 2011, trago algumas impressões do cotidiano: antes de tudo, com a imensa pressão populacional e pouca terra fértil, as grandes cidades optaram claramente pela verticalização. Nada dos subúrbios típicos das grandes cidades norte-americanas. A China urbana cresce para cima.

Shanghai, novo bairro residencial (junho 2011)
As universidades não escapam a esta lógica, como se vê na foto seguinte. As duas imensas torres geminadas são uma faculdade de administração em Beijing.

Beijing, Faculdade de administração, (junho 2011)
Abaixo, típica avenida de Shanghai, bairro residencial novo. O pouco trânsito deve-se a que os meus passeios em horário livre eram muito cedo. Mas a estrutura intermodal de trânsito é típica: duas ou três faixas para automóveis, separação com plantas definindo claramente o espaço onde andam bicicletas e pequenas scooters, todos elétricos, e uma calçada arborizada bastante ampla. O planejamento permite que o espaço não seja (inteiramente) comido por interesses imobiliários, equilibrando o uso do espaço viário, no que hoje se chama de “ruas completas”, e não apenas para carros.

A mobilidade, naturalmente, e um problema central, com cidades ultrapassando 20 milhões de habitantes. Na foto abaixo, de Shanghai, vemos a integração do sistema. À direita na foto, a boca de metrô, são 420 quilómetros na cidade, fora as conexões ferroviárias para o interior. A densidade de metrô muda evidentemente todos os parâmetros, pois a grande massa de deslocamentos no triângulo casa-trabalho-escola no mesmo horário todo dia é enxugada, liberando a superfície. É bom lembrar que em São Paulo temos 65 quilômetros, e uma média ridícula de 650 metros por ano nos últimos 16 anos de governo xuxu. Vemos também a faixa exclusiva para bicicletas e motinhos (quase sempre elétricas), à esquerda na foto faixas para carros, à direita amplo espaço de calçada, e sempre que possível todas as separações com plantas e árvores. A sinalização é clara, conforme se vê na foto seguinte.


Uma opção importante que apareceu de forma massiva nas três cidades que visitei, Beijing, Chengdu e Shanghai, é a presença generalizada da bicicleta e da scooter (bem parecido com as nossas “Biz”) elétricas: silenciosas e sem poluição, com uma autonomia entre 50 e 60 quilômetros. No caso das bicicletas, as pessoas ajudam com pedal em caso de subida forte ou rampa. Não exigem complicações de registro de veículos nem capacete.

Os preços são ridículos (entre 800 e 1500 yuan, cerca de 250 a 350 reais). O preço não se deve apenas a baixos salários: é um motor elétrico e uma bateria, o resto é lataria e borracha. Não precisa de tanque de combustível, sistema de distribuição, carburador, pistões, embreagem etc. A não entrada desta tecnologia simples no Brasil para mim é um mistério que só a teoria dos cartéis resolve. A manutenção é igualmente ridícula. A recarga se dá em geral à noite, quando há um superávit de energia. Adeus petróleo: mas se a energia é limpa no uso, na produção ainda é muito carvão. O Brasil teria muitas vantagens neste plano.
A China sofreu recentemente violentas inundações, resultado em parte de fenômenos naturais mais violentos gerados pelo aquecimento global, mas sobretudo pelo desmatamento irresponsável. Em decisão típica da China, de definir rumos a partir do governo central e deixando cada cidade do país aplicar as normas segundo as suas realidades, foram plantadas árvores aos bilhões (ver em particular dados em Lester Brown, World on the Edge). Por toda parte se vêm estas árvores reforçadas por estacas, indicando plantio recente. Encontrei este esforço por onde passei. As cidades estão se tornando verdes.

Shanghai, Centro de Formação de Quadros, (junho 2011)
Outra foto típica:

Ampla calçada com árvores (sempre sustentadas, demonstrando plantio recente), que segue o rio da cidade em Chengdu, que fica à direita da foto, bem diferente por exemplo da beira do Tietê em São Paulo. As próprias calçadas são quando possível em parte feitas com bloquetos furados, o que permite manter a permeabilidade do solo.

A limpeza das cidades é absolutamente impressionante, não se encontra sequer bitucas nas calçadas. Já tinha notado isto em visita anterior anos atrás, até em feira de rua no interior não havia um pedaço de lixo no chão. As lixeiras que sem complicações separam apenas o reciclável e não reciclável, se encontram em grande quantidade, e o que é mais importante, estão limpas e renovadas, o que significa um sistema permanente de manutenção. Claramente, não se trata aqui apenas de infraestrutura e de serviços, mas também de uma cultura da limpeza.

Nos bairros mais tradicionais, uma densa movimentação de mercadinhos, feiras, pequeno comércio de rua, ainda pouco destruído por shoppings. O chinês vive muito na rua nestes bairros. Nos mercadinhos, inúmeros tipos de macarrão, muitíssima verdura, e colado pequenos negócios que vendem scooters elétricas, literalmente a preço de feira.



A riqueza de verduras é impressionante. Extremamente saborosas, e aparecem em grande quantidade em todas as refeições. Aliás, pouquíssima gente gorda, que dirá obesa. A agricultura urbana é muito presente, não se desperdiça um metro que possa ser plantado. Na foto abaixo, parece que estamos no campo, com edifícios presentes por engano, mas a foto foi tirada de uma avenida movimentada.

Na mesma rua, em Shanghai, um típico quiosque de jornais: inúmeros diários, nenhuma publicação do tipo que curiosamente chamamos de “masculina” no Brasil.

No interior da região de Chengdu, uma paisagem bastante típica de cinturões verdes de metrópoles: cultivos extremamente densos, próximos da jardinagem, asseguram uma produtividade muito elevada, típica de pequena propriedade (na realidade direito de uso, na China). A variedade grande de plantios reduz problemas de doenças e melhora a conservação do solo. As fotos mostram policultura de legumes e plantação de uva. Na foto com carro, vemos que aproveitam a terra até a um palmo da estrada. Aqui a idéia de que agricultura moderna e produtiva só seria em grande escala, tão difundida no Brasil pelos ruralistas, simplesmente não faz sentido. Não se esbanja terra. Aliás, os que defendem a liberação de desmatamento em “pequenas propriedades” no Brasil, estão se referindo a quatro módulos, 400 hectares nas regiões mais ameaçadas, dois por dois quilômetros! Só no Brasil para chamar isto de pequena propriedade….Mas voltemos à China.



A foto abaixo apresenta o centro de Shanghai, mistura de prédios ultramodernos com calçadas tranquilas. A linha horizontal no meio da foto é uma calçada elevada que dá a volta em toda a praça, permitindo caminhadas sem stress, e uma bela vista. É muito frequentada.


A beira do rio de Shanghai é aberta, permitindo passeio, apesar do dia de chuva em que visitamos. Na foto seguinte, vemos o lado tradicional da cidade, com arquitetura ainda dos ingleses.

E em seguida o centro moderno do outro lado do rio, com a sua imensa torre de TV. Este horizonte é o cartão de visita da cidade.

Espaços de lazer urbano existem, de forma desigual. Amplas áreas claramente de arborização recente (sempre os suportes para árvores transplantadas). Em torno de monumentos tradicionais, muito água, peixes. Na foto abaixo vemos um parque, o córrego que corre para o rio (no centro da foto, a área verde-claro) não aparece, pois é densamente coberto pelas plantas que filtram a água e a deixam limpa antes que caia no rio pouco adiante. Nas partes abertas, o cuidado com as flores.



Chengdu, parque no centro, (junho 2011)
A foto a seguir veio totalmente por engano, momento de distração, mas estou incluindo por razões estéticas, e sobretudo porque me encheram de avisos dizendo que na China é tudo plano, por assim dizer. Maldade desta gente.

