domingo, 11 de abril de 2010

VALE A PENA LER

Depoimento de um brasileiro que viveu três anos em Cuba
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28 Março 2010
Classificado em Opinião - Internacional
Crédito: brasil.indymedia.org

Por Guilherme Soares, 23/03/2010

Por Guilherme Soares Silveira Bueno

Eu gostaria de me expressar um pouco aqui sobre os comentários desta recém famosa blogueira cubana (Yioani Sánchez). Eu sou saxofonista, morei três anos na ilha, sem visitar o Brasil neste período, estudei música no ISA (Instituto Superior de Arte de Havana), antigo clube de campo dos turistas norte-americanos antes de 1959.

Fiquei a maioria do tempo em Havana, onde eu estudava,mas em um dos períodos de férias, com a mochila nas costas e pedindo carona, atravessei durante quase dois meses a ilha inteira, de ponta a ponta, passando por todas as capitais e outros lugares, como Placetas, Puerto Padre, Mayarí e Chivirico.

Tentei me manter o mais longe possível dos programas turísticos, pois queria conhecer a Cuba vivida pelos cubanos. Nos três anos em que lá estive, minha convivência foi basicamente com os cubanos, no ISA não tem muitos estrangeiros e eu era o único brasileiro.

Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer que considero o conteúdo do blog desta cubana uma piada pra quem já viveu em Cuba. Ela criticou a educação em Cuba? O sistema de saúde cubano? A violência na ilha? Não minha gente, não, isso só pode ser piada. Voltei há sete meses de Havana e ontem estava em um consultório médico quando resolvi folhear a droga da revista da manipuladora VEJA e lá estava a blogueira. Escreveu que foi agredida numa manifestação contra a violência.

Manifestação contra a violência em Cuba? Nossa meus amigos, sinto muito, eu vivi três anos na ilha, sou músico, portanto, freqüentava muito os bares nas noitadas de Havana (sempre regadas de muita música), andando por toda a cidade durante a madrugada: foram três anos, e nesses três anos e eu não vi nem sequer uma briga, nem sequer um tapa, nem sequer um puxão de cabelo, e essa cubana me vem dizer que estava numa manifestação contra a violência? Só pode ser piada mesmo.

Até mesmo os cubanos que são contra o regime (na sua imensa maioria jovens que não viveram o país antes de 1959 e que sonham em ir para os EUA, enriquecer, comprar carros luxuosos, jóias, mansões, roupas de grife, etc.) sempre me diziam nas discussões: "Isso é verdade, aqui não deixam ninguém morrer, se você tem algum problema eles te curam" ou "Aqui não precisa ficar preocupado, se tem alguma coisa de bom em Cuba é que é um lugar seguro, aqui não tem a violência do seu país" ou "É verdade, aqui te dão educação grátis e de excelente qualidade, mas não te deixam prosperar, o que significava ganhar muito dinheiro, enriquecer e consumir. Esse desejo surgiu ou intensificou a partir do contato com os milhares de turistas que a ilha recebe por ano e, como o próprio Fidel Castro diz, o turismo foi um mal necessário. Prosperar para nós não é conhecer, aprender e produzir e sim ganhar mais e mais dinheiro para consumir cada vez mais".

Que tristeza ver no que nos transformamos, estamos perdendo a essência do ser humano para enraizar uma essência de consumo, destruindo cada vez mais o nosso planeta e se importando cada vez menos com as milhares de pessoas que não têm nem um prato de comida na mesa, quando têm mesa.

É triste pensar que tantas pessoas que lutaram muito durante uma época bastante conturbada em nosso país, só estavam lutando contra uma ditadura e não contra a desigualdade social, a exploração das pessoas, a miséria, a falta de moradia, a fome. Já em Cuba é muito fácil perceber que estas lutas são claramente as prioridades do governo cubano, se necessita muita falta de sensibilidade para não enxergar isso. Uma das primeiras coisas que me chamou a atenção quando cheguei em Havana, foi a aparência das pessoas que encontrava pelas ruas.

Percebi que todos tinham uma boa pele, os dentes brancos e em perfeito estado. Tinham a aparência de pessoas fortes e como são fortes os cubanos. Altos e fortes. Logo pensei: "Ué! cadê a fome? Acredito que gente que passa fome, não cresce tanto. Notei isso em todos os lugares que passei, em muitas outras províncias, e não somente em Havana.

Moro na cidade de São Paulo, já viajei para vários outros Estados, e em todas as capitais vi crianças pedindo esmola no farol, crianças morando em baixo de viaduto, crianças vagando pela cidade em plena madrugada.

Eu andei aquela ilha toda e as crianças que encontrei usavam uniforme, o que significava que eram escolares, e caminhavam acompanhadas pelo pai ou pela mãe ou por ambos. Uma vez, indo para Alamar um cartaz na rodovia exibia o índice mundial de crianças que passavam fome e terminava com a seguinte afirmação: "Nenhuma delas é cubana". Eu não vi fome naquele lugar, não vi ninguém esbanjando comida na geladeira, é verdade, mas fome eu não vi. Gente que não toma café, almoça e janta todos os dias? Isso não existe em Cuba.

Nas vezes em que precisei de atendimento médico em Cuba, fui atendido mais rapidamente e melhor que no hospital São Luiz, mesmo tendo aqui um plano de saúde que não é top de linha, mas está logo abaixo. Lá, não tive que pagar pelo atendimento mesmo sendo estrangeiro.

Um amigo espanhol, que estudou comigo, tratou inclusive dos dentes, já que lá todo tratamento é gratuito e na Espanha, assim como no Brasil, a maioria dos planos de saúde não cobre o tratamento dentário. Eu só queria ver essa blogueira na fila do SUS esperando pra fazer uma cirurgia importante, sem saber quando será realizada.

Uma das acusações mais comuns dirigidas ao governo Cubano, é o cerceamento da liberdade de expressão, a frase "liberdade de expressão" virou um slogan contra o regime cubano. Do meu ponto de vista, nada mais contraditório que um brasileiro criticando a liberdade de expressão em Cuba.

O Brasil atualmente, segundo dados de 2008 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, possui 10,0% (cerca de 19,1 milhões) de analfabetos e 21,0% (cerca de 40 milhões) de analfabetos funcionais (só sabem assinar o nome). O primeiro passo para a extensão da plena liberdade de expressão de toda a população é a educação. Se um País não dá a possibilidade à grande parte da população (os abaixo da linha da pobreza) para aprender a ler, a escrever, a adquirir conhecimento, a fazer esportes, a aprender formas de arte, se um país não oferece condições mínimas de vida a uma grande massa da população obrigando-a a se preocupar, cotidiana e diuturnamente, apenas com o risco de não ter uma ração alimentar mínima, por falta de dinheiro, está CERCEANDO as possibilidades de liberdade de expressão, que passa ser privilégio dos bem aquinhoados.

Além disso, qual liberdade de expressão nós temos no Brasil? Fora poucas revistas que são lidas por uma minoria quase insignificante, qual o grande meio de comunicação que atinge as grandes massas e que divulgam além do que os grandes conglomerados jornalísticos permitem que seja divulgado?

E tudo isso com um agravante, o mundo cerca a ilha e "ninguem" quer que aquilo dê certo. Depois da queda da União Sovietica, Cuba, que economicamente era dependente do seu governo (recebia cerca de 4 a 6 bilhões de dólares anuais em 1990), ficou sem nada, em situação social de calamidade, o chamado "Período Especial", de 1990 a 1996. É preciso analisar toda a evolução de um país que não tinha nada naquela epoca e hoje mantém uma qualidade de vida, em termos de necessidades essenciais como moradia, saúde, educação e cultura que Cuba tem, você vai ver que não existe país no mundo que melhorou tanto e segue melhorando.

Seu PIB é de 51 bilhões de dólares (o do Brasil é de 2 trilhões de dólares) e, mesmo assim, Cuba ostenta um alto Índice de Desenvolvimento Humano (acima de 0,800); em 2007 o IDH de Cuba foi 0,863 (51° lugar ? 44º se ajustado pelo PNB). Com uma renda tão baixa, se o governo fosse corrupto, o país não seguiria nesta direção, nós brasileiros deviamos saber bem disso. Desenvolvimento econômico não está necessariamente ligado ao desenvolvimento social e Cuba provou isso.

A ilha consegue esse alto indice de desenvolvimento humano no seu país sem instalar grandes corporações, como acontece na maioria esmagadora dos países de terceiro mundo, onde podem pagar um salario baixissimo para seus funcionarios, sugar a materia prima e pagar baixos impostos.

Pelo contrario, Cuba ainda exporta milhares de médicos, que viajam em missões de solidariedade para centenas de lugares do mundo todo, em países onde se o sistema de saúde não é ruím, ele simplesmente não existe. Mas sobre isso a VEJA não faz uma reportagem, também não faz uma reportagem sobre os milhares de estudantes de classes sociais muito baixas, que provêem de todos os países latino-americanos, inclusive brasileiros, que vão para Cuba estudar medicina e outras centenas em outros cursos, todos eles financiados pelo governo cubano, ganhando moradia, salário mensal, café, almoço, jantar e produtos para higiene pessoal.