Moral da história? Com este pequeno relato fotográfico, à margem de uma correria de palestras, pretendi apenas dar imagens, e sobretudo evitar as simplificações ideológicas com as quais frequentemente nos contentamos sobre a China. Aliás, esta em geral não dá muita bola para os nossos julgamentos, pois é imensa e busca os seus equilíbrios internos. No conjunto das discussões, vi muito pragmatismo. E muita preocupação com o ritmo de penetração de um modo de vida ocidental pouco sustentável para o país. Sobre este ponto, aliás, há uma excelente leitura recente, de Chandran Nair, Consumptionomics: Asia’s role in reshaping capitalism and saving the planet. O importante hoje, mais do que julgar a China, é entendê-la.
Impressão geral? Convivem em complexa articulação o ultramoderno em vertiginosa expansão, os bairros tradicionais de classe média intocados mas com intervenção de serviços urbanos, os antigos bairros paupérrimos que estão sendo simplesmente desmantelados e substituídos por prédios, e o imenso interior cada vez mais articulado pelas cidades regionais. Vários séculos se reordenam na dinâmica da modernização. E todo mundo estuda.
Mais sobre a China e seus papéis:
Lester Brown – The World on the Edge – www.earth-policy.org , 2011
Chandran Nair – Consumptionomics – John Wiley & Sons, Singapore 2011
UN – The inequality predicament – New York 2005
Christine Wong and Vivienne Shue – Paying for Progress in China, Routledge, 200
–
Ladislau Dowbor formou-se em Economia Política pela Universidade de Lausanne (Suíça) e é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia (Polônia). Atualmente, é professor titular de pós-graduação na PUC-São Paulo. Presta consultoria a diversas agências das Nações Unidas, bem como ao Senac. Atua como conselheiro na Fundação Abrinq, Instituto Pólis e outras instituições. Mantém e atualiza com frequência um site instalado em www.dowbor.org
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Ladislau Dowbor vê a China
By
admin
– 01/08/2011Posted in: Capa
Buzz
Imagens e breves impressões sobre país cada vez mais poderoso e influente — e que precisamos compreender, mais que julgar
Texto e fotos de Ladislau Dowbor*
A tradição ocidental é de qualquer pessoa que passa um par de semanas na China escrever um livro. Não pretendo ir aqui além de algumas imagens. A realidade é que a China apresenta uma dinâmica absolutamente impressionante de crescimento econômico, transformações em ritmo que temos dificuldades em conceber. Crescer 10% ao ano significa a economia dobrar de tamanho a cada 7 anos. Isto quando um em cada 6 habitantes do planeta é chinês. Não se trata de assunto de chinês, trata-se de todos nós.
No par de semanas em que estive na China, visitei Beijing, Chengdu (1600 km para o interior), e Shanghai, realizando conferências em cerca de 10 instituições universitárias, organizações da sociedade civil, e até na escola de formação de quadros do Partido Comunista. Todos interessados em sistemas de gestão descentralizada e inovações institucionais da América Latina. E eu interessado, como é natural, em como funciona a própria China.
Todos sabemos que a dinâmica é poderosa, que se trata da segunda economia do mundo, e no entanto não sabemos como e porque funciona. Segundo as nossas opções ideológicas, achamos que é um exemplo, ou que é um desastre ambiental, ou ainda um desastre social. Outros ainda declaram que é uma ditadura e fazem de conta que é tão simples assim. As simplificações, como sempre, sobrevivem porque simplesmente sabemos muito pouco. Na realidade vi muita coisa interessante em todas as dimensões. E cabe não esquecer que a China tirou 430 milhões de pessoas da miséria entre 1981 e 2000 (ONU, The Inequality Predicament, p. 78), cifra que ultrapassa 500 milhões segundo Lester Brown (Brown, 2011).
Arrisco apenas uma ideia geral, que discuti em vários meios e consultei em vários documentos, e que parece razoavelmente segura: o sistema é politicamente centralizado, no sentido de traçar as orientações gerais. No entanto, a execução, e de forma geral a gestão da economia, do meio ambiente e das políticas sociais estão radicalmente descentralizadas, permitindo uma enorme flexibilidade e pragmatismo nas soluções. E não se trata apenas de descentralizar os encargos, pois os próprios recursos são descentralizados, através de caótico, mas funcional sistema de orçamento central articulado com recursos para-orçamentários locais. (Catherine Wong).
No mais, através de fotos tiradas nesta viagem em junho 2011, trago algumas impressões do cotidiano: antes de tudo, com a imensa pressão populacional e pouca terra fértil, as grandes cidades optaram claramente pela verticalização. Nada dos subúrbios típicos das grandes cidades norte-americanas. A China urbana cresce para cima.
Shanghai, novo bairro residencial (junho 2011)
As universidades não escapam a esta lógica, como se vê na foto seguinte. As duas imensas torres geminadas são uma faculdade de administração em Beijing.
Beijing, Faculdade de administração, (junho 2011)
Abaixo, típica avenida de Shanghai, bairro residencial novo. O pouco trânsito deve-se a que os meus passeios em horário livre eram muito cedo. Mas a estrutura intermodal de trânsito é típica: duas ou três faixas para automóveis, separação com plantas definindo claramente o espaço onde andam bicicletas e pequenas scooters, todos elétricos, e uma calçada arborizada bastante ampla. O planejamento permite que o espaço não seja (inteiramente) comido por interesses imobiliários, equilibrando o uso do espaço viário, no que hoje se chama de “ruas completas”, e não apenas para carros.
A mobilidade, naturalmente, e um problema central, com cidades ultrapassando 20 milhões de habitantes. Na foto abaixo, de Shanghai, vemos a integração do sistema. À direita na foto, a boca de metrô, são 420 quilómetros na cidade, fora as conexões ferroviárias para o interior. A densidade de metrô muda evidentemente todos os parâmetros, pois a grande massa de deslocamentos no triângulo casa-trabalho-escola no mesmo horário todo dia é enxugada, liberando a superfície. É bom lembrar que em São Paulo temos 65 quilômetros, e uma média ridícula de 650 metros por ano nos últimos 16 anos de governo xuxu. Vemos também a faixa exclusiva para bicicletas e motinhos (quase sempre elétricas), à esquerda na foto faixas para carros, à direita amplo espaço de calçada, e sempre que possível todas as separações com plantas e árvores. A sinalização é clara, conforme se vê na foto seguinte.
Uma opção importante que apareceu de forma massiva nas três cidades que visitei, Beijing, Chengdu e Shanghai, é a presença generalizada da bicicleta e da scooter (bem parecido com as nossas “Biz”) elétricas: silenciosas e sem poluição, com uma autonomia entre 50 e 60 quilômetros. No caso das bicicletas, as pessoas ajudam com pedal em caso de subida forte ou rampa. Não exigem complicações de registro de veículos nem capacete.
Os preços são ridículos (entre 800 e 1500 yuan, cerca de 250 a 350 reais). O preço não se deve apenas a baixos salários: é um motor elétrico e uma bateria, o resto é lataria e borracha. Não precisa de tanque de combustível, sistema de distribuição, carburador, pistões, embreagem etc. A não entrada desta tecnologia simples no Brasil para mim é um mistério que só a teoria dos cartéis resolve. A manutenção é igualmente ridícula. A recarga se dá em geral à noite, quando há um superávit de energia. Adeus petróleo: mas se a energia é limpa no uso, na produção ainda é muito carvão. O Brasil teria muitas vantagens neste plano.
A China sofreu recentemente violentas inundações, resultado em parte de fenômenos naturais mais violentos gerados pelo aquecimento global, mas sobretudo pelo desmatamento irresponsável. Em decisão típica da China, de definir rumos a partir do governo central e deixando cada cidade do país aplicar as normas segundo as suas realidades, foram plantadas árvores aos bilhões (ver em particular dados em Lester Brown, World on the Edge). Por toda parte se vêm estas árvores reforçadas por estacas, indicando plantio recente. Encontrei este esforço por onde passei. As cidades estão se tornando verdes.
Shanghai, Centro de Formação de Quadros, (junho 2011)
Outra foto típica:
Ampla calçada com árvores (sempre sustentadas, demonstrando plantio recente), que segue o rio da cidade em Chengdu, que fica à direita da foto, bem diferente por exemplo da beira do Tietê em São Paulo. As próprias calçadas são quando possível em parte feitas com bloquetos furados, o que permite manter a permeabilidade do solo.
A limpeza das cidades é absolutamente impressionante, não se encontra sequer bitucas nas calçadas. Já tinha notado isto em visita anterior anos atrás, até em feira de rua no interior não havia um pedaço de lixo no chão. As lixeiras que sem complicações separam apenas o reciclável e não reciclável, se encontram em grande quantidade, e o que é mais importante, estão limpas e renovadas, o que significa um sistema permanente de manutenção. Claramente, não se trata aqui apenas de infraestrutura e de serviços, mas também de uma cultura da limpeza.
Nos bairros mais tradicionais, uma densa movimentação de mercadinhos, feiras, pequeno comércio de rua, ainda pouco destruído por shoppings. O chinês vive muito na rua nestes bairros. Nos mercadinhos, inúmeros tipos de macarrão, muitíssima verdura, e colado pequenos negócios que vendem scooters elétricas, literalmente a preço de feira.
A riqueza de verduras é impressionante. Extremamente saborosas, e aparecem em grande quantidade em todas as refeições. Aliás, pouquíssima gente gorda, que dirá obesa. A agricultura urbana é muito presente, não se desperdiça um metro que possa ser plantado. Na foto abaixo, parece que estamos no campo, com edifícios presentes por engano, mas a foto foi tirada de uma avenida movimentada.
Na mesma rua, em Shanghai, um típico quiosque de jornais: inúmeros diários, nenhuma publicação do tipo que curiosamente chamamos de “masculina” no Brasil.
No interior da região de Chengdu, uma paisagem bastante típica de cinturões verdes de metrópoles: cultivos extremamente densos, próximos da jardinagem, asseguram uma produtividade muito elevada, típica de pequena propriedade (na realidade direito de uso, na China). A variedade grande de plantios reduz problemas de doenças e melhora a conservação do solo. As fotos mostram policultura de legumes e plantação de uva. Na foto com carro, vemos que aproveitam a terra até a um palmo da estrada. Aqui a idéia de que agricultura moderna e produtiva só seria em grande escala, tão difundida no Brasil pelos ruralistas, simplesmente não faz sentido. Não se esbanja terra. Aliás, os que defendem a liberação de desmatamento em “pequenas propriedades” no Brasil, estão se referindo a quatro módulos, 400 hectares nas regiões mais ameaçadas, dois por dois quilômetros! Só no Brasil para chamar isto de pequena propriedade….Mas voltemos à China.
A foto abaixo apresenta o centro de Shanghai, mistura de prédios ultramodernos com calçadas tranquilas. A linha horizontal no meio da foto é uma calçada elevada que dá a volta em toda a praça, permitindo caminhadas sem stress, e uma bela vista. É muito frequentada.
A beira do rio de Shanghai é aberta, permitindo passeio, apesar do dia de chuva em que visitamos. Na foto seguinte, vemos o lado tradicional da cidade, com arquitetura ainda dos ingleses.
E em seguida o centro moderno do outro lado do rio, com a sua imensa torre de TV. Este horizonte é o cartão de visita da cidade.
Espaços de lazer urbano existem, de forma desigual. Amplas áreas claramente de arborização recente (sempre os suportes para árvores transplantadas). Em torno de monumentos tradicionais, muito água, peixes. Na foto abaixo vemos um parque, o córrego que corre para o rio (no centro da foto, a área verde-claro) não aparece, pois é densamente coberto pelas plantas que filtram a água e a deixam limpa antes que caia no rio pouco adiante. Nas partes abertas, o cuidado com as flores.
Chengdu, parque no centro, (junho 2011)
A foto a seguir veio totalmente por engano, momento de distração, mas estou incluindo por razões estéticas, e sobretudo porque me encheram de avisos dizendo que na China é tudo plano, por assim dizer. Maldade desta gente.
Moral da história? Com este pequeno relato fotográfico, à margem de uma correria de palestras, pretendi apenas dar imagens, e sobretudo evitar as simplificações ideológicas com as quais frequentemente nos contentamos sobre a China. Aliás, esta em geral não dá muita bola para os nossos julgamentos, pois é imensa e busca os seus equilíbrios internos. No conjunto das discussões, vi muito pragmatismo. E muita preocupação com o ritmo de penetração de um modo de vida ocidental pouco sustentável para o país. Sobre este ponto, aliás, há uma excelente leitura recente, de Chandran Nair, Consumptionomics: Asia’s role in reshaping capitalism and saving the planet. O importante hoje, mais do que julgar a China, é entendê-la.
Impressão geral? Convivem em complexa articulação o ultramoderno em vertiginosa expansão, os bairros tradicionais de classe média intocados mas com intervenção de serviços urbanos, os antigos bairros paupérrimos que estão sendo simplesmente desmantelados e substituídos por prédios, e o imenso interior cada vez mais articulado pelas cidades regionais. Vários séculos se reordenam na dinâmica da modernização. E todo mundo estuda.
Mais sobre a China e seus papéis:
Lester Brown – The World on the Edge – www.earth-policy.org , 2011
Chandran Nair – Consumptionomics – John Wiley & Sons, Singapore 2011
UN – The inequality predicament – New York 2005
Christine Wong and Vivienne Shue – Paying for Progress in China, Routledge, 200
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Ladislau Dowbor formou-se em Economia Política pela Universidade de Lausanne (Suíça) e é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia (Polônia). Atualmente, é professor titular de pós-graduação na PUC-São Paulo. Presta consultoria a diversas agências das Nações Unidas, bem como ao Senac. Atua como conselheiro na Fundação Abrinq, Instituto Pólis e outras instituições. Mantém e atualiza com frequência um site instalado em www.dowbor.org
quinta-feira, 14 de julho de 2011
Escândalos não punidos nos diversos governos
A lista é de escândalos em referência que repercutiram em todo o
Brasil.
São 33 anos de escândalos.
1- Governo Geisel
( Ernesto Geisel) ( 1974-1979)
10 casos em 6 anos de governo.
(Período de excessão para conter as investidas
comunistas contra o Brasil)
Abertura Política
Caso Wladimir Herzog
Caso Manuel Fiel Filho
Caso Lutfala
Caso Atalla
Ângelo Calmon de Sá
(ministro acusado de passar um gigantesco cheque sem fundos)
Lei Falcão (1976)
Pacote de Abril (1977)
Cassações dos Parlamentares no Governo Geisel
Grandes Mordomias dos Ministros no Governo Geisel
2- Governo Figueiredo
(João Baptista Figueireo) ( 1979-1985)
11 casos em 6 anos de governo
(Período de abertura política, iniciada no Governo Geisel,
e de liberação política e econômica)
Anistia de 1979
Caso Capemi
Caso do Grupo Delfim
Escândalo da Mandioca
Escândalo da Brasilinvest
Escândalo das Polonetas
Caso Morel
Crime da Mala
Caso Coroa-Brastel
Escândalo das Jóias
3 - Governo Sarney
( José Sarney) ( 1985-1990)
6 casos em 6 anos de governo
CPI da Corrupção
Escândalo do Ministério das Comunicações
(grande número de concessões de rádios e TVs
para políticos aliados ou não ao Sarney.
A concessão é em troca de cargos, votos ou apoio ao presidente)
Caso Chiarelli
(Dossiê do Antônio Carlos Magalhães contra o senador Carlos Chiarelli
ou "Dossiê Chiarelli")
Caso Ibraim Abi-Ackel
Escândalo da Administração de Orestes Quécia
Escândalo do Contrabando das Pedras Preciosas
4- Governo Collor
( Fernando Collor de Mello) ( 1990-1992)
19 casos em 2 anos de governo
Escândalo da Aprovação da Lei da Privatização das Estatais
Programa Nacional de Desestatização
Escândalo do INSS (ou Escândalo da Previdência Social)
Escândalo do BCCI (ou caso Sérgio Corrêa da Costa)
Escândalo da Ceme (Central de Medicamentos)
Escândalo da LBA
Esquema PP
Esquema PC (Caso Collor)
Escândalo da Eletronorte
Escândalo do FGTS
Escândalo da Ação Social
Escândalo do BC
Escândalo da Merenda
Escândalo das Estatais
Escândao das Cmunicações
Escândalo da Vasp
Escândalo da Aeronáutica
Escândalo do Fundo de Participação
Escândalo do BB
5- Governo Itamar Franco
(Itamar Augusto Cautiero Franco) ( 1992- 1995)
32 casos em 3 anos de governo
Centro Federal de Inteligência
(Criação da CFI para combater corrupção
em todas as esferas do governo)
Caso Edmundo Pinto
Escândalo do DNOCS
(Departamento Nacional de Obras contra a Seca)
(ou caso Inocêncio Oliveira)
Escândalo da IBF ( Indústria Brasileira de Formulários)
Escândalo do INAMPS
( Instituto Nacional de Assistência Previdência Social)
Irregularidades no Programa Nacional de Desestatização
Caso Nilo Coelho
Caso Eliseu Resende
Caso Queiroz Galvão (em Pernambuco)
Escândalo da Telemig (Minas Gerais)
Jogo do Bicho (ou Caso Castor de Andrade) (no Rio de Janeiro)
Caso Ney Maranhão
Escândalo do Paubrasil (Paubrasil Engenharia e Montagens)
Escândalo da Administração de Roberto Requião
Escândalo da Cruz Vermelha Brasileira
Caso José Carlos da Rocha Lima
Escândalo da Colac (no Rio Grande do Sul)
Escândalo da Fundação Padre Francisco de Assis Castro Monteiro
(em Ibicuitinga, Ceará)
Escândalo da Administração de Antônio Carlos Magalhães (Bahia)
Escândalo da Administração de Jaime Campos (Mato Grosso)
Escândalo da Administração de Roberto Requião (Paraná)
Escândalo da Administração de Ottomar Pinto (em Roraima)
Escândalo da Sudene de Pernambuco
Escândalo da Prefeitura de Natal (no Rio Grande do Norte)
CPI do Detran (em Santa Catarina)
Caso Restaurante Gulliver (tentativa do governador Ronaldo Cunha Lima
matar o governador
antecessor Tarcísio Burity, por causa das denúncias de Irregularidades
na Sudene de Paraíba)
CPI do Pó (em Paraíba)
Escândalo da Estacom (em Tocantins)
Escândalo do Orçamento da União
(ou Escândalo dos Anões do Orçamento ou CPI do Orçamento)
Compra e Venda dos Mandatos dos Deputados do PSD
Caso Ricupero (também conhecido como "Escândalo das Parabólicas").
6- Governo FHC
( Fernando Henrique Cardoso) (1995- 2003)
44 casos em 8 anos de governo
Escândalo do Sivam
(Primeira grave crise do governo FHC)
Escândalo da Pasta Rosa
Escândalo da CONAN
Escândalo da Administração de Paulo Maluf
Escândalo do BNDES
(verbas para socorrerem ex-estatais privatizadas)
Escândalo da Telebrás
Caso PC Farias
Escândalo da Compra de Votos Para Emenda da Reeleição
Escândalo da Venda da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD)
Escândalo da Previdência
Escândalo da Administração do PT
(primeira denúncia contra o Partido dos Trabalhadores
desde a fundação em 1980,
feito pelo militante do partido Paulo de Tarso Venceslau)
Escândalo dos Precatórios
Escândalo do Banestado
Escândalo da Encol
Escândalo da Mesbla
Escândalo do Banespa
Escândalo da Desvalorização do Real
Escândalo dos Fiscais de São Paulo (ou Máfia dos Fiscais)
Escândalo da Mappin
Dossiê Cayman
(ou Escândalo do Dossiê Cayman ou Escândalo do Dossiê Caribe)
Escândalo dos Grampos Contra FHC e Aliados
Escândalo do Judiciário
Escândalo dos Bancos
CPI do Narcotráfico
CPI do Crime Organizado
Escândalo de Corrupção dos Ministros no Governo FHC
Escândalo da Banda Podre
Escândalo dos Medicamentos
(grande número de denúncias de remédios falsificados
ou que não curaram pacientes)
Quea do Monopólio do Petróleo (criação da ANP)
Escândalo da Transbrasil
Escândalo da Pane DDD do Sistema Telefônico Privatizado (o "Caladão")
Escândalo dos Desvios de Verbas do TRT-SP
(Caso Nicolau dos Santos Neto , o "Lalau")
Escândalo da Administração da Roseana Sarney (Maranhão)
Corrupção na Prefeitura de São Paulo (ou Caso Celso Pitta)
Escândalo da Sudam
Escândalo da Sudene
Escândalo do Banpará
Escândalo da Quebra do Sigilo do Painel do Senado
Escândalos no Senado em 2001
Escândalo da Administração de Mão Santa (Piauí)
Caso Lunus (ou Caso Roseana Sarney)
Acidentes Ambientais da Petrobrás
Abuso de Medidas Provisórias (5.491)
Escândalo do Abafamento das CPIs no Governo do FHC
Governo Lula
(Luiz Inácio Lula da Silva) (desde 2003)
101 casos em 4 anos de governo.
Caso Pinheiro Landim
Caso Celso Daniel
Caso Toninho do PT
Escândalo dos Grampos Contra Políticos da Bahia
Escândalo do Proprinoduto
(também conhecido como Caso Rodrigo Silveirinha )
CPI do Banestado
Escândalo da Suposta Ligação do PT com o MST
Escândalo da Suposta Ligação do PT com a FARC
Privatização das Estatais no Primeiro Ano do Governo Lula
Escândalo do Gasto Públicos dos Ministros
Irregularidades do Fome Zero
Escândalo do DNIT
(envolvendo os ministros Anderson Adauto e Sérgio Pimentel)
Escândalo do Ministério do Trabalho
Licitação Para a Compra de Gêneros Básicos
Caso Agnelo Queiroz
(O ministro recebeu diárias do COB para os Jogos Panamericanos)
Escândalo do Ministério dos Esportes
(Uso da estrutura do ministério para organizar a festa de aniversário
do ministro Agnelo Queizoz)
Operação Anaconda
Escândalo dos Gafanhotos (ou Máfia dos Gafanhotos)
Caso José Eduardo Dutra
Escândalo dos Frangos (em Roraima)
Várias Aberturas de Licitações da Presidência da República
Para a Compra de Artigos de Luxo
Escândalo da Norospar
(Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná)
Expulsão dos Políticos do PT
Escândalo dos Bingos
(Primeira grave crise política do governo Lula)
(ou Caso Waldomiro Diniz)
Lei de Responsabilidade Fiscal
(Recuos do governo federal da LRF)
scândalo da ONG Ágora
Escândalo dos Copos
(Licitação do Governo Federal para a compra de 750 copos de cristal
para vinho, champagne, licor
e whisky)
Caso Henrique Meirelles
Caso Luiz Augusto Candiota
(Diretor de Política Monetária do BC,
é acusado de movimentar as contas no exterior
e demitido por não explicar a movimentação)
Caso Cássio Caseb
Caso Kroll
Conselho Federal de Jornalismo
Escândalo dos Vampiros
Escândalo das Fotos de Herzog
Uso dos Ministros dos Assessores em Campanha Eleitoral de 2004
Escândalo do PTB
(Oferecimento do PT para ter apoio do PTB em troca de cargos,
material de campanha e R$ 150 mil reais a cada deputado)
Caso Antônio Celso Cipriani
Irregularidades na Bolsa-Escola
Caso Flamarion Portela
Irregularidades na Bolsa-Família
Escândalo de Cartões de Crédito Corporativos da Presidência
Irregularidaes do Programa Restaurante Popular
(Projeto de restaurantes populares beneficia prefeituras
administradas pelo PT)
Abuso de Medidas Provisórias no Governo Lula
entre 2003 e 2004 (mais de 300)
Escândalo dos Correios
(Segunda grave crise política do governo Lula.
Também conhecido como Caso Maurício Marinho)
Escândalo do IRB
Escândalo da Novadata
Escândalo da Usina de Itaipu
Escândalo das Furnas
Escândalo do Mensalão
(Terceira grave crise política do governo.
Também conhecido como Mensalão)
Escândalo do Leão & Leão
(República de Ribeirão Preto ou Máfia do Lixo ou Caso Leão & Leão)
Escândalo da Secom
Esquema de Corrupção no Diretório Nacional do PT
Escândalo do Brasil Telecom
(também conhecido como Escândalo do Portugal Telecom
ou Escândalo da Itália Telecom)
Escândalo da CPEM
Escândalo da SEBRAE (ou Caso Paulo Okamotto)
Caso Marka/FonteCindam
Escândalo dos Dólares na Cueca
Escândalo do Banco Santos
Escândalo Daniel Dantas - Grupo Opportunity
(ou Caso Daniel Dantas)
Escândalo da Interbrazil
Caso Toninho da Barcelona
Escândalo da Gamecorp-Telemar
(ou Caso Lulinha)
Caso dos Dólares de Cuba
Doação de Roupas da Lu Alckmin
(esposa do Geraldo Alckimin)
Doação de Terninhos da Marísia da Silva
(esposa do presidente Lula)
Escândalo da Nossa Caixa LI
Escândalo da Quebra do Sigilo Bancário do Caseiro Francenildo
(Quarta grave crise política do governo Lula.
Também conhecido como Caso Francenildo Santos Costa)
Escândalo das Cartilhas do PT
Escândalo do Banco BMG
(Empréstimos para aposentados)
Escândalo do Proer
Escândalo do Sivam
Escândalo dos Fundos de Pensão
Escândalo dos Grampos na Abin
Escândalo do Foro de São Paulo
Esquema do Plano Safra Legal (Máfia dos Cupins)
Escândalo do Mensalinho
Escândalo das Vendas de Madeira da Amazônia
(ou Escândalo Ministério do Meio Ambiente).
69 CPIs Abafadas pelo Geraldo Alckmin (em São Paulo)
Escândalo de Corrupção dos Ministros no Governo Lula
Crise da Varig
Escândalo das Sanguessugas
(Quinta grave crise política do governo Lula.
Inicialmente conhecida como Operação Sanguessuga
e Escândalo das Ambulâncias)
Escândalo dos Gastos de Combustíveis dos Deputados
CPI da Imigração Ilegal
CPI do Tráfico de Armas
Escândalo da Suposta Ligação do PT com o PCC
Escândalo da Suposta Ligação do PT com o MLST
Operação Confraria
Operação Dominó
Operação Saúva
Escândalo do Vazamento de Informações da Operação Mão-de-Obra
Escândalo dos Funcionários Federais Empregados que não Trabalhavam
Mensalinho nas Prefeituras do Estado de São Paulo
Escândalo dos Grampos no TSE
Escândalo do Dossiê
(Sexta grave crise política do governo Lula)
ONG Unitrabalho
Escândalo da Renascer em Cristo
CPI das ONGs
Operação Testamento
CPI do Apagão Aéreo
Operação Hurricane
!!!!!!!!!
- FORA OS NÃO CATALOGADOS -
Retirado de
http://pt.wikipedia.org:80/wiki/Lista_de_escândalos_de_corrupção_no_Brasil
Brasil.
São 33 anos de escândalos.
1- Governo Geisel
( Ernesto Geisel) ( 1974-1979)
10 casos em 6 anos de governo.
(Período de excessão para conter as investidas
comunistas contra o Brasil)
Abertura Política
Caso Wladimir Herzog
Caso Manuel Fiel Filho
Caso Lutfala
Caso Atalla
Ângelo Calmon de Sá
(ministro acusado de passar um gigantesco cheque sem fundos)
Lei Falcão (1976)
Pacote de Abril (1977)
Cassações dos Parlamentares no Governo Geisel
Grandes Mordomias dos Ministros no Governo Geisel
2- Governo Figueiredo
(João Baptista Figueireo) ( 1979-1985)
11 casos em 6 anos de governo
(Período de abertura política, iniciada no Governo Geisel,
e de liberação política e econômica)
Anistia de 1979
Caso Capemi
Caso do Grupo Delfim
Escândalo da Mandioca
Escândalo da Brasilinvest
Escândalo das Polonetas
Caso Morel
Crime da Mala
Caso Coroa-Brastel
Escândalo das Jóias
3 - Governo Sarney
( José Sarney) ( 1985-1990)
6 casos em 6 anos de governo
CPI da Corrupção
Escândalo do Ministério das Comunicações
(grande número de concessões de rádios e TVs
para políticos aliados ou não ao Sarney.
A concessão é em troca de cargos, votos ou apoio ao presidente)
Caso Chiarelli
(Dossiê do Antônio Carlos Magalhães contra o senador Carlos Chiarelli
ou "Dossiê Chiarelli")
Caso Ibraim Abi-Ackel
Escândalo da Administração de Orestes Quécia
Escândalo do Contrabando das Pedras Preciosas
4- Governo Collor
( Fernando Collor de Mello) ( 1990-1992)
19 casos em 2 anos de governo
Escândalo da Aprovação da Lei da Privatização das Estatais
Programa Nacional de Desestatização
Escândalo do INSS (ou Escândalo da Previdência Social)
Escândalo do BCCI (ou caso Sérgio Corrêa da Costa)
Escândalo da Ceme (Central de Medicamentos)
Escândalo da LBA
Esquema PP
Esquema PC (Caso Collor)
Escândalo da Eletronorte
Escândalo do FGTS
Escândalo da Ação Social
Escândalo do BC
Escândalo da Merenda
Escândalo das Estatais
Escândao das Cmunicações
Escândalo da Vasp
Escândalo da Aeronáutica
Escândalo do Fundo de Participação
Escândalo do BB
5- Governo Itamar Franco
(Itamar Augusto Cautiero Franco) ( 1992- 1995)
32 casos em 3 anos de governo
Centro Federal de Inteligência
(Criação da CFI para combater corrupção
em todas as esferas do governo)
Caso Edmundo Pinto
Escândalo do DNOCS
(Departamento Nacional de Obras contra a Seca)
(ou caso Inocêncio Oliveira)
Escândalo da IBF ( Indústria Brasileira de Formulários)
Escândalo do INAMPS
( Instituto Nacional de Assistência Previdência Social)
Irregularidades no Programa Nacional de Desestatização
Caso Nilo Coelho
Caso Eliseu Resende
Caso Queiroz Galvão (em Pernambuco)
Escândalo da Telemig (Minas Gerais)
Jogo do Bicho (ou Caso Castor de Andrade) (no Rio de Janeiro)
Caso Ney Maranhão
Escândalo do Paubrasil (Paubrasil Engenharia e Montagens)
Escândalo da Administração de Roberto Requião
Escândalo da Cruz Vermelha Brasileira
Caso José Carlos da Rocha Lima
Escândalo da Colac (no Rio Grande do Sul)
Escândalo da Fundação Padre Francisco de Assis Castro Monteiro
(em Ibicuitinga, Ceará)
Escândalo da Administração de Antônio Carlos Magalhães (Bahia)
Escândalo da Administração de Jaime Campos (Mato Grosso)
Escândalo da Administração de Roberto Requião (Paraná)
Escândalo da Administração de Ottomar Pinto (em Roraima)
Escândalo da Sudene de Pernambuco
Escândalo da Prefeitura de Natal (no Rio Grande do Norte)
CPI do Detran (em Santa Catarina)
Caso Restaurante Gulliver (tentativa do governador Ronaldo Cunha Lima
matar o governador
antecessor Tarcísio Burity, por causa das denúncias de Irregularidades
na Sudene de Paraíba)
CPI do Pó (em Paraíba)
Escândalo da Estacom (em Tocantins)
Escândalo do Orçamento da União
(ou Escândalo dos Anões do Orçamento ou CPI do Orçamento)
Compra e Venda dos Mandatos dos Deputados do PSD
Caso Ricupero (também conhecido como "Escândalo das Parabólicas").
6- Governo FHC
( Fernando Henrique Cardoso) (1995- 2003)
44 casos em 8 anos de governo
Escândalo do Sivam
(Primeira grave crise do governo FHC)
Escândalo da Pasta Rosa
Escândalo da CONAN
Escândalo da Administração de Paulo Maluf
Escândalo do BNDES
(verbas para socorrerem ex-estatais privatizadas)
Escândalo da Telebrás
Caso PC Farias
Escândalo da Compra de Votos Para Emenda da Reeleição
Escândalo da Venda da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD)
Escândalo da Previdência
Escândalo da Administração do PT
(primeira denúncia contra o Partido dos Trabalhadores
desde a fundação em 1980,
feito pelo militante do partido Paulo de Tarso Venceslau)
Escândalo dos Precatórios
Escândalo do Banestado
Escândalo da Encol
Escândalo da Mesbla
Escândalo do Banespa
Escândalo da Desvalorização do Real
Escândalo dos Fiscais de São Paulo (ou Máfia dos Fiscais)
Escândalo da Mappin
Dossiê Cayman
(ou Escândalo do Dossiê Cayman ou Escândalo do Dossiê Caribe)
Escândalo dos Grampos Contra FHC e Aliados
Escândalo do Judiciário
Escândalo dos Bancos
CPI do Narcotráfico
CPI do Crime Organizado