Todos esses estudantes estão se formando em Cuba sem pagar um centavo. A universidade de medicina de Cuba é uma das mais bem conceituadas no mundo e a sua valorização em âmbitos internacionais é muito maior que as universidades brasileiras, um médico cubano na Europa consegue trabalho sem dificuldades mesmo nos dias dificeis que vivemos, isso porque o sistema público de saúde cubano é considerado um dos mais eficazes do mundo.

Ainda assim os mais de mil estudantes brasileiros que estão se formando em Cuba estão encontrando dificuldades para validar seus diplomas no Brasil, sob a alegação de que os brasileiros que estudam em instituições cubanas se formam medicos generalistas básicos; todos os que conhecem o curso que eles fazem em Cuba sabem que isso é uma grande mentira, o que ninguem publica é a verdade, a verdade é que medicina no Brasil é coisa para quem tem dinheiro para pagar, a grande minoria. Com a chegada de médicos brasileiros formados em Cuba, com o projeto de suprir cerca de mil vagas de médicos em comunidades indigenas no interior do país, essa tradição começa a ser rompida e aumenta a tendência de um barateamento no sistema médico do país, mas não, para a maioria do congresso é melhor as pessoas continuarem morrendo do que os custos médicos serem mais baratos

Se eu fosse citar todas as vantagens que a ilha tem sobre nós eu teria que parar de tocar saxofone para me dedicar a escrever um livro, descrevendo todos os detalhes que, na verdade, não são tão detalhes assim, mas que passam despercebidos pelos olhares de muitas pessoas que viajam para lá com uma visão preconceituosa, elitista e não percebem coisas simples, como as crianças brincando pelas ruas de Havana, correndo pra cima e pra baixo, sem sequer seus pais se preocuparem; não importa se têm 5, 10 ou 15 anos, nada vai acontecer com eles lá fora, nenhum menino de 9 anos vai fumar crack e muito menos vender quinquilharias nas esquinas: isso não chega lá, as crianças em Cuba estão na escola, onde elas devem estar.

O narcotráfico, um dos maiores problemas mundiais, em Cuba não entra, o tráfico de drogas é praticamente inexistente se comparado com o restante do mundo, não há droga nos bares ou nas festas frequentadas pelos jovens cubanos, assim como não há as propagandas massivas de bebidas alcoólicas.

Cultura transborda por todos os cantos, teatros, festivais de cinema, poesia, pintura e música estão por todas as partes e os preços dos espetáculos são acessíveis a todos os cidadãos. Tudo isso muita gente não percebe, isso a VEJA não publica, mas quando aparece uma pessoa com afirmações absurdas sobre a ilha, sem nenhuma fonte confiável para provar o que diz, aí sai na primeira pagina em todos os meios de comunicação, essa passa a ser a grande noticia do nosso país, cheio de "liberdade de expressão".

É facil para um brasileiro que vive em São Paulo, no Morumbi, na Vila Olimpia, em Ipanema ou na Barra da Tijuca sair criticando a ilha e dizendo que aqui está melhor que lá. Claro que sim! Minha familia é de classe média e eu também vivo melhor que os cubanos, mas quantos brasileiros vivem como a gente?

Existem milhões e milhões de brasileiros que dariam a vida para ter as oportunidades que o governo cubano dá para seu povo, para ter uma casa como todos os cubanos têm, para ter atendimento médico gratuito de excelente qualidade, para não ter que se preocupar com a escola dos seus filhos, para ter um prato de comida em cima da mesa. Mas não, nós, cegos, preferimos reparar que lá não tem carne de vaca, que só tem carne de frango, peixe e carne porco, que a variedade dos alimentos não é grande como a nossa ou que eles não têm dinheiro pra comprar um Nike, um IPod.

Vocês devem estar se perguntando se eu não tenho nenhuma critica negativa sobre a ilha, eu digo que é obvio que eu tenho varias, com certeza até mesmo o Fidel Castro tem varias criticas negativas ao seu governo.

A questão não são os erros que eles cometeram ou os acertos, a questão é que a luta do governo cubano é pela melhoria na qualidade de vida de todas as pessoas, é um governo que luta pelo seu povo e faz o impossível para manter todas as condições básicas para o ser humano viver com dignidade.

E tudo isso junto com o bloqueio comercial imposto pelos EUA que impede que o avanço na qualidade de vida dos cubanos siga em ritmo mais acelerado. Não é o Fidel que faz mal para a ilha, quem faz mal para a ilha somos todos nós, que a cercamos, a excluímos e seguimos prejudicando-os com nossas políticas internacionais que prejudicam um país que carece de muitos recursos financeiros.

Nós não podemos esquecer de que, antes de fazer criticas sobre a conduta do governo cubano para com seu povo, temos que pensar primeiro no contexto político que viveu e vive a ilha de Cuba; um erro pode significar o fim de mais de cinqüenta anos de luta pela soberania de um povo, o fim de uma população saudável e muito bem educada.

Lembrem-se de que o Haiti já foi o país com a melhor qualidade de vida da América Latina, situação que durou até a politica inglesa "América para os americanos": hoje o Haiti é o país mais pobre da América.

Antes de criticar as limitações impostas pelo governo para a saída dos cubanos do país, informem-se. Em primeiro lugar, os cubanos que tentam visitar familiares nos EUA assim como cubanos que vivem nos EUA e tentam visitar os familiares em Cuba, encontram muito mais resistência por parte do governo norte-americano do que por parte do governo cubano.

Essa resistência se dá pelo fato do governo norte-americano pressionar os cubanos que querem visitar seus familiares a assumir a nacionalidade norte-americana; como muitos só querem ir visitar a familia nos EUA e depois voltar, acabam tendo muita dificuldade para conseguir o visto. O mesmo acontece com outros países que impõem milhares de restrições para evitar que o cubano consiga o visto para a viagem.

Quem já viveu em Cuba um tempo razoável sabe que isto é verdade, inclusive na televisão cubana passam propagandas insistindo para os norte-americanos liberarem os cubanos que lá vivem para visitar seus familiares em Cuba. Em Cuba existe uma lei que diz que se um cubano sair de Cuba como turista, ele pode ficar, no máximo, onze meses fora do País e, se esse tempo for ultrapassado, ele perde a nacionalidade por um tempo limitado. Muitas pessoas também não compreendem isso.

Lembrem-se que Cuba é um regime Socialista, lá tudo é do Estado e o Estado garante todas as necessidades basicas da população (moradia, comida, educação e saúde); seria injusto que um cubano viajasse, trabalhasse fora, ganhasse bastante dinheiro, e depois voltasse para Cuba usufruir de todas essas vantagens, mas sem contribuir com nada. O Estado é o povo, o povo é o Estado. Com relativa frequência, muito cubanos que viajam para Espanha ou outros países não voltam mais, pois logo conseguem um bom emprego, graças a excelente educação que tiveram em Cuba, mas os filhos ficam em Cuba.

Quando você pergunta porque eles não foram também, te respondem: "Ah! lá a escola é muito cara, eu não teria condições de pagar". Muitos destes cubanos ainda têm a cara-de-pau de criticar o governo do seu país. Eu acho que não precisa de muito para perceber que isso não está correto.

Eu gostaria de saber quando é que a gente vai parar de aceitar que todos esses meios de comunicação nos manipulem, na defesa dos interesses de uma elite que não se importa com ninguém além dela mesma. Quando vamos parar de prestar atenção nesses canais de televisão, nessas rádios, jornais e revistas que mentiram pra nós o tempo todo, manipulando pesquisas eleitorais, escondendo informações e divulgando calúnias, quando vamos parar de aceitar coisas como "rouba mas faz" ou um presidente que escreve livros e livros e quando assume a presidência diz pra esquecer tudo que ele disse.

Que convicção tem uma pessoa dessas que muda de uma hora para outra? Acho que nunca teve convicção em nada. Hoje vivemos talvez o início de uma era que nunca vivemos, a América Latina está sendo cada vez mais tomada por governos de esquerda que realmente estão se importando com a nossos povos, como o Hugo Chavez na Venezuela, o Evo Morales na Bolivia, o Rafael Correa no Equador, o José Mujica no Uruguai e o Lula no Brasil.

Só resta saber se vai ser apenas uma época ou se realmente vamos mudar. Esses presidentes não podem fazer nada se nós não ajudarmos, talvez se nosso povo se mobilizasse mais, nosso governo puderia realizar os seus projetos sem tantos obstáculos.

Pra essa blogueira eu gostaria de dizer que ela deveria sentir vergonha das injustiças que comete com um país que conquistou tudo que Cuba conquistou mesmo sendo o único país que olha para os EUA e diz NÃO. Como pode ela dizer que todas essas conquistas foram falsas? Como pode ela, na reportagem para a revista VEJA dizer que nenhum estrangeiro que viveu em Cuba pode admirar aquele regime?