Escândalo de Corrupção dos Ministros no Governo FHC
Escândalo da Banda Podre
Escândalo dos Medicamentos
(grande número de denúncias de remédios falsificados
ou que não curaram pacientes)
Quea do Monopólio do Petróleo (criação da ANP)
Escândalo da Transbrasil
Escândalo da Pane DDD do Sistema Telefônico Privatizado (o "Caladão")
Escândalo dos Desvios de Verbas do TRT-SP
(Caso Nicolau dos Santos Neto , o "Lalau")
Escândalo da Administração da Roseana Sarney (Maranhão)
Corrupção na Prefeitura de São Paulo (ou Caso Celso Pitta)
Escândalo da Sudam
Escândalo da Sudene
Escândalo do Banpará
Escândalo da Quebra do Sigilo do Painel do Senado
Escândalos no Senado em 2001
Escândalo da Administração de Mão Santa (Piauí)
Caso Lunus (ou Caso Roseana Sarney)
Acidentes Ambientais da Petrobrás
Abuso de Medidas Provisórias (5.491)
Escândalo do Abafamento das CPIs no Governo do FHC
Governo Lula
(Luiz Inácio Lula da Silva) (desde 2003)
101 casos em 4 anos de governo.
Caso Pinheiro Landim
Caso Celso Daniel
Caso Toninho do PT
Escândalo dos Grampos Contra Políticos da Bahia
Escândalo do Proprinoduto
(também conhecido como Caso Rodrigo Silveirinha )
CPI do Banestado
Escândalo da Suposta Ligação do PT com o MST
Escândalo da Suposta Ligação do PT com a FARC
Privatização das Estatais no Primeiro Ano do Governo Lula
Escândalo do Gasto Públicos dos Ministros
Irregularidades do Fome Zero
Escândalo do DNIT
(envolvendo os ministros Anderson Adauto e Sérgio Pimentel)
Escândalo do Ministério do Trabalho
Licitação Para a Compra de Gêneros Básicos
Caso Agnelo Queiroz
(O ministro recebeu diárias do COB para os Jogos Panamericanos)
Escândalo do Ministério dos Esportes
(Uso da estrutura do ministério para organizar a festa de aniversário
do ministro Agnelo Queizoz)
Operação Anaconda
Escândalo dos Gafanhotos (ou Máfia dos Gafanhotos)
Caso José Eduardo Dutra
Escândalo dos Frangos (em Roraima)
Várias Aberturas de Licitações da Presidência da República
Para a Compra de Artigos de Luxo
Escândalo da Norospar
(Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná)
Expulsão dos Políticos do PT
Escândalo dos Bingos
(Primeira grave crise política do governo Lula)
(ou Caso Waldomiro Diniz)
Lei de Responsabilidade Fiscal
(Recuos do governo federal da LRF)
scândalo da ONG Ágora
Escândalo dos Copos
(Licitação do Governo Federal para a compra de 750 copos de cristal
para vinho, champagne, licor
e whisky)
Caso Henrique Meirelles
Caso Luiz Augusto Candiota
(Diretor de Política Monetária do BC,
é acusado de movimentar as contas no exterior
e demitido por não explicar a movimentação)
Caso Cássio Caseb
Caso Kroll
Conselho Federal de Jornalismo
Escândalo dos Vampiros
Escândalo das Fotos de Herzog
Uso dos Ministros dos Assessores em Campanha Eleitoral de 2004
Escândalo do PTB
(Oferecimento do PT para ter apoio do PTB em troca de cargos,
material de campanha e R$ 150 mil reais a cada deputado)
Caso Antônio Celso Cipriani
Irregularidades na Bolsa-Escola
Caso Flamarion Portela
Irregularidades na Bolsa-Família
Escândalo de Cartões de Crédito Corporativos da Presidência
Irregularidaes do Programa Restaurante Popular
(Projeto de restaurantes populares beneficia prefeituras
administradas pelo PT)
Abuso de Medidas Provisórias no Governo Lula
entre 2003 e 2004 (mais de 300)
Escândalo dos Correios
(Segunda grave crise política do governo Lula.
Também conhecido como Caso Maurício Marinho)
Escândalo do IRB
Escândalo da Novadata
Escândalo da Usina de Itaipu
Escândalo das Furnas
Escândalo do Mensalão
(Terceira grave crise política do governo.
Também conhecido como Mensalão)
Escândalo do Leão & Leão
(República de Ribeirão Preto ou Máfia do Lixo ou Caso Leão & Leão)
Escândalo da Secom
Esquema de Corrupção no Diretório Nacional do PT
Escândalo do Brasil Telecom
(também conhecido como Escândalo do Portugal Telecom
ou Escândalo da Itália Telecom)
Escândalo da CPEM
Escândalo da SEBRAE (ou Caso Paulo Okamotto)
Caso Marka/FonteCindam
Escândalo dos Dólares na Cueca
Escândalo do Banco Santos
Escândalo Daniel Dantas - Grupo Opportunity
(ou Caso Daniel Dantas)
Escândalo da Interbrazil
Caso Toninho da Barcelona
Escândalo da Gamecorp-Telemar
(ou Caso Lulinha)
Caso dos Dólares de Cuba
Doação de Roupas da Lu Alckmin
(esposa do Geraldo Alckimin)
Doação de Terninhos da Marísia da Silva
(esposa do presidente Lula)
Escândalo da Nossa Caixa LI
Escândalo da Quebra do Sigilo Bancário do Caseiro Francenildo
(Quarta grave crise política do governo Lula.
Também conhecido como Caso Francenildo Santos Costa)
Escândalo das Cartilhas do PT
Escândalo do Banco BMG
(Empréstimos para aposentados)
Escândalo do Proer
Escândalo do Sivam
Escândalo dos Fundos de Pensão
Escândalo dos Grampos na Abin
Escândalo do Foro de São Paulo
Esquema do Plano Safra Legal (Máfia dos Cupins)
Escândalo do Mensalinho
Escândalo das Vendas de Madeira da Amazônia
(ou Escândalo Ministério do Meio Ambiente).
69 CPIs Abafadas pelo Geraldo Alckmin (em São Paulo)
Escândalo de Corrupção dos Ministros no Governo Lula
Crise da Varig
Escândalo das Sanguessugas
(Quinta grave crise política do governo Lula.
Inicialmente conhecida como Operação Sanguessuga
e Escândalo das Ambulâncias)
Escândalo dos Gastos de Combustíveis dos Deputados
CPI da Imigração Ilegal
CPI do Tráfico de Armas
Escândalo da Suposta Ligação do PT com o PCC
Escândalo da Suposta Ligação do PT com o MLST
Operação Confraria
Operação Dominó
Operação Saúva
Escândalo do Vazamento de Informações da Operação Mão-de-Obra
Escândalo dos Funcionários Federais Empregados que não Trabalhavam
Mensalinho nas Prefeituras do Estado de São Paulo
Escândalo dos Grampos no TSE
Escândalo do Dossiê
(Sexta grave crise política do governo Lula)
ONG Unitrabalho
Escândalo da Renascer em Cristo
CPI das ONGs
Operação Testamento
CPI do Apagão Aéreo
Operação Hurricane
!!!!!!!!!
- FORA OS NÃO CATALOGADOS -
Retirado de
http://pt.wikipedia.org:80/wiki/Lista_de_escândalos_de_corrupção_no_Brasil
terça-feira, 5 de julho de 2011
Entrervista de Evo Morales
América do Sul deve construir uma aliança estratégica”
Em entrevista ao jornal Página/12, o presidente da Bolívia, Evo Morales, fala sobre sua experiência como presidente, sobre os programas sociais que está implantando para beneficiar a população mais pobre e defende uma aliança estratégica entre os países da América do Sul. “Devemos fazer uma aliança estratégica com toda a América do Sul para a tecnologia. Porque a América do Sul já é a mãe de todos os recursos estratégicos do mundo. Temos a Amazônia, água doce...É uma esperança para o mundo. É preciso desenvolver uma nova tese. A tese da vida, da humanidade”.
Martín Granovsky - Página/12
O jogo da noite entre Argentina e Bolívia e o gasoduto para trazer gás ao norte argentino eram os grandes temas da visita de Evo Morales a Argentina até que surgiu o protesto da comunidade judaica pela viagem do ministro de Defesa iraniano a La Paz. São 11 horas da manhã e Evo acaba de se despedir dos dirigentes da DAIA (Delegação de Associações Israelitas Argentinas). Saíram sorridentes. Talvez contagiados pela tranquilidade que emana hoje desse presidente aymara e ex-dirigente sindical que, no último dia 22 de janeiro, completou cinco anos no Palácio Queimado.
- Nunca sonhei em seu presidente – diz Evo. Nunca pensei que iria ser presidente.
- Nunca?
- Até 2002, jamais. Jamais. Eu, de tão baixo. Quando meus companheiros me propuseram ser candidato à presidência, em 1997, pensei que estavam gozando com minha cara.
- Mas o elegeram deputado.
- Sim. Fui candidato a presidente em 2002, e a candidatura surpreendeu a mim mesmo. Eu candidato? Foi uma satisfação. E depois, em 2005, ganhamos, mas temos muito que seguir aprendendo no novo sentido da política boliviana: antes o povo era escravo do governo. Agora o governo é escravo do povo. Está a serviço do povo.
- Os bolivianos votaram várias vezes em eleições presidenciais e para a reforma da Constituição. Como faz um presidente para avaliar o sentimento popular a cada dia?
- As reuniões com os movimentos sociais permitem saber como servir ao povo. Os resultados de gestão não só satisfazem como causam orgulho quando o povo se sente atendido em suas demandas. Nem sempre é suficiente, claro, por que os recursos são limitados. Mas sempre escutamos.
- Os dirigentes da DAIA que tiveram a entrevista com você comentaram isso: que os escutou, que admitiu ter cometido um erro e que eles acreditaram.
- Houve problemas e nós os reconhecemos. Melhor aprender errando. Melhor não ocultar as coisas. Assim a vida é melhor. Essa é minha experiência na família, no sindicalismo e no governo.
- Admitir um erro não pode ser tomado como sintoma de debilidade?
- Para mim não. Alguém sempre pergunta por que eu reconheço isso. Quem não comete erros? Lamentamos coisas que não estavam em nossos planos e expressamos nosso reconhecimento.
- Qual é o interesse nacional boliviano com o gasoduto que começou a ser negociado com a Argentina em 2006 e do conversou com a presidenta (Cristina Fernandez Kirchner)?
- A Bolívia, lamentavelmente em boa parte, viveu de seus recursos naturais. Em um primeiro momento a borracha, depois o estanho e, mais tarde, o gás. As relações que iniciamos com o presidente Néstor Kirchner tiveram continuidade com os acordos com a companheira Cristina e com a construção do gasoduto Juana Azurduy, tão importante para os dois povos, um que será abastecido de gás e o outro que se beneficiará disso. Ao mesmo tempo, estamos melhorando a economia da Bolívia e prestando um serviço ao povo argentino. Falei muito sobre isso com a companheira Cristina. Ela conhece o tema. Não parece advogada, mas sim uma petroleira. Garantir energia frente à crise do mundo, no marco da complementariedade, é importante. Nós necessitamos do povo argentino e de seu governo e se eles precisam de nós, aqui estamos. Eu nunca esqueço que, quando nos faltou trigo e farinha para o pão, a Argentina nos socorreu. Não sei como fez, mas o trigo ajudou a nossa felicidade.
- A nova Constituição estabelece um Estado plurinacional. Como está funcionando a construção?
- Nossa história mostra tantos irmãos assassinados, enforcados, esquartejados, discriminados, marginalizados...Houve rebeliões com resultados nefastos, mas nessas rebeliões nossos antepassados defenderam a identidade e os recursos naturais. Agora estamos em uma revolução. Não com balas; Com o voto. O Estado plurinacional se constrói também via um processo de descolonização. Três etapas: Rebelião, revolução, descolonização. Esta etapa não é fácil. Podemos mudar normas e procedimentos pelas quais um funcionário público se converterá em um servidor público. Mas é mais difícil mudar a mentalidade.
- A do funcionário?
- Sim. Por sorte, na Bolívia o povo começa a pensar diferente sobre a política. No passado, o político era visto como delinquente, como um meliante, um ladrão, um farsante. Estamos mudando isso. Agora, ser político é prestar serviço ao povo por tempo determinado.
O que significa por tempo determinado?
- Que depende dos tempos da democracia, dos mandatos, do voto. Antes ser político era dizer: “Isso é meu. Aproveitarei”. Terminamos com isso na Bolívia. O povo era escravo do governo. Em meu gabinete há intelectuais e profissionais que poderiam estar ganhando melhor em outro trabalho. Mas se somam a esse trabalho para prestar um serviço por tempo determinado. E descolonizar também é a busca da soberania com igualdade de todos os bolivianos. Não pode haver uns vivendo no luxo e outros que morrem de fome. Não podem existir essas diferenças de família para família e tampouco de país para país, ou de continente para continente. Esse milênio não deve ser o das oligarquias, hierarquias e monarquias. Olhemos as reações que temos nestes dias em outros continentes. Na Europa, por exemplo. Antes eles olhavam para a América Latina. E o que viam? Os golpes militares, as ditaduras, crises, convulsões, mortos. A Bolívia, antes de eu chegar à presidência, teve cinco presidentes em cinco anos.
- Nós ganhamos: cinco em uma semana.
- Sim. E eu não posso acreditar: entrei no sexto ano da presidência. Isso quer dizer que estamos mudando.
- Bom, e pelo Honoris Causa da Universidade de Córdoba já é o doutor Evo Morales.
-E sou doutor, sim. Mas o que vale é o que estamos mudando no plano estrutural, no econômico e financeiro. Estamos nos libertando financeiramente. O próximo passo é tecnológico e científico. Devemos fazer uma aliança estratégica com toda a América do Sul para a tecnologia. Porque a América do Sul já é a mãe de todos os recursos estratégicos do mundo. Temos a Amazônia, água doce...É uma esperança para o mundo. É preciso desenvolver uma nova tese. A tese da vida, da humanidade. Falamos muito sobre isso com o companheiro Néstor Kirchner.
- Vocês se conheceram antes da presidência.
- Sim. Néstor foi muito prático em suas recomendações e sugestões. Para mim segue sendo um pai político. Quando comecei como presidente, lá estava Néstor, lá estava Lula, lá estava Chávez para suas sugestões e recomendações.
- Qual foi a recomendação mais importante?
- O serviço ao povo. E lembro a ajuda que me deu em Tarija. Ele me disse: “Se perceber que as empresas não querem investir, pega o telefone e me liga que a Argentina vai investir”. Talvez possa ser entendida como uma mensagem simbólica. Mas foi muito importante. Nós, presidentes, devemos nos ajudar também em temas de investimento.
- Qual é, no plano mundial, a novidade boliviana em termos de identidade e desenvolvimento dos povos originários?
- Programas, por exemplo. Para os setores mais pobres das comunidades indígenas o governo está garantindo 70% do investimento para empreendimentos produtivos. Os beneficiados contribuem com os outros 30%. O Banco Mundial está exportando este programa para a África. Outro programa: a criança que termina o ano escolar recebe um pequeno bônus de 200 bolivianos ao ano. O segredo deste bônus é evitar que haja novos analfabetos. Estamos conseguindo diminuir a evasão escolar, especialmente nas áreas rurais do altiplano e nos bairros periféricos das cidades. Baixamos a evasão de 6 para 2% e temos que impedir que surjam novos analfabetos. Outro programa ainda: os mais pobres, os abandonados, os que trabalharam durante toda a vida, recebem cerca de 200 bolivianos por mês. Não é muito, mas é alguma coisa. Nas áreas rurais, o idoso que recebe sua renda resolve seu problema de água e de luz. E estamos entregando terra, ainda que alguns sejam muito ambiciosos.
- O que querem?
- Em lugar de 50 hectares, querem 150. Não é possível. Alguns dizem: “Aproveito a presidência do companheiro Evo, do irmão Evo, porque depois não haverá essa chance”.
- Como é o estado atual da unidade da Bolívia, sobretudo em relação a Santa Cruz de la Sierra? Os enfrentamentos de 2008 são coisa do passado?
- Antes se falava da meia lua. Isso acabou. Agora é a lua inteira. Nosso movimento se baseia na política do bem viver, não do viver melhor. Seu você quer viver melhor, tem que roubar, saquear os recursos, explorar. Isso nós podemos garantir porque meu partido, o dos mais pobres, dos camponeses indígenas originários, tem dois terços da Câmara de Deputados e dois terços da Câmara de Senadores. Isso nunca aconteceu na história da Bolívia. Há um sentimento popular que simpatiza com as mudanças profundas. E isso apesar das corridas aos bancos, que fracassaram. Ou do boicote para que falte açúcar ou azeite e para que joguem a culpa em cima de mim. Mas estamos sempre preparados para aprender errando, errando.
- Mauricio Macri disse que um dos problemas da Argentina, e repetiu isso, é o que chamou de “imigração descontrolada”. Como reagiu ao ouvi-lo?
- Respeitamos as opiniões de todos. Cada um tem direito a expressar o que pensa e o que sente. Mas somos todos latino-americanos. Todos somos sulamericanos. Temos a obrigação de compartilhar. Mas não só na Bolívia, também na Europa, na Espanha e em outros países o boliviano é visto como honesto e trabalhador. Veio aqui buscar melhores condições de vida. Mas também contribui para o desenvolvimento da Argentina. Assim ocorre sempre com as migrações. As externas e as internas. Na Bolívia vemos o que ocorre com os que chegam a Cochabamba, ou com os que vão de Potosi ou Oruro para Santa Cruz. Por isso, em Santa Cruz se encontra gente de origens tão diferentes. Vão trabalhar. Assim ajudam o desenvolvimento. Na América Latina ocorre o mesmo. Nos complementamos para viver juntos.
Tradução: Katarina Peixoto
Em entrevista ao jornal Página/12, o presidente da Bolívia, Evo Morales, fala sobre sua experiência como presidente, sobre os programas sociais que está implantando para beneficiar a população mais pobre e defende uma aliança estratégica entre os países da América do Sul. “Devemos fazer uma aliança estratégica com toda a América do Sul para a tecnologia. Porque a América do Sul já é a mãe de todos os recursos estratégicos do mundo. Temos a Amazônia, água doce...É uma esperança para o mundo. É preciso desenvolver uma nova tese. A tese da vida, da humanidade”.
Martín Granovsky - Página/12
O jogo da noite entre Argentina e Bolívia e o gasoduto para trazer gás ao norte argentino eram os grandes temas da visita de Evo Morales a Argentina até que surgiu o protesto da comunidade judaica pela viagem do ministro de Defesa iraniano a La Paz. São 11 horas da manhã e Evo acaba de se despedir dos dirigentes da DAIA (Delegação de Associações Israelitas Argentinas). Saíram sorridentes. Talvez contagiados pela tranquilidade que emana hoje desse presidente aymara e ex-dirigente sindical que, no último dia 22 de janeiro, completou cinco anos no Palácio Queimado.
- Nunca sonhei em seu presidente – diz Evo. Nunca pensei que iria ser presidente.
- Nunca?
- Até 2002, jamais. Jamais. Eu, de tão baixo. Quando meus companheiros me propuseram ser candidato à presidência, em 1997, pensei que estavam gozando com minha cara.
- Mas o elegeram deputado.
- Sim. Fui candidato a presidente em 2002, e a candidatura surpreendeu a mim mesmo. Eu candidato? Foi uma satisfação. E depois, em 2005, ganhamos, mas temos muito que seguir aprendendo no novo sentido da política boliviana: antes o povo era escravo do governo. Agora o governo é escravo do povo. Está a serviço do povo.
- Os bolivianos votaram várias vezes em eleições presidenciais e para a reforma da Constituição. Como faz um presidente para avaliar o sentimento popular a cada dia?
- As reuniões com os movimentos sociais permitem saber como servir ao povo. Os resultados de gestão não só satisfazem como causam orgulho quando o povo se sente atendido em suas demandas. Nem sempre é suficiente, claro, por que os recursos são limitados. Mas sempre escutamos.
- Os dirigentes da DAIA que tiveram a entrevista com você comentaram isso: que os escutou, que admitiu ter cometido um erro e que eles acreditaram.
- Houve problemas e nós os reconhecemos. Melhor aprender errando. Melhor não ocultar as coisas. Assim a vida é melhor. Essa é minha experiência na família, no sindicalismo e no governo.
- Admitir um erro não pode ser tomado como sintoma de debilidade?
- Para mim não. Alguém sempre pergunta por que eu reconheço isso. Quem não comete erros? Lamentamos coisas que não estavam em nossos planos e expressamos nosso reconhecimento.
- Qual é o interesse nacional boliviano com o gasoduto que começou a ser negociado com a Argentina em 2006 e do conversou com a presidenta (Cristina Fernandez Kirchner)?
- A Bolívia, lamentavelmente em boa parte, viveu de seus recursos naturais. Em um primeiro momento a borracha, depois o estanho e, mais tarde, o gás. As relações que iniciamos com o presidente Néstor Kirchner tiveram continuidade com os acordos com a companheira Cristina e com a construção do gasoduto Juana Azurduy, tão importante para os dois povos, um que será abastecido de gás e o outro que se beneficiará disso. Ao mesmo tempo, estamos melhorando a economia da Bolívia e prestando um serviço ao povo argentino. Falei muito sobre isso com a companheira Cristina. Ela conhece o tema. Não parece advogada, mas sim uma petroleira. Garantir energia frente à crise do mundo, no marco da complementariedade, é importante. Nós necessitamos do povo argentino e de seu governo e se eles precisam de nós, aqui estamos. Eu nunca esqueço que, quando nos faltou trigo e farinha para o pão, a Argentina nos socorreu. Não sei como fez, mas o trigo ajudou a nossa felicidade.
- A nova Constituição estabelece um Estado plurinacional. Como está funcionando a construção?
- Nossa história mostra tantos irmãos assassinados, enforcados, esquartejados, discriminados, marginalizados...Houve rebeliões com resultados nefastos, mas nessas rebeliões nossos antepassados defenderam a identidade e os recursos naturais. Agora estamos em uma revolução. Não com balas; Com o voto. O Estado plurinacional se constrói também via um processo de descolonização. Três etapas: Rebelião, revolução, descolonização. Esta etapa não é fácil. Podemos mudar normas e procedimentos pelas quais um funcionário público se converterá em um servidor público. Mas é mais difícil mudar a mentalidade.
- A do funcionário?
- Sim. Por sorte, na Bolívia o povo começa a pensar diferente sobre a política. No passado, o político era visto como delinquente, como um meliante, um ladrão, um farsante. Estamos mudando isso. Agora, ser político é prestar serviço ao povo por tempo determinado.
O que significa por tempo determinado?
- Que depende dos tempos da democracia, dos mandatos, do voto. Antes ser político era dizer: “Isso é meu. Aproveitarei”. Terminamos com isso na Bolívia. O povo era escravo do governo. Em meu gabinete há intelectuais e profissionais que poderiam estar ganhando melhor em outro trabalho. Mas se somam a esse trabalho para prestar um serviço por tempo determinado. E descolonizar também é a busca da soberania com igualdade de todos os bolivianos. Não pode haver uns vivendo no luxo e outros que morrem de fome. Não podem existir essas diferenças de família para família e tampouco de país para país, ou de continente para continente. Esse milênio não deve ser o das oligarquias, hierarquias e monarquias. Olhemos as reações que temos nestes dias em outros continentes. Na Europa, por exemplo. Antes eles olhavam para a América Latina. E o que viam? Os golpes militares, as ditaduras, crises, convulsões, mortos. A Bolívia, antes de eu chegar à presidência, teve cinco presidentes em cinco anos.
- Nós ganhamos: cinco em uma semana.
- Sim. E eu não posso acreditar: entrei no sexto ano da presidência. Isso quer dizer que estamos mudando.
- Bom, e pelo Honoris Causa da Universidade de Córdoba já é o doutor Evo Morales.
-E sou doutor, sim. Mas o que vale é o que estamos mudando no plano estrutural, no econômico e financeiro. Estamos nos libertando financeiramente. O próximo passo é tecnológico e científico. Devemos fazer uma aliança estratégica com toda a América do Sul para a tecnologia. Porque a América do Sul já é a mãe de todos os recursos estratégicos do mundo. Temos a Amazônia, água doce...É uma esperança para o mundo. É preciso desenvolver uma nova tese. A tese da vida, da humanidade. Falamos muito sobre isso com o companheiro Néstor Kirchner.
- Vocês se conheceram antes da presidência.
- Sim. Néstor foi muito prático em suas recomendações e sugestões. Para mim segue sendo um pai político. Quando comecei como presidente, lá estava Néstor, lá estava Lula, lá estava Chávez para suas sugestões e recomendações.
- Qual foi a recomendação mais importante?
- O serviço ao povo. E lembro a ajuda que me deu em Tarija. Ele me disse: “Se perceber que as empresas não querem investir, pega o telefone e me liga que a Argentina vai investir”. Talvez possa ser entendida como uma mensagem simbólica. Mas foi muito importante. Nós, presidentes, devemos nos ajudar também em temas de investimento.
- Qual é, no plano mundial, a novidade boliviana em termos de identidade e desenvolvimento dos povos originários?
- Programas, por exemplo. Para os setores mais pobres das comunidades indígenas o governo está garantindo 70% do investimento para empreendimentos produtivos. Os beneficiados contribuem com os outros 30%. O Banco Mundial está exportando este programa para a África. Outro programa: a criança que termina o ano escolar recebe um pequeno bônus de 200 bolivianos ao ano. O segredo deste bônus é evitar que haja novos analfabetos. Estamos conseguindo diminuir a evasão escolar, especialmente nas áreas rurais do altiplano e nos bairros periféricos das cidades. Baixamos a evasão de 6 para 2% e temos que impedir que surjam novos analfabetos. Outro programa ainda: os mais pobres, os abandonados, os que trabalharam durante toda a vida, recebem cerca de 200 bolivianos por mês. Não é muito, mas é alguma coisa. Nas áreas rurais, o idoso que recebe sua renda resolve seu problema de água e de luz. E estamos entregando terra, ainda que alguns sejam muito ambiciosos.
- O que querem?
- Em lugar de 50 hectares, querem 150. Não é possível. Alguns dizem: “Aproveito a presidência do companheiro Evo, do irmão Evo, porque depois não haverá essa chance”.
- Como é o estado atual da unidade da Bolívia, sobretudo em relação a Santa Cruz de la Sierra? Os enfrentamentos de 2008 são coisa do passado?
- Antes se falava da meia lua. Isso acabou. Agora é a lua inteira. Nosso movimento se baseia na política do bem viver, não do viver melhor. Seu você quer viver melhor, tem que roubar, saquear os recursos, explorar. Isso nós podemos garantir porque meu partido, o dos mais pobres, dos camponeses indígenas originários, tem dois terços da Câmara de Deputados e dois terços da Câmara de Senadores. Isso nunca aconteceu na história da Bolívia. Há um sentimento popular que simpatiza com as mudanças profundas. E isso apesar das corridas aos bancos, que fracassaram. Ou do boicote para que falte açúcar ou azeite e para que joguem a culpa em cima de mim. Mas estamos sempre preparados para aprender errando, errando.
- Mauricio Macri disse que um dos problemas da Argentina, e repetiu isso, é o que chamou de “imigração descontrolada”. Como reagiu ao ouvi-lo?
- Respeitamos as opiniões de todos. Cada um tem direito a expressar o que pensa e o que sente. Mas somos todos latino-americanos. Todos somos sulamericanos. Temos a obrigação de compartilhar. Mas não só na Bolívia, também na Europa, na Espanha e em outros países o boliviano é visto como honesto e trabalhador. Veio aqui buscar melhores condições de vida. Mas também contribui para o desenvolvimento da Argentina. Assim ocorre sempre com as migrações. As externas e as internas. Na Bolívia vemos o que ocorre com os que chegam a Cochabamba, ou com os que vão de Potosi ou Oruro para Santa Cruz. Por isso, em Santa Cruz se encontra gente de origens tão diferentes. Vão trabalhar. Assim ajudam o desenvolvimento. Na América Latina ocorre o mesmo. Nos complementamos para viver juntos.
Tradução: Katarina Peixoto
Enervista de Evo Morales
América do Sul deve construir uma aliança estratégica”
Em entrevista ao jornal Página/12, o presidente da Bolívia, Evo Morales, fala sobre sua experiência como presidente, sobre os programas sociais que está implantando para beneficiar a população mais pobre e defende uma aliança estratégica entre os países da América do Sul. “Devemos fazer uma aliança estratégica com toda a América do Sul para a tecnologia. Porque a América do Sul já é a mãe de todos os recursos estratégicos do mundo. Temos a Amazônia, água doce...É uma esperança para o mundo. É preciso desenvolver uma nova tese. A tese da vida, da humanidade”.
Martín Granovsky - Página/12
O jogo da noite entre Argentina e Bolívia e o gasoduto para trazer gás ao norte argentino eram os grandes temas da visita de Evo Morales a Argentina até que surgiu o protesto da comunidade judaica pela viagem do ministro de Defesa iraniano a La Paz. São 11 horas da manhã e Evo acaba de se despedir dos dirigentes da DAIA (Delegação de Associações Israelitas Argentinas). Saíram sorridentes. Talvez contagiados pela tranquilidade que emana hoje desse presidente aymara e ex-dirigente sindical que, no último dia 22 de janeiro, completou cinco anos no Palácio Queimado.
- Nunca sonhei em seu presidente – diz Evo. Nunca pensei que iria ser presidente.
- Nunca?
- Até 2002, jamais. Jamais. Eu, de tão baixo. Quando meus companheiros me propuseram ser candidato à presidência, em 1997, pensei que estavam gozando com minha cara.
- Mas o elegeram deputado.
- Sim. Fui candidato a presidente em 2002, e a candidatura surpreendeu a mim mesmo. Eu candidato? Foi uma satisfação. E depois, em 2005, ganhamos, mas temos muito que seguir aprendendo no novo sentido da política boliviana: antes o povo era escravo do governo. Agora o governo é escravo do povo. Está a serviço do povo.
- Os bolivianos votaram várias vezes em eleições presidenciais e para a reforma da Constituição. Como faz um presidente para avaliar o sentimento popular a cada dia?
- As reuniões com os movimentos sociais permitem saber como servir ao povo. Os resultados de gestão não só satisfazem como causam orgulho quando o povo se sente atendido em suas demandas. Nem sempre é suficiente, claro, por que os recursos são limitados. Mas sempre escutamos.
- Os dirigentes da DAIA que tiveram a entrevista com você comentaram isso: que os escutou, que admitiu ter cometido um erro e que eles acreditaram.
- Houve problemas e nós os reconhecemos. Melhor aprender errando. Melhor não ocultar as coisas. Assim a vida é melhor. Essa é minha experiência na família, no sindicalismo e no governo.
- Admitir um erro não pode ser tomado como sintoma de debilidade?
- Para mim não. Alguém sempre pergunta por que eu reconheço isso. Quem não comete erros? Lamentamos coisas que não estavam em nossos planos e expressamos nosso reconhecimento.
- Qual é o interesse nacional boliviano com o gasoduto que começou a ser negociado com a Argentina em 2006 e do conversou com a presidenta (Cristina Fernandez Kirchner)?