Como ela pode falar assim pelos outros? Eu vivi em Cuba e não só admiro o seu regime como acredito nele, acredito que Cuba foi e continua sendo a grande esperança para os povos deste planeta que carecem dos recursos básicos para um ser humano viver. Eu tenho certeza que esses alunos de medicina, muitos oriundos de famílias que não tiveram condições de proporcionar todas as oportunidades que todos os seres humanos deveriam ter por direito, e muitos outras pesoas solidárias a Cuba e que lá viveram, sentem a mesma admiração que eu por tudo de maravilhoso que lá foi construido e pela pouca esperança que nos resta, mas que passa a ser tão grande quando olhamos para nuestros queridos hermanos cubanos.

Eu acredito que num futuro distante o Fidel Castro Ruz não somente será lembrado como um grande homem, mas sim como um ícone da luta pela justiça e pela igualdade social em nosso planeta, um ícone ainda maior que nosso querido comandante Che Guevara. Bom seria se o mundo não esperasse sua morte, como aconteceu com o Che, para reconhecermos isso. Eu espero estar vivo para ver isso e espero que até lá o governo cubano se mantenha forte e resistente para que, no futuro, não precisemos olhar para trás arrependidos e dizer: "Que pena, naquela época a situação podia ter mudado, mas não mudou", como já vimos acontecer muitas vezes na nossa historia.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Solidariedade cubana

Ucrânia homenageia Fidel e Raúl pela ajuda médica às vítimas de Chernobil

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, condecorou o líder cubano Fidel Castro e o presidente do país Raúl Castro, pela apoio oferecido às vítimas do acidente nuclear de Chernobil.
A homenagem ao governo cubano acontece no momento em realiza-se em Havana a “Conferência Internacional 20 anos do programa médico cubano crianças de Chernobil”. Há 20 anos, no dia 29 de março de 1990, chegavam a Cuba a primeira turma de 139 crianças, recebidas naquela ocasião pelo presidente Fidel.
De acordo com um comunicado de imprensa, Yanukovich condecorou Fidel Castro com a Ordem “Ao Mérito” em primeiro grau e a Raúl com a Ordem de “Yaroslav, o Sábio”, também em primeiro grau, por sua importante contribuição para o restabelecimento da saúde das Crianças de Chernobil. O ministro da Saúde cubano, José Ramón Balaguer, também foi homenageado.
Yanukovich expressou a profunda gratidão às autoridades cubanas pelo “enorme apoio à Ucrânia para a superação das consequências do desastre nuclear”.“Graças à ajuda médica oferecida por Cuba, resultado da decisão política do líder da Revolução. Fidel Castro, as crianças ucranianas contam com um futuro e uma vida sã”, afirmou Leonid Kuchma, enviado especial da Ucrânia, ao celebrar de 20 anos do programa cubano de atenção a crianças afetadas pela explosão da central nuclear de Chernobil, ocorrida em 26 de abril de 1986.
“Quando muitos países ricos demonstraram pesar, a nação caribenha manifestou sua solidariedade, ajudando a curar e salvar milhares de crianças e jovens ucranianos”, ressaltou Kuchma.
Quase 23 mil crianças ucranianas receberam cuidados médicos no centro de reabilitação cubano de Tarará para tratarem das sequelas do pior acidente nuclear da história, ocorrido em 1986, na usina nuclear de Chernobil, lembra o comunicado.

O PETRÓLEO É NOSSO

CONCESSÃO E PARTILHA É ENTRGUISMO

MST: o petróleo é do Brasil


“Estamos essa campanha há algum tempo, buscando a unidade em defesa do pré-sal. Esta é uma bandeira cívica e se é cívica, cabe diversos setores. Cabem nacionalistas, comunistas e até setores militares. Precisamos saber unificá-los”, disse Jota Alves, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).
Para ele, “a discussão agora dos royalties é um boi de piranha para não discutirmos a soberania sobre o petróleo. Precisamos saber que tipo de luta estamos fazendo. O nosso campo de batalha é nas ruas. Não podemos abandonar o Congresso, mas não é a nossa luta central. São Paulo tem a tarefa de fazer um debate justo de que o petróleo é do Brasil”.
MTST

“A nossa luta não é só por moradia, mas também por alimentação, saúde e educação. Com o pré-sal nós podemos conseguir tudo isso. O pré-sal não pode ser apenas para alguns, mas para todo o povo brasileiro. Não podemos abaixar a cabeça e sim defender o que é nosso. Nesta luta, se precisarem, ‘é nós’”, afirmou a jovem Danieli Camargo, integrante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), arrancando aplausos do plenário no ato "O pré-sal é nosso! Leilão é privatização" na Assembleia Legislativa de São Paulo.

segunda-feira, 29 de março de 2010

PORQUE NÃO SE FAZ UMA CPI SOBRE O CNA E O AGROBANDITISMO (agronegócio) DA KATIA ABREU?

CONVERSA AFIADA

Carter: Kátia Abreu recebe 25 vezes mais dinheiro do Governo do que o MST

Por Paulo Henrique Amorim

Em dezembro de 2009, Miguel Carter concluiu o trabalho de organizar o livro ‘Combatendo a Desigualdade Social – O MST e a Reforma Agrária no Brasil.’. É um lançamento da Editora UNESP, que reúne colaborações de especialistas sobre a questão agrária e o papel do MST pela luta pela Reforma Agrária no Brasil.
Esta semana, ele conversou com Paulo Henrique Amorim, por telefone.
PHA – Professor Miguel, o senhor é professor de onde?
MC – Eu sou professor da American University, em Washington D.C.
PHA – Há quanto tempo o senhor estuda o problema agrário no Brasil e o MST?
MC- Quase duas décadas já. Comecei com as primeiras pesquisas no ano de 91.
PHA – Eu gostaria de tocar agora em alguns pontos específicos da sua introdução “Desigualdade Social Democracia no Brasil”. O senhor descreve, por exemplo, a manifestação de 2 de maio de 2005, em que, por 16 dias, 12 mil membros do MST cruzaram o serrado para chegar a Brasília. O senhor diz que, provavelmente, esse é um dos maiores eventos de larga escala do tipo marcha na história contemporânea. Que comparações o senhor faria ?
MC – Não achei outra marcha na história contemporânea mundial que fosse desse tamanho. A gente tem exemplo de outras mobilizações importantes, em outros momentos, mas não se comparam na duração e no numero de pessoas a essa marcha de 12 mil pessoas. Houve depois, como eu relatei no rodapé, uma mobilização ainda maior na Índia, também de camponeses sem terra. Mas a de 2005 era a maior marcha.
PHA – O senhor compara esse evento, que foi no dia 2 de maio de 2005, com outro do dia 4 de junho de 2005 – apenas 18 dias após a marcha do MST – com uma solenidade extremamente importante aqui em São Paulo que contou com Governador Geraldo Alckmin, sua esposa, Dona Lu Alckmin, e nada mais nada menos do que um possível candidato do PSDB a Presidência da República, José Serra, que naquela altura era prefeito de São Paulo. Também esteve presente Antônio Carlos Magalhães, então influente senador da Bahia. Trata-se da inauguração da Daslu. Por que o senhor resolver confrontar um assunto com o outro ?
MC – Porque eu achei que começar o livro com simples estatísticas de desigualdades sociais seria um começo muito frio. Eu acho que um assunto como esse precisa de uma introdução que também suscite emoções de fato e (chame a atenção para) a complexidade do fenômeno da desigualdade no Brasil. A coincidência de essa marcha ter acontecido quase ao mesmo tempo em que se inaugurava a maior loja de artigos de luxo do planeta refletia uma imagem, um contraste muito forte dessa realidade gravíssima da desigualdade social no Brasil. E mostra nos detalhes como as coisas aconteciam, como os políticos se posicionavam de um lado e de outro, como é que a grande imprensa retratava os fenômenos de um lado e de outro.
PHA – O senhor sabe muito bem que a grande imprensa brasileira – que no nosso site nós chamamos esse pessoal de PiG (Partido da Imprensa Golpista) - a propósito da grande marcha do MST, a imprensa ficou muito preocupada como foi financiada a marcha. O senhor sabe que agora está em curso uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista, que reúne o Senado e a Câmara, para discutir, entre outras coisas, a fonte de financiamento do MST. Como o senhor trata essa questão ? De onde vem o dinheiro do MST ?
MC _ Tem um capítulo 9 de minha autoria feito em conjunto com o Horácio Marques de Carvalho que tem um segmento que trata de mostrar o amplo leque de apoio que o MST tem, inclusive e apoio financeiro.
PHA – O capítulo se chama “Luta na terra, o MST e os assentamentos” - é esse ?
MC – Exatamente. Há uma parte onde eu considero sete recursos internos que o MST desenvolveu para fortalecer sua atuação, nesse processo de fazer a luta na terra, de fortalecer as suas comunidades, seus assentamentos. E aí tem alguns detalhes, alguns números interessantes. Porque eu apresento dados do volume de recursos que são repassados para entidades parceiras por parte do Governo Federal. Eu sublinho no rodapé dessa mesma página o fato de que as principais entidades ruralistas do Brasil têm recebido 25 vezes mais subsídios do Governo Federal (do que o MST). E o curioso de tudo isso é que só fiscalizado como pobre recebe recurso público. Mas, sobre os ricos, que recebem um volume de recursos 25 vezes maior que o dos pobres, (sobre isso) ninguém faz nenhuma pergunta, ninguém fiscaliza nada. Parece que ninguém tem interesse nisso. E aí o Governo Federal subsidia advogados, secretárias, férias, todo tipo de atividade dos ruralistas. Então chama a atenção que propriedade agrária no Brasil, ainda que modernizada e renovada, continua ter laços fortes com o poder e recebe grande fatia de recursos públicos. Isso são dados do próprio Ministério da Agricultura, mencionados também nesse capítulo. Ainda no Governo Lula, a agricultura empresarial recebeu sete vezes mais recursos públicos do que a agricultura familiar. Sendo que a agricultura familiar emprega 80% ou mais dos trabalhadores rurais.
PHA – Qual é a responsabilidade da agricultura familiar na produção de alimentos na economia brasileira ?
MC – Na página 69 há muitos dados a esse respeito.
PHA- Aqui: a mandioca, 92% saem da agricultura familiar. Carne de frango e ovos, 88%. Banana, 85%.. Feijão, 78%. Batata, 77%. Leite, 71%. E café, 70%. É o que diz o senhor na página 69 sobre o papel da agricultura familiar. Agora, o senhor falava de financiamentos públicos. Confederação Nacional da Agricultura, presidida pela senadora Kátia Abreu, que talvez seja candidata a vice-presidente de José Serra, a Confederação Nacional da Agricultura recebe do Governo Federal mais dinheiro do que o MST ?
MC – Muito mais. Essas entidades ruralistas em conjunto, a CNA, a SRB, aquela entidade das grandes cooperativas, em conjunto elas recebem 25 vezes do valor que recebem as entidades parceiras do MST. Esses dados, pelo menos no período 1995 e 2005, fizeram parte do relatório da primeira CPI do MST. O relatório foi preparado pelo deputado João Alfredo, do Ceará.