- A Bolívia, lamentavelmente em boa parte, viveu de seus recursos naturais. Em um primeiro momento a borracha, depois o estanho e, mais tarde, o gás. As relações que iniciamos com o presidente Néstor Kirchner tiveram continuidade com os acordos com a companheira Cristina e com a construção do gasoduto Juana Azurduy, tão importante para os dois povos, um que será abastecido de gás e o outro que se beneficiará disso. Ao mesmo tempo, estamos melhorando a economia da Bolívia e prestando um serviço ao povo argentino. Falei muito sobre isso com a companheira Cristina. Ela conhece o tema. Não parece advogada, mas sim uma petroleira. Garantir energia frente à crise do mundo, no marco da complementariedade, é importante. Nós necessitamos do povo argentino e de seu governo e se eles precisam de nós, aqui estamos. Eu nunca esqueço que, quando nos faltou trigo e farinha para o pão, a Argentina nos socorreu. Não sei como fez, mas o trigo ajudou a nossa felicidade.
- A nova Constituição estabelece um Estado plurinacional. Como está funcionando a construção?
- Nossa história mostra tantos irmãos assassinados, enforcados, esquartejados, discriminados, marginalizados...Houve rebeliões com resultados nefastos, mas nessas rebeliões nossos antepassados defenderam a identidade e os recursos naturais. Agora estamos em uma revolução. Não com balas; Com o voto. O Estado plurinacional se constrói também via um processo de descolonização. Três etapas: Rebelião, revolução, descolonização. Esta etapa não é fácil. Podemos mudar normas e procedimentos pelas quais um funcionário público se converterá em um servidor público. Mas é mais difícil mudar a mentalidade.
- A do funcionário?
- Sim. Por sorte, na Bolívia o povo começa a pensar diferente sobre a política. No passado, o político era visto como delinquente, como um meliante, um ladrão, um farsante. Estamos mudando isso. Agora, ser político é prestar serviço ao povo por tempo determinado.
O que significa por tempo determinado?
- Que depende dos tempos da democracia, dos mandatos, do voto. Antes ser político era dizer: “Isso é meu. Aproveitarei”. Terminamos com isso na Bolívia. O povo era escravo do governo. Em meu gabinete há intelectuais e profissionais que poderiam estar ganhando melhor em outro trabalho. Mas se somam a esse trabalho para prestar um serviço por tempo determinado. E descolonizar também é a busca da soberania com igualdade de todos os bolivianos. Não pode haver uns vivendo no luxo e outros que morrem de fome. Não podem existir essas diferenças de família para família e tampouco de país para país, ou de continente para continente. Esse milênio não deve ser o das oligarquias, hierarquias e monarquias. Olhemos as reações que temos nestes dias em outros continentes. Na Europa, por exemplo. Antes eles olhavam para a América Latina. E o que viam? Os golpes militares, as ditaduras, crises, convulsões, mortos. A Bolívia, antes de eu chegar à presidência, teve cinco presidentes em cinco anos.
- Nós ganhamos: cinco em uma semana.
- Sim. E eu não posso acreditar: entrei no sexto ano da presidência. Isso quer dizer que estamos mudando.
- Bom, e pelo Honoris Causa da Universidade de Córdoba já é o doutor Evo Morales.
-E sou doutor, sim. Mas o que vale é o que estamos mudando no plano estrutural, no econômico e financeiro. Estamos nos libertando financeiramente. O próximo passo é tecnológico e científico. Devemos fazer uma aliança estratégica com toda a América do Sul para a tecnologia. Porque a América do Sul já é a mãe de todos os recursos estratégicos do mundo. Temos a Amazônia, água doce...É uma esperança para o mundo. É preciso desenvolver uma nova tese. A tese da vida, da humanidade. Falamos muito sobre isso com o companheiro Néstor Kirchner.
- Vocês se conheceram antes da presidência.
- Sim. Néstor foi muito prático em suas recomendações e sugestões. Para mim segue sendo um pai político. Quando comecei como presidente, lá estava Néstor, lá estava Lula, lá estava Chávez para suas sugestões e recomendações.
- Qual foi a recomendação mais importante?
- O serviço ao povo. E lembro a ajuda que me deu em Tarija. Ele me disse: “Se perceber que as empresas não querem investir, pega o telefone e me liga que a Argentina vai investir”. Talvez possa ser entendida como uma mensagem simbólica. Mas foi muito importante. Nós, presidentes, devemos nos ajudar também em temas de investimento.
- Qual é, no plano mundial, a novidade boliviana em termos de identidade e desenvolvimento dos povos originários?
- Programas, por exemplo. Para os setores mais pobres das comunidades indígenas o governo está garantindo 70% do investimento para empreendimentos produtivos. Os beneficiados contribuem com os outros 30%. O Banco Mundial está exportando este programa para a África. Outro programa: a criança que termina o ano escolar recebe um pequeno bônus de 200 bolivianos ao ano. O segredo deste bônus é evitar que haja novos analfabetos. Estamos conseguindo diminuir a evasão escolar, especialmente nas áreas rurais do altiplano e nos bairros periféricos das cidades. Baixamos a evasão de 6 para 2% e temos que impedir que surjam novos analfabetos. Outro programa ainda: os mais pobres, os abandonados, os que trabalharam durante toda a vida, recebem cerca de 200 bolivianos por mês. Não é muito, mas é alguma coisa. Nas áreas rurais, o idoso que recebe sua renda resolve seu problema de água e de luz. E estamos entregando terra, ainda que alguns sejam muito ambiciosos.
- O que querem?
- Em lugar de 50 hectares, querem 150. Não é possível. Alguns dizem: “Aproveito a presidência do companheiro Evo, do irmão Evo, porque depois não haverá essa chance”.
- Como é o estado atual da unidade da Bolívia, sobretudo em relação a Santa Cruz de la Sierra? Os enfrentamentos de 2008 são coisa do passado?
- Antes se falava da meia lua. Isso acabou. Agora é a lua inteira. Nosso movimento se baseia na política do bem viver, não do viver melhor. Seu você quer viver melhor, tem que roubar, saquear os recursos, explorar. Isso nós podemos garantir porque meu partido, o dos mais pobres, dos camponeses indígenas originários, tem dois terços da Câmara de Deputados e dois terços da Câmara de Senadores. Isso nunca aconteceu na história da Bolívia. Há um sentimento popular que simpatiza com as mudanças profundas. E isso apesar das corridas aos bancos, que fracassaram. Ou do boicote para que falte açúcar ou azeite e para que joguem a culpa em cima de mim. Mas estamos sempre preparados para aprender errando, errando.
- Mauricio Macri disse que um dos problemas da Argentina, e repetiu isso, é o que chamou de “imigração descontrolada”. Como reagiu ao ouvi-lo?
- Respeitamos as opiniões de todos. Cada um tem direito a expressar o que pensa e o que sente. Mas somos todos latino-americanos. Todos somos sulamericanos. Temos a obrigação de compartilhar. Mas não só na Bolívia, também na Europa, na Espanha e em outros países o boliviano é visto como honesto e trabalhador. Veio aqui buscar melhores condições de vida. Mas também contribui para o desenvolvimento da Argentina. Assim ocorre sempre com as migrações. As externas e as internas. Na Bolívia vemos o que ocorre com os que chegam a Cochabamba, ou com os que vão de Potosi ou Oruro para Santa Cruz. Por isso, em Santa Cruz se encontra gente de origens tão diferentes. Vão trabalhar. Assim ajudam o desenvolvimento. Na América Latina ocorre o mesmo. Nos complementamos para viver juntos.
Tradução: Katarina Peixoto
Em entrevista ao jornal Página/12, o presidente da Bolívia, Evo Morales, fala sobre sua experiência como presidente, sobre os programas sociais que está implantando para beneficiar a população mais pobre e defende uma aliança estratégica entre os países da América do Sul. “Devemos fazer uma aliança estratégica com toda a América do Sul para a tecnologia. Porque a América do Sul já é a mãe de todos os recursos estratégicos do mundo. Temos a Amazônia, água doce...É uma esperança para o mundo. É preciso desenvolver uma nova tese. A tese da vida, da humanidade”.
Martín Granovsky - Página/12
O jogo da noite entre Argentina e Bolívia e o gasoduto para trazer gás ao norte argentino eram os grandes temas da visita de Evo Morales a Argentina até que surgiu o protesto da comunidade judaica pela viagem do ministro de Defesa iraniano a La Paz. São 11 horas da manhã e Evo acaba de se despedir dos dirigentes da DAIA (Delegação de Associações Israelitas Argentinas). Saíram sorridentes. Talvez contagiados pela tranquilidade que emana hoje desse presidente aymara e ex-dirigente sindical que, no último dia 22 de janeiro, completou cinco anos no Palácio Queimado.
- Nunca sonhei em seu presidente – diz Evo. Nunca pensei que iria ser presidente.
- Nunca?
- Até 2002, jamais. Jamais. Eu, de tão baixo. Quando meus companheiros me propuseram ser candidato à presidência, em 1997, pensei que estavam gozando com minha cara.
- Mas o elegeram deputado.
- Sim. Fui candidato a presidente em 2002, e a candidatura surpreendeu a mim mesmo. Eu candidato? Foi uma satisfação. E depois, em 2005, ganhamos, mas temos muito que seguir aprendendo no novo sentido da política boliviana: antes o povo era escravo do governo. Agora o governo é escravo do povo. Está a serviço do povo.
- Os bolivianos votaram várias vezes em eleições presidenciais e para a reforma da Constituição. Como faz um presidente para avaliar o sentimento popular a cada dia?
- As reuniões com os movimentos sociais permitem saber como servir ao povo. Os resultados de gestão não só satisfazem como causam orgulho quando o povo se sente atendido em suas demandas. Nem sempre é suficiente, claro, por que os recursos são limitados. Mas sempre escutamos.
- Os dirigentes da DAIA que tiveram a entrevista com você comentaram isso: que os escutou, que admitiu ter cometido um erro e que eles acreditaram.
- Houve problemas e nós os reconhecemos. Melhor aprender errando. Melhor não ocultar as coisas. Assim a vida é melhor. Essa é minha experiência na família, no sindicalismo e no governo.
- Admitir um erro não pode ser tomado como sintoma de debilidade?
- Para mim não. Alguém sempre pergunta por que eu reconheço isso. Quem não comete erros? Lamentamos coisas que não estavam em nossos planos e expressamos nosso reconhecimento.
- Qual é o interesse nacional boliviano com o gasoduto que começou a ser negociado com a Argentina em 2006 e do conversou com a presidenta (Cristina Fernandez Kirchner)?
- A Bolívia, lamentavelmente em boa parte, viveu de seus recursos naturais. Em um primeiro momento a borracha, depois o estanho e, mais tarde, o gás. As relações que iniciamos com o presidente Néstor Kirchner tiveram continuidade com os acordos com a companheira Cristina e com a construção do gasoduto Juana Azurduy, tão importante para os dois povos, um que será abastecido de gás e o outro que se beneficiará disso. Ao mesmo tempo, estamos melhorando a economia da Bolívia e prestando um serviço ao povo argentino. Falei muito sobre isso com a companheira Cristina. Ela conhece o tema. Não parece advogada, mas sim uma petroleira. Garantir energia frente à crise do mundo, no marco da complementariedade, é importante. Nós necessitamos do povo argentino e de seu governo e se eles precisam de nós, aqui estamos. Eu nunca esqueço que, quando nos faltou trigo e farinha para o pão, a Argentina nos socorreu. Não sei como fez, mas o trigo ajudou a nossa felicidade.
- A nova Constituição estabelece um Estado plurinacional. Como está funcionando a construção?
- Nossa história mostra tantos irmãos assassinados, enforcados, esquartejados, discriminados, marginalizados...Houve rebeliões com resultados nefastos, mas nessas rebeliões nossos antepassados defenderam a identidade e os recursos naturais. Agora estamos em uma revolução. Não com balas; Com o voto. O Estado plurinacional se constrói também via um processo de descolonização. Três etapas: Rebelião, revolução, descolonização. Esta etapa não é fácil. Podemos mudar normas e procedimentos pelas quais um funcionário público se converterá em um servidor público. Mas é mais difícil mudar a mentalidade.
- A do funcionário?
- Sim. Por sorte, na Bolívia o povo começa a pensar diferente sobre a política. No passado, o político era visto como delinquente, como um meliante, um ladrão, um farsante. Estamos mudando isso. Agora, ser político é prestar serviço ao povo por tempo determinado.
O que significa por tempo determinado?
- Que depende dos tempos da democracia, dos mandatos, do voto. Antes ser político era dizer: “Isso é meu. Aproveitarei”. Terminamos com isso na Bolívia. O povo era escravo do governo. Em meu gabinete há intelectuais e profissionais que poderiam estar ganhando melhor em outro trabalho. Mas se somam a esse trabalho para prestar um serviço por tempo determinado. E descolonizar também é a busca da soberania com igualdade de todos os bolivianos. Não pode haver uns vivendo no luxo e outros que morrem de fome. Não podem existir essas diferenças de família para família e tampouco de país para país, ou de continente para continente. Esse milênio não deve ser o das oligarquias, hierarquias e monarquias. Olhemos as reações que temos nestes dias em outros continentes. Na Europa, por exemplo. Antes eles olhavam para a América Latina. E o que viam? Os golpes militares, as ditaduras, crises, convulsões, mortos. A Bolívia, antes de eu chegar à presidência, teve cinco presidentes em cinco anos.
- Nós ganhamos: cinco em uma semana.
- Sim. E eu não posso acreditar: entrei no sexto ano da presidência. Isso quer dizer que estamos mudando.
- Bom, e pelo Honoris Causa da Universidade de Córdoba já é o doutor Evo Morales.
-E sou doutor, sim. Mas o que vale é o que estamos mudando no plano estrutural, no econômico e financeiro. Estamos nos libertando financeiramente. O próximo passo é tecnológico e científico. Devemos fazer uma aliança estratégica com toda a América do Sul para a tecnologia. Porque a América do Sul já é a mãe de todos os recursos estratégicos do mundo. Temos a Amazônia, água doce...É uma esperança para o mundo. É preciso desenvolver uma nova tese. A tese da vida, da humanidade. Falamos muito sobre isso com o companheiro Néstor Kirchner.
- Vocês se conheceram antes da presidência.
- Sim. Néstor foi muito prático em suas recomendações e sugestões. Para mim segue sendo um pai político. Quando comecei como presidente, lá estava Néstor, lá estava Lula, lá estava Chávez para suas sugestões e recomendações.
- Qual foi a recomendação mais importante?
- O serviço ao povo. E lembro a ajuda que me deu em Tarija. Ele me disse: “Se perceber que as empresas não querem investir, pega o telefone e me liga que a Argentina vai investir”. Talvez possa ser entendida como uma mensagem simbólica. Mas foi muito importante. Nós, presidentes, devemos nos ajudar também em temas de investimento.
- Qual é, no plano mundial, a novidade boliviana em termos de identidade e desenvolvimento dos povos originários?