PHA – O senhor acredita que o MST conseguirá realizar uma reforma agrária efetiva ? A sua introdução mostra que a reforma agrária no Brasil é a mais atrasada de todos os países que fazem ou fizeram reforma agrária. Que o Brasil é o lanterninha da reforma agrária. Eu pergunto: por que o MST não consegue empreender um ritmo mais eficaz ?
MC – Em primeiro lugar, a reforma agrária é feita pelo Estado. O que os movimentos sociais como o MST e os setenta e tantos outros que existem em todo o Brasil fazem é pressionar o Estado para que o Estado cumpra o determinado na Constituição. É a cláusula que favorece a reforma agrária. O MST não é responsável por fazer. É responsável por pressionar o Governo. Acontece que nesse país de tamanha desigualdade, a história da desigualdade está fundamentalmente ligada à questão agrária. Claro que, no século 20, o Brasil, se modernizou, virou muito mais complexo, surgiu todo um setor industrial, um setor financeiro, um comercial. E a (economia) agrária já não é mais aquela, com tanta presença no Brasil. Mas, ainda sim, ficou muito forte pelo fato de o desenvolvimento capitalista moderno no campo, nas últimas décadas, ligar a propriedade agrária ao setor financeiro do país. É o que prova, por exemplo, de um banqueiro (condenado há dez anos por subornar um agente federal – PHA) como o Dantas acabar tendo enormes fazendas no estado do Pará e em outras regiões do Brasil. Houve então uma imbricação muito forte entre a elite agrária e a elite financeira. E agora nessa última década ela se acentuou num terceiro ponto em termos de poder econômico que são os transacionais, o agronegócio. Cargill, a Syngenta… Antes, o que sustentava a elite agrária era uma forte aliança patrimonialista com o Estado. Agora, essa aliança se sustenta em com setor transacional e o setor financeiro.
PHA – Um dos sustos que o MST provoca na sociedade brasileira, sobretudo a partir da imprensa, que eu chamo de PiG, é que o MST pode ser uma organização revolucionária – revolucionária no sentido da Revolução Russa de 1917 ou da Revolução Cubana de 1959. Até empregam aqui no Brasil, como economista Xico Graziano, que hoje é secretário de José Serra, que num artigo que o senhor fala em “terrorismo agrário”. E ali Graziano compara o MST ao Primeiro Comando da Capital. O Primeiro Comando da Capital, o PCC, que, como se sabe ocupou por dois dias a cidade de São Paulo, numa rebelião histórica. Eu pergunto: o MST é uma instituição revolucionária ?
MC – No sentido de fazer uma revolução russa, cubana, isso uma grande fantasia. E uma fantasia às vezes alardeada com maldade, porque eu duvido que uma pessoa como o Xico Graziano, que já andou bastante pelo campo no Brasil, não saiba melhor. Ele sabe melhor. Mas eu acho que (o papel do) MST é (promover) uma redistribuição da propriedade. E não só isso, (distribuição) de recursos públicos, que sempre privilegiou os setores mais ricos e poderosos do país. Há, às vezes, malícia mesmo de certos jornalistas, do Xico Graziano, Zander Navarro, dizendo que o MST está fazendo uma tomada do Palácio da Alvorada. Eles nunca pisaram em um acampamento antes. Então, tem muito intelectual que critica sem saber nada. O importante desse (“Combatendo a desigualdade social”) é que todos os autores têm longos anos de experiência (na questão agrária). A grande maioria tem 20, 30 anos de experiência e todos eles têm vivência em acampamento e assentamentos. Então conhecem a realidade por perto e na pele. O Zander Navarro, por exemplo, se alguma vez acompanhou de perto o MST, foi há mais de 15 anos. Tem que ter acompanhamento porque o MST é de fato um movimento.
PHA – Ou seja, na sua opinião há uma hipertrofia do que seja o MST ? Há um exagero exatamente para criar uma situação política ?
MC – Exatamente. Eu acho que há interesse por detrás desse exagero. O exagero às vezes é inocente por gente que não sabe do assunto. Mas às vezes é malicioso e procura com isso criar um clima de opinião para reprimir, criminalizar o MST ou cortar qualquer verba que possa ir para o setor mais pobre da sociedade brasileira. Há muito preconceito de classe por trás (desse exagero).

quarta-feira, 17 de março de 2010

Mensagem enviada a senadores reacionários

Senhor senador
O preso cubano falecido sabe que foi preso por crime de traição á pátria. Traição contra um país em marcha para o socialismo. Este preso estava a serviço dos mesmos que invadiram Cuba em 1961 em praia Giron (baia dos porcos). Os estadunidenses mandaram o casal Lindemberg, cientistas, para a câmara de gases por estarem supostamente á serviço da URSS

OS GENOCIDAS ESTADUNIDENSES ASSASSINARAM ATÉ AGORA, SÓ NO IRAQUE, 1,400.000 PESSOAS, SENDO A MAIORIA VELHOS, MULHERES E CRIANÇAS. A ELITE BURGUESA MIDIÁTICA E O SENHOR PROTESTAM CONTRA UM MERDA TRAIDOR QUE MORREU DE FOME EM CUBA, MAS NADA FALA SOBRE O QUE ACONTECE NO IRAQUE, AFEGANISTÃO E PRESÍDIO ESTADUNIDENSE EM GUANTANAMO, ONDE PRISIONEIROS PELO SIMPLES FATO DE TEREM ORIGEM ÁRABE OU MULÇUMANA SÃO CRUELMENTE TORTURADOS E ASSASSINADOS? O IMPÉRIO DO MAL NÃO ESTÁ ARBITRARIAMENTE OCUPANDO PARTE DO TERRITÓRIO CUBANO? ISTO NÃO É CRIME? SEU CINISMO É DEMAIS.
NÃO ESTÁ PREOCUPADO COM AS BASES ESTADUNIDENSSES INSTALADAS NA COLÔMBIA? ELAS NÃO AMEAÇAM NOSSA AMAZÔNIA? NÃO AMEAÇAM OS DEMOCRÁTICOS E PACÍFICOS GOVERNOS DA VENEZUELA, EQUADOR E DEMAIS PAÍSES LATINOS?
O SENADOR NÃO SE PREOCUPA COM OS 30 MIL MERCENÁRIOS ESTADUNIDENSES INSTALADOS NA COREIA DO SUL, COM ARMAS SOFISTICADÍSSIMAS HÁ 60 ANOS AMEAÇANDO A PACÍFICCA COREIA DO NORTE?
O SENADOR ESTÁ PREOCUPADO COM OS ESTUDOS NUCLEARES DO IRAN, MAS NADA DIZ SOBRE AS BOMBAS ATÔMICAS DO CRIMINOSO, AGRESSIVO E IRRESPONSSÁVEL ESTADO DE ISRAEL? NADA DIZ SOBRE O MASSACRE DE PALESTINOS QUE PARA SE DEFENDEREM USAM ROJÕES E PEDRAS CONTRA PERIGOSOS FOGUETES TELEGUIADOS?
PARA O SENADOR, CUBA, VENEZUELA, EQUADOR, BOLÍVIA, IRAN SÃO DITADURAS, MAS O QUE PENSA O ILUSTRE E PREOCUPADO SENADOR, PREOCUPADO COM OS DIREITOS HUMANOS, DOS GOVERNOS DO EGITO, KUWAIT, EMIRADOS ARABES, ARÁBIA SAUDITA, TAILÂNDIA, ETC?
E AS BOMBAS QUIMICAS USADAS A POUCO TEMPO CRIMINOSAMENTE NO VIETNAN?
VAMOS PARAR POR AQUÍ, POIS A LISTA DE CRIMES COMETIDOS POR SEUS PATRÕES ESTADUNIDENSES, PARA VOCÊ, MODELO DE VIRTUDE E DEMOCRACIA É POR DEMAIS EXTENSA E DARIA PARA ESCREVER UM LIVRO COM QUASE MIL PÁGINAS.
UM CONSELHO: NÃO TORNE MAIS INÚTIL E DESNECESSÁRIO O NOSSO SENADO. CUIDE MAIS DOS INTERESSSES BRASILEIROS POIS PARA ISTO FOI ELEITO.