- Programas, por exemplo. Para os setores mais pobres das comunidades indígenas o governo está garantindo 70% do investimento para empreendimentos produtivos. Os beneficiados contribuem com os outros 30%. O Banco Mundial está exportando este programa para a África. Outro programa: a criança que termina o ano escolar recebe um pequeno bônus de 200 bolivianos ao ano. O segredo deste bônus é evitar que haja novos analfabetos. Estamos conseguindo diminuir a evasão escolar, especialmente nas áreas rurais do altiplano e nos bairros periféricos das cidades. Baixamos a evasão de 6 para 2% e temos que impedir que surjam novos analfabetos. Outro programa ainda: os mais pobres, os abandonados, os que trabalharam durante toda a vida, recebem cerca de 200 bolivianos por mês. Não é muito, mas é alguma coisa. Nas áreas rurais, o idoso que recebe sua renda resolve seu problema de água e de luz. E estamos entregando terra, ainda que alguns sejam muito ambiciosos.
- O que querem?
- Em lugar de 50 hectares, querem 150. Não é possível. Alguns dizem: “Aproveito a presidência do companheiro Evo, do irmão Evo, porque depois não haverá essa chance”.
- Como é o estado atual da unidade da Bolívia, sobretudo em relação a Santa Cruz de la Sierra? Os enfrentamentos de 2008 são coisa do passado?
- Antes se falava da meia lua. Isso acabou. Agora é a lua inteira. Nosso movimento se baseia na política do bem viver, não do viver melhor. Seu você quer viver melhor, tem que roubar, saquear os recursos, explorar. Isso nós podemos garantir porque meu partido, o dos mais pobres, dos camponeses indígenas originários, tem dois terços da Câmara de Deputados e dois terços da Câmara de Senadores. Isso nunca aconteceu na história da Bolívia. Há um sentimento popular que simpatiza com as mudanças profundas. E isso apesar das corridas aos bancos, que fracassaram. Ou do boicote para que falte açúcar ou azeite e para que joguem a culpa em cima de mim. Mas estamos sempre preparados para aprender errando, errando.
- Mauricio Macri disse que um dos problemas da Argentina, e repetiu isso, é o que chamou de “imigração descontrolada”. Como reagiu ao ouvi-lo?
- Respeitamos as opiniões de todos. Cada um tem direito a expressar o que pensa e o que sente. Mas somos todos latino-americanos. Todos somos sulamericanos. Temos a obrigação de compartilhar. Mas não só na Bolívia, também na Europa, na Espanha e em outros países o boliviano é visto como honesto e trabalhador. Veio aqui buscar melhores condições de vida. Mas também contribui para o desenvolvimento da Argentina. Assim ocorre sempre com as migrações. As externas e as internas. Na Bolívia vemos o que ocorre com os que chegam a Cochabamba, ou com os que vão de Potosi ou Oruro para Santa Cruz. Por isso, em Santa Cruz se encontra gente de origens tão diferentes. Vão trabalhar. Assim ajudam o desenvolvimento. Na América Latina ocorre o mesmo. Nos complementamos para viver juntos.
Tradução: Katarina Peixoto
segunda-feira, 20 de junho de 2011
LULA ACABOU COM A MISÉRIA NO BRASIL
LULA ACABOU COM A MISÉRIA NO BRASIL
Apenas por teimosia mais de 10 milhões vivem com R$ 39 por mês
Uma população estimada em 10,5 milhões de brasileiros - equivalente ao Estado do Paraná - vive em domicílios com renda familiar de até R$ 39 mensais por pessoa. São os mais miseráveis entre 16,267 milhões de miseráveis - quase a população do Chile - contabilizados pelo governo federal na elaboração do programa Brasil sem Miséria. Lançado no dia 3 de maio como principal vitrine política do governo Dilma Rousseff, o programa visa à erradicação da miséria ao longo de quatro anos.
Dados do Censo 2010 recém-divulgados pelo IBGE que municiaram a formatação do programa federal oferecem uma radiografia detalhada da população que vive abaixo da linha de pobreza extrema, ou seja, com renda familiar de até R$ 70 mensais por pessoa - que representam 8,5% dos 190 milhões de brasileiros.
A estimativa dos que sobrevivem com até R$ 39 mensais per capita é a soma dos 4,8 milhões de miseráveis que moram em domicílios sem renda alguma e 5,7 milhões de moradores em domicílios com rendimento de R$ 1 a R$ 39 mensais. Estima-se que outros de 5,7 milhões vivem com renda entre R$ 40 e R$ 70 mensais por pessoa da família.
Os números calculados pelo Estado são aproximados e levam em conta o número médio de 4,8 moradores por domicílio com renda familiar entre R$ 1 e R$ 70 mensais.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social com base no Censo 2010, há 4 milhões de domicílios miseráveis no País. Em 1,62 milhão desse total vivem famílias que não têm renda. Em 1,19 milhão de moradias a renda familiar é de R$ 1 a R$ 39 mensais per capita e em outro 1,19 milhão as famílias vivem R$ 40 a R$ 70.
Além da baixíssima renda, os extremamente pobres têm em comum o fato de viverem em domicílios com pelo menos um tipo de carência por serviços básicos, como energia elétrica, abastecimento de água, rede de saneamento ou coleta de lixo.
Ranking
O Estado com o maior número absoluto de miseráveis é a Bahia, onde estão 2,4 milhões, ou 14,8% da população extremamente pobre. Os baianos miseráveis são 17,7% dos habitantes do Estado.
No Maranhão, no entanto, está a maior proporção de miseráveis. Um em cada quatro moradores vive com renda familiar per capita entre zero e R$ 70 - um total de 1,7 milhão de pessoas, que representam 25,7% da população.
Seis Estados (PA, MA, CE, PE, BA e SP) têm, cada um, mais de 1 milhão de moradores em extrema pobreza. Juntos, eles concentram 9,4 milhões de miseráveis, ou 58% do total.
São Paulo. Estado mais populoso do País, São Paulo tem 1,084 milhão de pessoas que vivem em domicílios em situação de pobreza extrema - o que representa só 2,6% do total de habitantes.
A pesquisadora Lena Lavinas, do Instituto de Economia da UFRJ, especializada no estudo da pobreza, acredita que em um ano seja possível "alcançar as pessoas que, embora indigentes, ficaram de fora do programa Bolsa Família". "O importante é que não haja cotas ou limites para os municípios. Todas as pessoas devem ser cobertas." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Apenas por teimosia mais de 10 milhões vivem com R$ 39 por mês
Uma população estimada em 10,5 milhões de brasileiros - equivalente ao Estado do Paraná - vive em domicílios com renda familiar de até R$ 39 mensais por pessoa. São os mais miseráveis entre 16,267 milhões de miseráveis - quase a população do Chile - contabilizados pelo governo federal na elaboração do programa Brasil sem Miséria. Lançado no dia 3 de maio como principal vitrine política do governo Dilma Rousseff, o programa visa à erradicação da miséria ao longo de quatro anos.
Dados do Censo 2010 recém-divulgados pelo IBGE que municiaram a formatação do programa federal oferecem uma radiografia detalhada da população que vive abaixo da linha de pobreza extrema, ou seja, com renda familiar de até R$ 70 mensais por pessoa - que representam 8,5% dos 190 milhões de brasileiros.
A estimativa dos que sobrevivem com até R$ 39 mensais per capita é a soma dos 4,8 milhões de miseráveis que moram em domicílios sem renda alguma e 5,7 milhões de moradores em domicílios com rendimento de R$ 1 a R$ 39 mensais. Estima-se que outros de 5,7 milhões vivem com renda entre R$ 40 e R$ 70 mensais por pessoa da família.
Os números calculados pelo Estado são aproximados e levam em conta o número médio de 4,8 moradores por domicílio com renda familiar entre R$ 1 e R$ 70 mensais.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social com base no Censo 2010, há 4 milhões de domicílios miseráveis no País. Em 1,62 milhão desse total vivem famílias que não têm renda. Em 1,19 milhão de moradias a renda familiar é de R$ 1 a R$ 39 mensais per capita e em outro 1,19 milhão as famílias vivem R$ 40 a R$ 70.
Além da baixíssima renda, os extremamente pobres têm em comum o fato de viverem em domicílios com pelo menos um tipo de carência por serviços básicos, como energia elétrica, abastecimento de água, rede de saneamento ou coleta de lixo.
Ranking
O Estado com o maior número absoluto de miseráveis é a Bahia, onde estão 2,4 milhões, ou 14,8% da população extremamente pobre. Os baianos miseráveis são 17,7% dos habitantes do Estado.
No Maranhão, no entanto, está a maior proporção de miseráveis. Um em cada quatro moradores vive com renda familiar per capita entre zero e R$ 70 - um total de 1,7 milhão de pessoas, que representam 25,7% da população.
Seis Estados (PA, MA, CE, PE, BA e SP) têm, cada um, mais de 1 milhão de moradores em extrema pobreza. Juntos, eles concentram 9,4 milhões de miseráveis, ou 58% do total.
São Paulo. Estado mais populoso do País, São Paulo tem 1,084 milhão de pessoas que vivem em domicílios em situação de pobreza extrema - o que representa só 2,6% do total de habitantes.
A pesquisadora Lena Lavinas, do Instituto de Economia da UFRJ, especializada no estudo da pobreza, acredita que em um ano seja possível "alcançar as pessoas que, embora indigentes, ficaram de fora do programa Bolsa Família". "O importante é que não haja cotas ou limites para os municípios. Todas as pessoas devem ser cobertas." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
CODIGO FLORESTAL DO DESMATAMENTO
Sobre a aprovação do código pelos mui “dignos” deputados federais.
Não se trata de ser a favor ou contra ambientalistas, ongs ou contra paises que defendem a preservação da Amazônia, mesmo sabendo que estes últimos estão mesmo é de olho nesta formidável riqueza que a natureza nos deu e que infelizmente não estamos sabendo preservar. O espalhafatoso Celso Ming e a “angelical” Marina nunca passaram de perfeitos idiotas incompetentes que não souberam ou não puderam usar o cargo de ministros do Meio Ambiente para acabar de vez com os criminosos desmatadores e madereiros destruidores de nossa Amazônia e de nosso Cerrado. 98% das ongs estão mesmo interessadas é em nossa biodiversidade e fabulosa riqueza mineral daquela região. Estão a serviço de interesses de outros paises, dos grandes laboratórios de pesquisas farmacêuticas, e das grande multinacionais da mineração Trabalham também com os grandes contrabandistas de ouro, pedras preciosas e hervas medicinais e eles são bem conhecidos e tem sido tolerados pelos nossos governos desde tempos imemoriais.
O livro de John Perkins, “confissões de um espião assassino”. é muito elucidativo, mostrando como as multinacionais e grandes grupos econômicos sabem coaptar os grandes cérebros pensantes. Ele mesmo o foi. Aluno brilhante, ainda jovem foi contratado por estas grande empresas. O remorso por tantas iniqüidades cometidas pelas multinacionais o levou a planejar escrever um livro contando tudo que sabia, e sabia demais. Ele mesmo cita como foi abordado para não escrever sobre tantos escabrosos negócios das multinacionais, corrompendo governos, políticos influentes para explorar ao máximo, política e financeira mente estes pobres paises. Recebeu inclusive ameaças, aconselhando-o a ficar quietinho. Em suas confissões mostra como atuou no Equador, Indonésia, Iran, etc., sempre a serviço destes grupos imperialistas. Basta lê-lo para saber como também estão atuando em nosso país.Por aquí poderíamos ridiculamente comparar os que o coaptaram com os membros do agrobanditismo (agronegócio) coaptando os Aldo Rabelos da vida, deputados federais, mídia e outros dirigentes políticos para aprovarem o dito código florestal.É de se observar como os meios de comunicação e os ruralistas fizeram questão de só citarem os pequenos agricultores como os que seriam seriamente prejudicados e que muitos poderiam inclusive perder suas terras. Nunca se viu tanto cinismo e mentiras dos agentes do agrobanditismo.
Trabalho com o MPA ( Movimento dos Pequenos Agricultores) a mais ou menos 10 anos, conheço centenas de pequenas propriedades e raramente se encontra alguma delas que não tenha sua reserva florestal preservada ou que não respeite as margens dos rios. Não plantam soja, algodão ou milho nas beiras dos rios e portanto não os poluem com os agrotóxicos usados largamente pelo agrobanditismo em suas extensas lavouras. O mesmo não se pode dizer do agrobanditismo que só querem o enriquecer rápido mesmo que seja ás custas da destruição das matas e nascente d’água e pouco se importando com o futuro . Para dar um exemplo: viajando de Vianópolis a Caldas Novas, neste pequeno pedaço de chão, pode-se constatar o criminoso desmatamento realizado pelos grandes produtores do agronegócio que não respeitaram nem as nascentes d’água. Quem conheceu aquela região a 20 0u 30 anos atrás lembra-se como o pequeno camponês aliava o cultivo da terra à preservação das matas e das grandes arvores. Foi muito sintomático a mídia e os deputados, inclusive Aldo Rabelo não usarem o nome do agronegócio quando defendiam o código florestal. Foi uma tática para enganar os desavisados, pois quem estava interessado mesmo na aprovação do código era a bancada ruralista e outros a serviço do agrobanditismo.
Outro livro interessante é o de Greg Palast, escritor estadunidense em seu livro “A Melhor Democracia que o Dinheiro pode Comprar”, ele é tão claro como John Perkins, mostrando como agem as grandes multinacionais, como subornam presidentes e outro dirigentes para conseguirem seus objetivos, tudo com provas documentais. Teve que passar a residir na Inglaterra pois nos Estados Unidos não conseguia publicar seus artigos e pesquizas. Sofria um boicote completo da mídia estadunidense.
Portanto não é de se estranhar que o agrobanditismo tenha coaptado Aldo Rabelo e seu partido para desempenharem o triste papel na questão do código florestal e em outros casos tão escabrosos como este. Aliás o PCdoB hoje poderia perfeitamente como já disse anteriormente se juntar ao PSDB e DEM para formarem um único partido.
Podese dizer que para aumentar nossa produtividade de grãos não é necessário desmatar a Amazônia e nem o Cerrado, basta aproveitar as áreas de pastagem não utilizadas que somam milhões de hectares. Poderão então juntos com a Monsanto, Bung, Cargill e outras se locupletarem á vontade.
Não é questão de seguir a cabeça de alguns ambientalistas que são contra por serem contra o governo ou mesmo alguns porra loucas. Seguimos os verdadeiros ambientalistas, porque também o somos, mas para defender os interesses nacionais.
Nos Estados Unidos os grupos financeiros gastaram e gastam milhões e milhões de dólares para elegerem os Kenedys, Bushs, Reagan, Bil Clinton, Obamas, deputados e outros, todos eles comprometidos com os interesses financeiros desta, multinacionais. Quase todos ex-presidentes passaram, após saírem do governo, a ocupar altos cargos executivos nestas empresas. As multinacionais estadunidenses atuam em todos os setores e países, inclusive os do primeiro mundo. Na Inglaterra durante o governo da “dama de ferro” Margarethe Tatcher, 80% da empresa estatal de energia elétrica foi comprado por companhias esadunidenses.