ATENCIOSAMENTE,
BLASCO MIRANDA DE OUROFINO
MÉDICO APOSENTADO

sexta-feira, 12 de março de 2010

CLARA ZETKIN- REVOLUCIONÁRIA ALEMÃ

Figuras do Movimento Operário: Clara Zetkin — A Vida e os Ensinamentos de Uma Revolucionária
S. Drabkina
Primeira Edição: ..... Fonte: Problemas - Revista Mensal de Cultura Política nº 30 - Outubro de 1950 . Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo, Março 2008.Direitos de Reprodução: A cópia ou distribuição deste documento é livre e indefinidamente garantida nos termos da GNU Free Documentation License.


A ATIVIDADE de Clara Zetkin, companheira de armas de Engels, Lênin e Stálin, constitui um exemplo de luta heróica pela causa do comunismo.
A União das Mulheres Alemãs editou um volume dedicado à vida e à atividade de Clara Zetkin. Nele se apresenta uma curta biografia de Clara Zetkin, as lembranças que velhos revolucionários conservam sobre ela, dos membros da União Democrática das Mulheres Alemãs e trechos de suas obras e discursos. O material se acha disposto em ordem cronológica. Trechos de artigos e discursos de Clara Zetkin intercalam-se com os episódios de sua vida. O livro em seu conjunto nos apresenta uma imagem viva dessa notável mulher, de "uma revolucionária marxista convicta, ativa e inflamada que dedicou toda a sua vida à luta pela causa da classe operária, à luta pela vitória do socialismo em todo o mundo"(1) como se referiu a ela N. K. Krupskaia, que a conheceu intimamente.
O prefácio ao volume assinala, com toda justeza, que as questões nele tratadas são atuais para milhões de mulheres alemãs que lutam pela independência de sua pátria e pelo seu desenvolvimento democrático.
"As suas palavras e as suas ações despertavam em milhões a vontade de luta. E hoje, quando nós, na zona soviética, temos a possibilidade de forjar o nosso destino como as nossas próprias mãos, as suas palavras e as suas ações infundem esperança e fé nas nossas forças".
A vida de Clara Zetkin se acha indissoluvelmente ligada à história da luta do proletariado internacional. Por mais de meio século ela permaneceu nas fileiras de vanguarda do movimento operário da Alemanha e dirigiu o movimento feminino proletário internacional. Inteiramente dedicada à causa da classe operária, Clara Zetkin combinava em si mesma um temperamento revolucionário inabalável e uma formação profundamente marxista.
As etapas fundamentais da vida de Clara Zetkin se acham descritas na sua curta biografia de maneira suficientemente ampla e inteiramente correta. Mas há também algumas falhas sérias. Assim, ao descrever a atividade de Clara Zetkin, por ocasião do primeiro Congresso da II Internacional em Paris em 1889, o autor da biografia, G. Meyer Gepner, silencia sobre o fato de que nesse Congresso Clara Zetkin se encontrou, pela primeira vez, com Engels. É sabido que esse encontro influenciou profundamente toda a atividade ulterior de Clara Zetkin.
Em carta à Lafargue, Engels assinalou a alta qualidade dos artigos de Clara Zetkin na imprensa socialista:
"Clara Zetkin escreveu um excelente artigo no "Berliner Volks-Tribune"; se tivéssemos tão clara exposição dos fatos três meses atrás, muito lucraríamos então".(2)
É de se lamentar que também esse interessante fato não seja citado na biografia.
Clara Zetkin teve a felicidade de trabalhar sob a direção dos grandes gênios do socialismo, Lênin e Stálin.
O autor da biografia assinala, com justeza, a ligação estreita entre Clara Zetkin e o movimento revolucionário russo que lhe serviu como fonte de força combativa e modelo de fidelidade ao marxismo revolucionário. Já em 1878, ao terminar o professorado em Leipzig, a jovem Clara Eisner se fez membro de um círculo de estudantes revolucionários russos. Nesse círculo estudava as obras de Marx e Engels e ouvia as conferências de Wilhelm Liebknecht. Um dos participantes desse círculo foi o professor Ossip Zetkin, emigrado russo, posteriormente marido de Clara.
A partir de 1920, e até o fim de sua vida, Clara Zetkin viveu principalmente em Moscou viajando apenas de vez em quando à países estrangeiros .
Clara Zetkin atuava incansavelmente como propagandista e agitadora, escrevendo muitos livros e artigos sobre a significação da União Soviética para o movimento operário revolucionário em todo o mundo. A ativa participação de Clara Zetkin nos trabalhos da Organização Internacional de Ajuda aos Revolucionários (O.I.A.R.) e na organização de uma frente única de solidariedade proletária constitui um dos seus méritos ante o movimento operário internacional. Foi eleita e sistematicamente reeleita presidente do Comitê Executivo da O.I.A.R., desde 1924 até os seus últimos dias.
Acha-se perfeitamente esclarecido, na biografia em questão, o papel de Clara Zetkin como organizadora do movimento feminino internacional. Zetkin tratou da questão da igualdade de direitos das mulheres do ponto de vista marxista e a ligou à luta comum do proletariado pela derrocada do regime burguês. Nos seus numerosos artigos e discursos sobre a questão feminina Zetkin sempre frisava a imensa diferença entre os participantes do movimento feminino proletário e as "feministas" burguesas que pregavam a renúncia à luta de classes.
"Todo o palavreado relativo à grande "irmandade" que liga os interesses das damas burguesas aos interesses das proletárias se desfez como bolha de sabão ao sopro da concepção materialista" – escreveu Zetkin na revista "A Igualdade", habilmente transformada por ela em centro organizador do movimento proletário feminino.
São citadas na biografia as interessantes lembranças da escritora Lu Merten sobre o fato de que na revista "Igualdade" eram transcritas as as obras de Máximo Gorki e de Martin Anderson Nexo. Zetkin apreciava o talento desses escritores já na época em que davam os seus primeiros passos na literatura.
Clara Zetkin, no congresso socialista internacional realizado em 1912 na cidadã de Basiléia, convocado por motivo da guerra dos Bálcãs e da ameaça de uma guerra mundial, conclamou as mulheres trabalhadoras à luta decidida contra os fomentadores da guerra imperialista. Reproduz-se na biografia o excelente discurso de Clara Zetkin no congresso de Basiléia sob o título "Clara Zetkin lança um apelo às mães de todo o mundo". Afirmou Clara Zetkin nesse discurso que não se concebe um movimento de massas pela paz sem a participação das mulheres proletárias e que a paz estará assegurada somente quando uma esmagadora maioria das mulheres de todo o mundo aderirem à luta pela causa da paz, pela causa da liberdade e da felicidade da humanidade, sob a palavra de ordem de "Guerra à Guerra!".
Na época da primeira guerra mundial, Clara Zetkin foi encarcerada por longo período, pelo governo de Guilherme II, por causa da sua atividade revolucionária. O nome de Clara Zetkin se tornou símbolo, para milhões de mulheres trabalhadoras de todo o mundo, de luta revolucionária contra o regime capitalista e a guerra imperialista.
Observa-se na biografia que Clara Zetkin participou com o maior entusiasmo da construção do Estado Soviético "que de maneira perfeitamente clara apontava o caminho para uma autêntica libertação dos trabalhadores" Cabe-nos, entretanto, frisar que o autor da biografia se utilizou de maneira insuficiente dos materiais que dizem respeito à variada e febril atividade de Clara Zetkin na Rússia Soviética.
Clara Zetkin estudou atentamente a vida das mulheres na U.R.S.S. Clara notou que a luta heróica das mulheres trabalhadoras na Rússia pela ditadura do proletariado deveria servir de exemplo convincente e de lição para as mulheres de todo o mundo. Zetkin se interessava particularmente pela emancipação das mulheres do Oriente soviético. Em 1926 empreendeu uma viagem pela Transcaucásia, escrevendo logo após o livro "O Cáucaso em fogo". Nesse livro divulgou entre amplas massas dos países estrangeiros as conquistas das mulheres libertadas das repúblicas nacionais soviéticas. Contava empreender também uma viagem à Ásia Central a fim de estudar a situação das mulheres muçulmanas que haviam atirado fora o "parandjá" e adquirido a possibilidade de participar ativamente em todos os setores da construção socialista. Uma moléstia grave impediu-a, porém, de realizar essa viagem.
Em 8 de março de 1933 o governo da U.R.S.S. concedeu à Clara Zetkin a Ordem de Lênin pelo seu grande e abnegado trabalho no setor da educação comunista das trabalhadoras e camponesas. É de se lamentar que a biografia não mencione nem esse fato e nem a brochura de Zetkin sob o título: "O testamento de Lênin às mulheres de todo o mundo". Lênin exerceu grande influência sobre o desenvolvimento de Clara Zetkin. Foi o seu mestre e inspirador ideológico na luta pela causa da classe operária, na luta contra o oportunismo pequeno-burguês e contra o reformismo dos chefes da Segunda Internacional.
Nas suas "Recordações sobre Lênin", das quais a biografia reproduz trechos, Clara Zetkin o denomina "inesquecível chefe e amigo".
Tendo mencionado o primeiro encontro de Vladimir Ilitch com Zetkin 1907 no congresso socialista internacional em Stuttgart o compilador deixou escapar um lamentável erro: ao invés de "em Stuttgart", se diz erroneamente, por duas vezes, na página 47, "em Copenhague". Os autores do volume deixaram de fazer qualquer referência à luta contra os oportunistas por ocasião do Congresso de Stuttgart que Zetkin travou sob a direção de Lênin. Os autores do volume também não se utilizaram das obras de Lênin em que este por mais de uma vez menciona a atividade de Zetkin. É sabido que Lênin tinha Clara Zetkin em alta consideração pela sua ousada e firme luta nas fileiras da Segunda Internacional de antes da guerra contra os oportunistas e os centristas.
Após a vitória da Grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia Lênin por mais de uma vez afirmou que todos os melhores social-democratas alemães, como Clara Zetkin e Franz Mehring, seguiam os ensinamentos dos bolcheviques. Lênin declarou, em seu informe apresentado ao V Congresso dos Soviets de Toda a Rússia, realizado em 5 de julho de 1918:
"A União de todos os trabalhadores, através de todas as dificuldades se fortalece, amplia-se e cresce não somente na Rússia, mas também em todo o mundo. . . O governo bolchevique recebe constantemente a expressão do reconhecimento e a expressão da simpatia e do apoio dos socialistas alemães e de outras pessoas cujos nomes são conhecidos de todos os trabalhadores e camponeses, como Clara Zetkin e Franz Mehring"(3).
Faltam também à compilação artigos de Clara Zetkin sobre Lênin publicados na imprensa soviética como, por exemplo, o excelente artigo "Um político revolucionário genial e realista", escrito por Zetkin por ocasião da morte de Lênin(4).
Intrépida Lutadora Pela Paz e Contra o Fascismo
A SEGUNDA parte do livro coloca em primeiro plano a atividade de Clara Zetkin como lutadora pela paz, contra o fascismo e os fomentadores de guerra. Um dos maiores méritos de Clara Zetkin é a sua luta incansável contra os incendiários das guerras imperialistas, luta contra a guerra, que os fascistas preparavam, contra a União Soviética. Os seus trabalhos contra os fomentadores de guerra ressoam com grande força também em nosso tempo, quando o perigo de uma nova guerra imperialista ameaça novamente as massas trabalhadoras de todo o mundo.
Em excelente artigo a propósito do Congresso Internacional Anti-Guerreiro, realizado em 1932 em Amsterdã, em ligação com a invasão da China pelos imperialistas japoneses, Clara Zetkin escreveu:
"Às criminosas destruições dos imperialistas deve se opor a vontade granítica das massas amantes da paz... O Congresso Anti-Guerreiro unifica muitas centenas de seus representantes, homens e mulheres, fortalece as suas ligações com os trabalhadores de todas as profissões e países que anseiam pela paz e chama à luta decidida novas massas que ainda não despertaram e ainda vacilam".
Clara Zetkin frisou, no mesmo artigo que os trabalhadores de todos os países manifestam a sua integral solidariedade ao povo chinês que luta pela sua independência.
"Sabemos que a luta intrépida dos trabalhadores e estrangeiros trará a liberdade e a paz também para nós".
Clara Zetkin escreveu na luta contra uma nova guerra imperialista os trabalhadores de todo o mundo devem se apoiar na União Soviética. O exemplo da União Soviética, da Grande Revolução Socialista de Outubro, a vitória sobre a intervenção estrangeira nos anos da guerra civil e a construção socialista, que se desenvolve vitoriosamente, testemunham o fato de que o proletariado já se acha maduro para construir uma sociedade nova, socialista, livre da exploração do homem pelo homem — afirmou Clara Zetkin.
Clara Zetkin a partir de 1920 foi deputada ao Reichstag, representando o Partido Comunista da Alemanha. Em discurso pronunciado em 30 de agosto de 1932 no Reichstag expressou as esperanças e as reivindicações do proletariado alemão. O texto integral desse notável discurso acha-se reproduzido na compilação. Vilma Heggert, esposa de F. Heggert, que se achava presente nessa sessão do Reichstag, escreve nas suas memórias:
— "Não podemos nos esquecer de Clara Zetkin: "Clara Zetkin pronunciou o seu último grande discurso no Reichstag contra o fascismo. Já se achava em idade avançada e quase inteiramente cega. Mas o seu discurso foi tão ardente como o eram nos anos da sua juventude, e na profundeza dos seus olhos quase cegos ainda brilhava o fogo da inspiração. Ao lado de Clara Zetkin se achava alguém com o texto do discurso nas mãos, mas Clara Zetkin não necessitava de discursos escritos. As palavras fluíam dos seus lábios espontaneamente e o seu discurso provocou sobre todos os presentes uma profunda e comovente impressão".
Clara Zetkin afirmou que o único caminho de se evitar guerras imperialistas é o caminho que nos aponta a revolução russa. A Grande Revolução Socialista de Outubro na Rússia demonstrou que os trabalhadores têm forças suficientes para derrotar todos os seus inimigos:
"As manifestações de milhões de trabalhadores, homens e mulheres, na Alemanha, contra a fome, a privação dos seus direitos, e as atrocidades fascistas e as guerras imperialistas constituem uma manifestação da inquebrantável solidariedade dos trabalhadores de todo o mundo. Essa solidariedade internacional deve se transformar numa solidariedade de luta firme e monolítica das massas trabalhadoras em todos os países capitalistas, em solidariedade de luta junto com a vanguarda dos nossos irmãos e irmãs da União Soviética, com os quais devemos nos unir de maneira ainda mais estreita".
A subida dos fascistas ao poder significou a preparação de uma nova guerra mundial. Clara Zetkin, demonstrando uma grande capacidade de análise e previsão, pôs a nu a situação que se criara. Nem a doença, nem a velhice quebravam a sua força de vontade e seu entusiasmo eternamente jovem. No último ano de sua vida escreveu a brochura "A guerra imperialista contra os trabalhadores — os trabalhadores contra as guerras imperialistas". Nessa brochura fez uma profunda análise da situação internacional e conclamou os trabalhadores de todo o mundo a empreenderem, unidos, uma ofensiva contra o fascismo e os incendiários de guerra.
"O cerco internacional e a destruição do Estado soviético pela força armada — tal é o objetivo dos governos burgueses, a que querem chegar custe o que custar".
Clara Zetkin frisava em sua brochura que a União Soviética é a primeira e única potência que defende realmente a paz.
Clara Zetkin apelava para os povos dos países capitalistas no sentido de que não se deixassem enganar pela Liga das Nações e não dessem crédito aos pactos de não agressão concluídos pelos seus governos, uma vez que o objetivo real dos imperialista era atacar a União Soviética:
"O capitalismo mundial pela sua própria natureza não pode se conformar— e particularmente na situação atual — com a circunstância de que o seu poder explorador é objeto da mais tenaz repulsa nas fronteiras de um país de proporções tão colossais como a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas com a sua população de milhões, a diversidade das suas características geofísicas e suas imensas riquezas".
Os social-chauvinistas De Bruker, Jouhaux, Hilferding e outros, sob a máscara de frases hipócritas sobre a defesa da civilização, justificaram as guerras imperialistas por ocasião da conferência do Comitê Executivo da Segunda Internacional realizada em Zurique em maio de 1932. Hilferding afirmou, nessa conferência, que:
"a queda do imperialismo nipônico constituirá um grande golpe contra a social-democracía".
Zetkin conclamava os trabalhadores a assimilarem as lições da história e a se manifestarem, em frente única, contra os fomentadores de guerra e privá-los de todos os meios e possibilidades para a realização de suas criminosas intenções.
"A luta contra a guerra imperialista diz respeito a todos nós, pois trata-se da luta pela grande causa de nossa libertação. Essa luta somente poderá conquistar a vitória numa frente única de aço, nacional e internacional, de todos os trabalhadores" — declarou Clara Zetkin.
Os autores frisam, em prefácio aos trechos da brochura de Clara Zetkin "As "guerras imperialistas contra os trabalhadores — os trabalhadores contra as guerras imperialistas", que a União Soviética se tornou o único pais que incondicionalmente defendia e continua a defender, na sua política interna e externa, os interesses dos trabalhadores e o fortalecimento da paz.
O último artigo da compilação é constituído de recordações da presidente da União das Mulheres Democráticas da Alemanha, Elli Schmidt, sobre a morte de Clara Zetkin. Morreu em Arkangel, Moscou, em 20 de junho de 1933, aos 76 anos de idade. Em 22 de junho realizaram-se os seus funerais na Praça Vermelha em Moscou. Os camaradas Stálin, Molotov, Voroshilov e Ordjonikdzie transportaram a urna com as cinzas de Clara Zetkin da Casa dos Sindicatos para a Praça Vermelha. A urna foi colocada em um nicho cavado numa das paredes do Kremlin perto do mausoléu de Lênin.
"Eu me encontrava na Praça Vermelha, — escreve E. Schmidt — profundamente comovida pela grandeza dessa mulher, em culto à cuja memória se demonstrava tanto amor, respeito e dedicação".
Não podemos deixar de manifestar a nossa satisfação em face da iniciativa de se publicar, na República Democrática Alemã, materiais sobre a vida e a atividade de Clara Zetkin. Toda a vida de Clara Zetkin é um exemplo brilhante para as massas trabalhadoras da Alemanha. O nome de Clara Zetkin se tornou, para os povos de todo o mundo, um símbolo de luta revolucionária contra o regime capitalista e contra as guerras imperialistas, um símbolo de mobilização do proletariado internacional em defesa da U.R.S.S. e da construção socialista. Acham-se refletidas, materiais da compilação, a vida e a luta dessa notável filha do povo alemão, mostra-se aí a sua estreita ligação com o movimento revolucionário russo e citam-se preciosos trechos de suas obras. Despertam vivo interesse e estão descritas com grande calor as recordações dos membros da União Democrática das Mulheres Alemães que conheceram pessoalmente Clara Zetkin.
Há, porém, no livro erros e omissões. A sua maior falha é representada pela ausência das declarações de Lênin sobre Clara Zetkin e pela ausência de materiais publicados pela imprensa soviética. Não se utilizou um documento tão precioso como o é a saudação feita a Clara Zetkin pelo Comitê Central do P. C. (b) da U.R.S.S. no dia da comemoração do seu 75.° aniversário. Julgamos indispensável reproduzir aqui o texto dessa homenagem:
"O Comitê Central do Partido Comunista (b) da U.R.S.S., à camarada Clara Zetkin.
O Comitê Central do Partido Comunista (b) da U.R.S.S., envia uma calorosa saudação bolchevique, no dia do seu 75.° aniversário, a uma veterana do movimento operário internacional, intrépida porta-voz da revolução proletária, à mais antiga dirigente da Internacional Comunista, à amiga e companheira das massas trabalhadoras da U.R.S.S. e à lutadora pela libertação da mulher trabalhadora. Companheira de armas de Engels, lutastes incansavelmente contra o oportunismo na Segunda Internacional e com toda a força da vossa grande inteligência e de vossa paixão revolucionária vós vos erguestes contra as opiniões de Bernstein, contra o revisionismo. Nos dias em que deflagrou a guerra mundial, quando os chefes da Segunda Internacional se deixaram vergonhosamente atrelar ao carro do imperialismo, vós, na companhia de Lênin, na companhia de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, levantastes bem alto a bandeira do internacionalismo proletário. Estivestes conosco também nos dias de Outubro e nos dias da guerra civil quando a contra-revolução mundial tentava sufocar o primeiro Estado Proletário do Mundo. Abnegada amiga da U.R.S.S., encontrai-vos sempre no posto de combate quando o inimigo ameaça o país dos Soviets. O Comitê Central do Partido Comunista (b) da U.R.S.S. manifesta os seus votos de felicidade e a firme certeza de que lutareis, ainda por muitos anos, nas primeiras fileiras da Internacional Comunista.
C. C. do P. C. (b) da U.R.S."(5)
Aos dirigentes da República Democrática Alemã, cabe uma tarefa honrosa — coligir todo o material existente sobre a vida e a luta de Clara Zetkin. Não podemos deixar de manifestar os nossos votos no sentido de que essa primeira e feliz iniciativa seja completada por uma nova edição com o aproveitamento dos materiais elaborados por Lênin e outros de fonte soviética. A obra que temos diante de nós, porém, mesmo na forma em que se acha, será de grande utilidade e merece ser lida por todos.
Início da página
Notas:
(1) N. K. Krupskaia. Clara Zetkin, pág. 5, edição russa, 1933, Moscou. (retornar ao texto)
(2) K. Marx e F. Engels — Obras, tomo XXVIII, página 114, edição russa, Moscou. (retornar ao texto)
(3) V. I. Lenin – Obras, tomo XXVII, pág. 486, 4ª ed. russa, Moscou. (retornar ao texto)
(4) "Pravda", 24-1-1924, Moscou. (retornar ao texto)
(5) "Pravda", de 5 de julho de 1932, Moscou. (retornar ao texto)