Cito estes exemplos para mostrar o que, em ponto relativamente menor, pode fazer a elite dominante do Brasil. Palocci não amealhou 20 milhões de reais em apenas 10 anos? Neste enriquecimento estão incluídos os agrobandidos do agronegócio e desmatadores. Mantém governos subservientes, ministros altamente comprometidos com interesses que não o de seu país e uma bancada ruralista que chega a causar entojo nos mais resistentes aparelhos digestivos. Como disse anteriormente, terras agricultáveis nós temos sobrando para satisfazer todas as necessidades da agricultura de nosso país. Não é necessário a destruição de nossa Amazônia pelos criminosos desmatadores e e agrobanditismo. Pior ainda é o frio e permissível assassinato das varias lideranças camponesas que defendem o extrativismo mas com a preservação das matas. O judiciário sabe perfeitamente quem são os assassinos e seus mandantes que permanecem impunes como acontece com 98% dos mandantes. Nós também sabemos que são os desmatadores e os agrobandidos do agronegócio os envolvidos nestas chacinas contra homens e mulheres, honestos trabalhadores rurais.O judiciário se preocupa em puni-los?
Outra coisa, porque não se faz a reforma agrária em nosso país? Alguém precisa de 5,10, 50, 100.000, ou mais mil alqueires goianos de terra para sobreviver? Nas mãos de quem deveria estar estas terra? Sabem todos, principalmente o governo que são os pequenos agricultores e os assentados do MST, com até 30 alqueires goianos os responsáveis pelo feijão, arroz, mandioca, carne de aves ou bovinas, leite, queijo, verduras, legumes, etc produzidos para o consumo da população brasileira. Os agrobandidos do agronegócio produzem apenas para exportação. Muitos deles nem brasileiros são e o dinheiro que recebem em sua maioria permanece no estrangeiro.
Concluindo, pode-se dizer que esta elite financeira dominante faz no Brasil, o mesmo que seus congêneres estadunidenses, Agem da mesma maneira. A defesa que fazem do código florestal é indefensável e sabemos muito bem que rios de dinheiro e cargos nos 1º e 2º escalão do governo estão financiando e comprando seus defensores, como o fazeram com o antigo e combativo PCdoB, hoje transformado num banco de negócios.
Analisando estes fatos passamos a entender porque a elite dominante nunca permitiu que o grande estadista Leonel de Moura Brizola se tornasse presidente da república. Embora defensor do capitalismo, ele jamais permitiria tais crimes contra nossa natureza e os escorchantes juros da dívida interna que vão para os bolsos desta poucas famílias que formam a citada elite dominante.
Na linha de pensamento de Brizola, sabe se que é politicamente indefensável a atuação do agronegócio. Produzem apenas para exportação e para rolar suas dívidas nem sempre saldadas com o governo. São os eternos caloteiros prejudicando o pobre contribuinte brasileiro. Atuam sempre desmatando o Cerrados, as matas virgens e aterrando as nascentes d’água.
A defesa da natureza é uma política correta e independente de ideologias políticas. Nos dois campos ideológicos, tanto do capitalismo como do socialismo encontram-se defensores intransigentes dos bens com que a natureza nos privilegiou, que são as exuberantes matas virgens e grande reservas de água doce, as duas,praticamente uma das últimas do universo. A política destrutiva do agrobanditismo e seus subornados, é indefensável. Devemos analizar os fatos do ponto de vista da sobrevivência da espécie animal e vegetal bem como do ponto de vista histórico. A história nos mostra o que ocorreu na Indonésia e outros países asiáticos, que perderam seus bens naturais para enriquecer meia duzia de criminosos desmatadores. As mesmas madeireiras do sudeste asiático estão hoje no Brasil graças á incúria e falta de caráter de nossos governantes dos três poderes.
Não se trata de ser sectário, de condenar gente honesta, mas temos a obrigação e o dever de sermos radicais e intransigentes quando se trata da preservação de bens não renováveis. Nossas florestas, nosso cerrado e as nascentes d’água não podem ser destruídos.
È uma obrigação dos intelectuais, dos que tiveram o privilégio de estudar, muitos dos quais fizeram cursos superiores de estar com a verdade, enxergar e conhecer os desastres que o agronegócio está nos causando através dos tempos. Comopreender que estes criminosos só pensam no enriquecimento rápido e no imediatismo pois o que virá no futuro não tão distante, pouco lhes interessa.
Como disse anteriormente, os governantes são os principais responsáveis por não tolher a atuação desses irresponsáveis do agronegócio e desmatadores
Ser contra o desmatamento e contra o agrobanditísmo é ser patriota.
Deixem nossas matas intocáveis, delas vamos apenas retirar pelo extrativismo a fonte de renda para as populações nativas e as ervas medicinais para pesquisas laboratoriais.
Blasco Miranda de Ourofino
Caldas Novas Goias
Não se trata de ser a favor ou contra ambientalistas, ongs ou contra paises que defendem a preservação da Amazônia, mesmo sabendo que estes últimos estão mesmo é de olho nesta formidável riqueza que a natureza nos deu e que infelizmente não estamos sabendo preservar. O espalhafatoso Celso Ming e a “angelical” Marina nunca passaram de perfeitos idiotas incompetentes que não souberam ou não puderam usar o cargo de ministros do Meio Ambiente para acabar de vez com os criminosos desmatadores e madereiros destruidores de nossa Amazônia e de nosso Cerrado. 98% das ongs estão mesmo interessadas é em nossa biodiversidade e fabulosa riqueza mineral daquela região. Estão a serviço de interesses de outros paises, dos grandes laboratórios de pesquisas farmacêuticas, e das grande multinacionais da mineração Trabalham também com os grandes contrabandistas de ouro, pedras preciosas e hervas medicinais e eles são bem conhecidos e tem sido tolerados pelos nossos governos desde tempos imemoriais.
O livro de John Perkins, “confissões de um espião assassino”. é muito elucidativo, mostrando como as multinacionais e grandes grupos econômicos sabem coaptar os grandes cérebros pensantes. Ele mesmo o foi. Aluno brilhante, ainda jovem foi contratado por estas grande empresas. O remorso por tantas iniqüidades cometidas pelas multinacionais o levou a planejar escrever um livro contando tudo que sabia, e sabia demais. Ele mesmo cita como foi abordado para não escrever sobre tantos escabrosos negócios das multinacionais, corrompendo governos, políticos influentes para explorar ao máximo, política e financeira mente estes pobres paises. Recebeu inclusive ameaças, aconselhando-o a ficar quietinho. Em suas confissões mostra como atuou no Equador, Indonésia, Iran, etc., sempre a serviço destes grupos imperialistas. Basta lê-lo para saber como também estão atuando em nosso país.Por aquí poderíamos ridiculamente comparar os que o coaptaram com os membros do agrobanditismo (agronegócio) coaptando os Aldo Rabelos da vida, deputados federais, mídia e outros dirigentes políticos para aprovarem o dito código florestal.É de se observar como os meios de comunicação e os ruralistas fizeram questão de só citarem os pequenos agricultores como os que seriam seriamente prejudicados e que muitos poderiam inclusive perder suas terras. Nunca se viu tanto cinismo e mentiras dos agentes do agrobanditismo.
Trabalho com o MPA ( Movimento dos Pequenos Agricultores) a mais ou menos 10 anos, conheço centenas de pequenas propriedades e raramente se encontra alguma delas que não tenha sua reserva florestal preservada ou que não respeite as margens dos rios. Não plantam soja, algodão ou milho nas beiras dos rios e portanto não os poluem com os agrotóxicos usados largamente pelo agrobanditismo em suas extensas lavouras. O mesmo não se pode dizer do agrobanditismo que só querem o enriquecer rápido mesmo que seja ás custas da destruição das matas e nascente d’água e pouco se importando com o futuro . Para dar um exemplo: viajando de Vianópolis a Caldas Novas, neste pequeno pedaço de chão, pode-se constatar o criminoso desmatamento realizado pelos grandes produtores do agronegócio que não respeitaram nem as nascentes d’água. Quem conheceu aquela região a 20 0u 30 anos atrás lembra-se como o pequeno camponês aliava o cultivo da terra à preservação das matas e das grandes arvores. Foi muito sintomático a mídia e os deputados, inclusive Aldo Rabelo não usarem o nome do agronegócio quando defendiam o código florestal. Foi uma tática para enganar os desavisados, pois quem estava interessado mesmo na aprovação do código era a bancada ruralista e outros a serviço do agrobanditismo.
Outro livro interessante é o de Greg Palast, escritor estadunidense em seu livro “A Melhor Democracia que o Dinheiro pode Comprar”, ele é tão claro como John Perkins, mostrando como agem as grandes multinacionais, como subornam presidentes e outro dirigentes para conseguirem seus objetivos, tudo com provas documentais. Teve que passar a residir na Inglaterra pois nos Estados Unidos não conseguia publicar seus artigos e pesquizas. Sofria um boicote completo da mídia estadunidense.
Portanto não é de se estranhar que o agrobanditismo tenha coaptado Aldo Rabelo e seu partido para desempenharem o triste papel na questão do código florestal e em outros casos tão escabrosos como este. Aliás o PCdoB hoje poderia perfeitamente como já disse anteriormente se juntar ao PSDB e DEM para formarem um único partido.
Podese dizer que para aumentar nossa produtividade de grãos não é necessário desmatar a Amazônia e nem o Cerrado, basta aproveitar as áreas de pastagem não utilizadas que somam milhões de hectares. Poderão então juntos com a Monsanto, Bung, Cargill e outras se locupletarem á vontade.
Não é questão de seguir a cabeça de alguns ambientalistas que são contra por serem contra o governo ou mesmo alguns porra loucas. Seguimos os verdadeiros ambientalistas, porque também o somos, mas para defender os interesses nacionais.
Nos Estados Unidos os grupos financeiros gastaram e gastam milhões e milhões de dólares para elegerem os Kenedys, Bushs, Reagan, Bil Clinton, Obamas, deputados e outros, todos eles comprometidos com os interesses financeiros desta, multinacionais. Quase todos ex-presidentes passaram, após saírem do governo, a ocupar altos cargos executivos nestas empresas. As multinacionais estadunidenses atuam em todos os setores e países, inclusive os do primeiro mundo. Na Inglaterra durante o governo da “dama de ferro” Margarethe Tatcher, 80% da empresa estatal de energia elétrica foi comprado por companhias esadunidenses.
Cito estes exemplos para mostrar o que, em ponto relativamente menor, pode fazer a elite dominante do Brasil. Palocci não amealhou 20 milhões de reais em apenas 10 anos? Neste enriquecimento estão incluídos os agrobandidos do agronegócio e desmatadores. Mantém governos subservientes, ministros altamente comprometidos com interesses que não o de seu país e uma bancada ruralista que chega a causar entojo nos mais resistentes aparelhos digestivos. Como disse anteriormente, terras agricultáveis nós temos sobrando para satisfazer todas as necessidades da agricultura de nosso país. Não é necessário a destruição de nossa Amazônia pelos criminosos desmatadores e e agrobanditismo. Pior ainda é o frio e permissível assassinato das varias lideranças camponesas que defendem o extrativismo mas com a preservação das matas. O judiciário sabe perfeitamente quem são os assassinos e seus mandantes que permanecem impunes como acontece com 98% dos mandantes. Nós também sabemos que são os desmatadores e os agrobandidos do agronegócio os envolvidos nestas chacinas contra homens e mulheres, honestos trabalhadores rurais.O judiciário se preocupa em puni-los?
Outra coisa, porque não se faz a reforma agrária em nosso país? Alguém precisa de 5,10, 50, 100.000, ou mais mil alqueires goianos de terra para sobreviver? Nas mãos de quem deveria estar estas terra? Sabem todos, principalmente o governo que são os pequenos agricultores e os assentados do MST, com até 30 alqueires goianos os responsáveis pelo feijão, arroz, mandioca, carne de aves ou bovinas, leite, queijo, verduras, legumes, etc produzidos para o consumo da população brasileira. Os agrobandidos do agronegócio produzem apenas para exportação. Muitos deles nem brasileiros são e o dinheiro que recebem em sua maioria permanece no estrangeiro.
Concluindo, pode-se dizer que esta elite financeira dominante faz no Brasil, o mesmo que seus congêneres estadunidenses, Agem da mesma maneira. A defesa que fazem do código florestal é indefensável e sabemos muito bem que rios de dinheiro e cargos nos 1º e 2º escalão do governo estão financiando e comprando seus defensores, como o fazeram com o antigo e combativo PCdoB, hoje transformado num banco de negócios.
Analisando estes fatos passamos a entender porque a elite dominante nunca permitiu que o grande estadista Leonel de Moura Brizola se tornasse presidente da república. Embora defensor do capitalismo, ele jamais permitiria tais crimes contra nossa natureza e os escorchantes juros da dívida interna que vão para os bolsos desta poucas famílias que formam a citada elite dominante.
Na linha de pensamento de Brizola, sabe se que é politicamente indefensável a atuação do agronegócio. Produzem apenas para exportação e para rolar suas dívidas nem sempre saldadas com o governo. São os eternos caloteiros prejudicando o pobre contribuinte brasileiro. Atuam sempre desmatando o Cerrados, as matas virgens e aterrando as nascentes d’água.
A defesa da natureza é uma política correta e independente de ideologias políticas. Nos dois campos ideológicos, tanto do capitalismo como do socialismo encontram-se defensores intransigentes dos bens com que a natureza nos privilegiou, que são as exuberantes matas virgens e grande reservas de água doce, as duas,praticamente uma das últimas do universo. A política destrutiva do agrobanditismo e seus subornados, é indefensável. Devemos analizar os fatos do ponto de vista da sobrevivência da espécie animal e vegetal bem como do ponto de vista histórico. A história nos mostra o que ocorreu na Indonésia e outros países asiáticos, que perderam seus bens naturais para enriquecer meia duzia de criminosos desmatadores. As mesmas madeireiras do sudeste asiático estão hoje no Brasil graças á incúria e falta de caráter de nossos governantes dos três poderes.
Não se trata de ser sectário, de condenar gente honesta, mas temos a obrigação e o dever de sermos radicais e intransigentes quando se trata da preservação de bens não renováveis. Nossas florestas, nosso cerrado e as nascentes d’água não podem ser destruídos.
È uma obrigação dos intelectuais, dos que tiveram o privilégio de estudar, muitos dos quais fizeram cursos superiores de estar com a verdade, enxergar e conhecer os desastres que o agronegócio está nos causando através dos tempos. Comopreender que estes criminosos só pensam no enriquecimento rápido e no imediatismo pois o que virá no futuro não tão distante, pouco lhes interessa.
Como disse anteriormente, os governantes são os principais responsáveis por não tolher a atuação desses irresponsáveis do agronegócio e desmatadores
Ser contra o desmatamento e contra o agrobanditísmo é ser patriota.
Deixem nossas matas intocáveis, delas vamos apenas retirar pelo extrativismo a fonte de renda para as populações nativas e as ervas medicinais para pesquisas laboratoriais.
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