quarta-feira, 10 de março de 2010

HAITI, la verdad- Fernando Martinez Heredia Cubarte

Haití y la verdadFernando Martínez HerediaCubarte

Víctimas de un terremoto, los haitianos han muerto en masa. En la década que terminará en diciembre, esta tragedia me parece comparable a la muerte en masa de indonesios y asiáticos por un tsunami, a finales de 2004. Unos y otros han muerto en masa por los cataclismos, pero sobre todo porque sus sociedades no cuentan con medios ni sistemas para defender mejor la vida de la gente. Por otra parte, desde 2003 las fuerzas armadas de Estados Unidos han producido una muerte en masa de civiles no combatientes en Iraq que es mucho mayor que la suma de víctimas causadas por ambos desastres naturales. La verdad es que recibir la muerte en masa es uno de los pocos privilegios que le van quedando al que llamaban Tercer Mundo cuando las ideologías dividieron en dos al mundo regido por el capitalismo.
La palabra "humanitario/ a" se instaló y se ha repetido hasta el cansancio en los medios de comunicación y en la prosa oficial. "Ayudas" de los poderosos a los mismos que han despojado históricamente de casi todo, bombardeos contra bodas y hospitales, agresiones a países e intervenciones armadas, han portado el apellido "humanitario/ a". Ellos no han tenido una reacción humanitaria -o al menos humana- frente a la catástrofe de Haití. Con abismal tacañería y total impunidad se ha hablado de rebajarle el monto de sus deudas internacionales, se ha prometido darle algo, y ya se está dejando de hablar del tema. La verdad es que "humanitario/ a" es una de las expresiones más infames de la lengua prostituida y al servicio de la dominación más sucia, que hoy predomina en el sistema totalitario de información y formación de opinión pública que llamamos medios de comunicación, y se repite hasta el cansancio por los cómplices y por los tontos.
Miles de soldados estadounidenses han ocupado militarmente los puntos de Haití que han estimado conveniente, a partir del terremoto. Comentaron que era para combatir estallidos de violencia que no ha habido, pero no se han ido. No le dieron explicación a nadie, ni ellos ni esa sombra internacional llamada Naciones Unidas. En esto también va mal la década que termina. Cuando invadieron Afganistán, hubo una explicación; era mentira, pero la dieron. Cuando invadieron Iraq hicieron una gigantesca campaña de mentiras para justificarlo, pero la hicieron. La verdad es que la soberanía nacional de la mayoría de los Estados no es respetada por los imperialistas, y ha regresado la antigua práctica de hacer ocupaciones militares permanentes de países independientes. La verdad es que se ha perdido gran parte de lo avanzado por el mundo que fue colonizado, saqueado, explotado y avasallado en nombre de la civilización y el progreso, para que el capitalismo se volviera imperialismo y lograra ser la fuerza predominante en el planeta. Avances conquistados sobre todo mediante los sacrificios y los heroísmos de millones de personas, que forjaron sus países y sus regímenes sociales a través de revoluciones. Haití fue el primer país que conquistó su independencia en este continente que desde hace siglo y medio se dio en llamar América Latina.
En Asia, África y América Latina y el Caribe, los imperialistas se están apoderando -por todos los medios que estiman necesarios y sin mayor recato- de aquellos recursos naturales que han decidido explotar para servirse de ellos, o que han resuelto poseer como reservas para cuando convenga explotarlos a sus negocios y su estrategia. La verdad es que está en curso un proceso de recolonización selectiva de países a escala mundial, que va liquidando incluso el neocolonialismo, aquella forma de dominación de Estados independientes que se volvió determinante después de 1945, y que evidenciaba la madurez del sistema capitalista. Haití posee reservas minerales sumamente valiosas; lo más probable es que le toque en la estrategia imperialista servir como reserva, por ahora.
Poco antes de la famosa y muy publicitada crisis financiera de 2008 se habló de una crisis alimentaria -en realidad, a lo largo del planeta siguen reinando el hambre y la desnutrición, su hermana menor-, de la que se ofrecieron explicaciones sometidas a una lógica de la ganancia, los precios, la producción y el mercado gobernados por el capitalismo. Después, en este mundo lleno de imágenes, nos forzaron a consumir varios miles de horas con el tema de la salvación de la sagrada institución de los bancos, ejecutada por los Estados. De la crisis alimentaria hubo pocas imágenes, aunque siempre hay: esa es una función de naturalización de las iniquidades, dándoles su pequeño momento público. Así se nutre la creencia en que "todo" aparece en las imágenes, y lo que no aparece es porque no sucedió. Recuerdo una de esas pocas, la de un reparto de alimentos a una multitud de hambrientos desesperados en Haití. Soldados bien armados custodiaban a los repartidores, y una niñita quedaba enredada en una alambrada militar mientras luchaba por alcanzar algo. La verdad es que la idea de desarrollo, que tuvo su apogeo hace casi medio siglo, ha sido abandonada y olvidada, y es sustituida por la filantropía. Esta virtud cardinal laica burguesa -que de paso propicia exención de impuestos- se une a las donaciones que negocian los Estados y las grandes empresas, y que reparten prósperos administradores. Constituyen el mundo contemporáneo de la limosna, y son un ridículo fragmento de lo que se les ha robado y se les sigue robando a sus destinatarios.
Sin que sea posible evitarlo, este año se ha bautizado como el del bicentenario del inicio de las luchas por la independencia de nuestra América. La verdad es que el bicentenario sucedió en 1991. Doscientos años antes, en Sainte Domingue, la más rica colonia de Francia, comenzó la insurrección popular contra la esclavitud y el colonialismo, y estalló una gran revolución, la primera de este continente. La gente de abajo peleó con una abnegación y un heroísmo ejemplares, derrotó a los franceses, los españoles y los ingleses, y finalmente venció al ejército de Napoleón -el triunfador en Europa-, en la batalla de Vertieres, que no se estudia en las escuelas de nuestro continente. Los revolucionarios aprendieron a considerarse personas completas, a sentir y ejercer la libertad, a procurarse la justicia por sí mismos, a organizarse en ejército y fundar un país, al que nombraron Haití, a constituir una república y dotarse de una Constitución superior a la de los Estados Unidos, que establecía que todas las personas nacen y son libres, y no pueden ser esclavizadas. En vez de celebrar el bicentenario en 1991, reparación histórica que merecía Haití -ya que nunca recibirá la reparación económica a la que tiene derecho por el saqueo mediante el tributo a que fue sometida después de su independencia- , los latinoamericanos nos debatíamos entonces con el engendro del 500 aniversario del "descubrimiento" , o del "encuentro de las culturas" -que es casi lo mismo-, y ganaba terreno la idea espuria de que somos iberoamericanos.
La verdad es que Haití nos viene mostrando desde hace mucho tiempo el precio tan alto que está pagando la humanidad por el dominio del imperialismo estadounidense a escala mundial, por el carácter parasitario, hipercentralizador, excluyente y depredador del medio que está en la naturaleza misma del capitalismo actual, al mismo tiempo que por el retroceso general de las luchas de clases y de liberación nacional. Los descarados que le regatean a Haití la reducción de sus deudas le impusieron la liberalización del comercio que acabó con su producción doméstica de alimentos, obligándolo a gastar la mayoría de sus ingresos en importarlos y llenando las ciudades de menesterosos. En 1802, bajo el régimen de Toussaint, los haitianos produjeron dos tercios del azúcar que producía la colonia; dos siglos después, Haití está obligada a vivir de las remesas que envía la multitud de sus hijos emigrados. Tres de cada cuatro haitianos logran menos de dos dólares diarios para sobrevivir, y la infraestructura urbana es muy escasa o inexistente. Su soberanía nacional ha sido conculcada por la sangrienta ocupación militar estadounidense de 1915-1934 y por el control o la influencia decisiva sobre sus gobiernos a lo largo del siglo y el dominio neocolonial sobre el país. Otra vez Estados Unidos invadió y ocupó Haití en 1994-1996. Después del golpe de estado de 2004, la ONU desplegó allí una fuerza de ocupación militar permanente que no ha ayudado en nada respecto a los gravísimos problemas sociales del país, pero ha cometido crímenes y violaciones contra la población haitiana.
De la época de las cañoneras a la del "poder inteligente" han transcurrido cien años y han cambiado muchas cosas. Pero la verdad es que el recurso a la agresión y la intervención, el uso de la fuerza sin respeto alguno al derecho, son una constante en la política de los Estados Unidos hacia nuestro continente.
El 12 de enero, varios cientos de profesionales de la salud cubanos trabajaban en todo Haití, en labores gratuitas que se ejercen desde 1998 y se extienden a otras áreas de la vida del país. En la Escuela Latinoamericana de Medicina de Cuba, también gratuita, se han graduado ya 543 haitianos y estudian otros seiscientos. Ante el sismo, los cubanos proveyeron la primera atención médica. Todos conocen la entrega incansable de ellos y los que han ido llegando. Casi mil -entre ellos 380 haitianos formados en Cuba- forman hoy el ejército cubano para la vida que trabaja en Haití. Ya logran una atención integral a los pacientes -más de 50.000- y una atención de salud a la población que está creciendo. Cuba ejerce una solidaridad real con su vecino más cercano, una relación entre seres humanos, eficaz, fraternal y respetuosa del gran pueblo que la recibe.
La verdad es que Cuba puede ser solidaria con Haití porque mantiene su revolución socialista, ha formado un pueblo que tiene capacidades extraordinarias y no se deja ganar por el egoísmo y el afán de lucro, posee un nivel de conciencia política realmente admirable y tiene una organización social y estatal muy fuerte. La tarde del 12 de enero, 30.000 personas se trasladaron a lugares altos en menos de una hora en Baracoa, en perfecto orden, en previsión de un posible tsunami. El sistema de defensa civil contra desastres de Cuba es uno de los mejores del mundo, por lo que su población se defiende con éxito de los cataclismos, hoy agravados por los cambios climáticos. El gobierno ha movilizado todo lo que ha estado a su alcance a favor del pueblo haitiano y de una reconstrucción que lo fortalezca realmente, y la sociedad, que participa decisivamente con los esfuerzos de sus hijos, se mantiene al tanto, conmovida, de lo que sucede en Haití.
El ALBA, que también estaba aportando a la salud, la educación y otros sectores de infraestructura y producción en Haití antes del terremoto, respondió con rapidez y eficiencia ante la tragedia, y unió sus recursos al esfuerzo de los cubanos y haitianos por ampliar y sistematizar los servicios de salud. La reunión de su Consejo Político en Caracas, el 24/25 de enero, acordó proponer a Haití un plan más ambicioso en ese campo, y extender las acciones a los niños, el sistema escolar y los alimentos. La Declaración del ALBA es precisa: los esfuerzos de reconstrucción "deberán tener al pueblo y al Gobierno de Haití como principales protagonistas, respetando los principios de soberanía e integridad territorial" .
La verdad que nos hace palpable Haití es que sólo son respetados y salen adelante los pueblos que hacen revoluciones, logran liberarse, cambiarse a sí mismos y constituir poderes populares muy fuertes, para ser capaces de vencer a sus enemigos y de realizar tareas casi imposibles, para ser sociedades viables que repartan entre todos el bienestar y la dignidad. Que del sistema capitalista no se puede esperar otra cosa que explotación, opresión, despojo, agresión, mezquindad y desprecio. Que el imperialismo norteamericano es el campeón mundial en todas esas prácticas. Que sólo la solidaridad internacionalista -como la que brindó Haití a Bolívar hace dos siglos- les dará fuerzas suficientes a los pueblos de nuestra América para defenderse con éxito y para cambiar el mundo y la vida a favor de las mayorías. Que tenemos por delante un prolongado camino de combates y arduos trabajos, y sólo la unión de los oprimidos y los poderes populares, y las alianzas entre los que estén dispuestos a conquistar la segunda independencia, nos dará la victoria.
Gracias, pueblo hermano de Haití. Igual que ayer nos mostraste la vía hacia la libertad y la justicia, hoy nos aclaras, con tus entrañas destrozadas pero tu dignidad incólume, las verdades fundamentales que debemos aprender y practicar.